31.3.07

O caos do caos

Se antes se brincava que o Brasil tinha duas saídas -Cumbica e Galeão-, hoje não tem mais. O caos aéreo que começou no ano passado e parecia ser realmente um caos mostrou-se muito pior na noite desta sexta-feira, quando controladores de vôo cruzaram os braços e os aviões simplesmente não decolaram dos principais aeroportos do País.

A primeira solução foi mandar prender os controladores rebeldes. Mas, o presidente Lula, que, ironicamente estava voando no luxuoso avião presidencial, suspendeu a decisão em pleno vôo ao encontro com o "companheiro Bush". E, com ou sem prisão, o problema continuou. Aliás, continua desde um bom tempo, sem aparente solução.

Ora, os controladores são funcionários militares, ou seja, seguem normas rígidas de conduta. Se, nem assim, o País consegue controlá-los, o melhor a fazer é apelar a alguma outra instituição que não o Ministério da Defesa, que, por sua vez, não consegue nem controlar o espaço aéreo, imagine se tivesse que nos defender.

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24.3.07

Quanto vale um político?

Houve um tempo em que, em Americana, vereadores não recebiam salários. E nem por isso deixava de haver excelentes legisladores. Hoje, eles recebem, e tantas são as práticas que nos desanimam quanto à Casa de Leis.

No Congresso Nacional, os legisladores ganham muito. Um levantamento feito no final do ano passado pelo jornal "El País", da Espanha, diz que o deputado brasileiro fatura R$ 93 mil entre salário e benefícios. Mensais, leitor! Mesmo assim, eles querem mais. E já articulam projeto para turbinar seus ganhos à custa dos nossos impostos.

Então, o Blogna abre o espaço para você dizer quanto gostaria que eles ganhassem. Nada mais justo, já que é o seu imposto que paga os deputados e todos os outros políticos eleitos. É só clicar no "comente" abaixo e fazer valer seu direito de cidadão. Pelo menos na liberdade de se expressar.

23.3.07

Já foi assaltado? Conte

Americana amanheceu a quinta-feira com um prédio sendo invadido por bandidos disfarçados de polícia e adormeceu com uma quadrilha de furto de veículos sendo presa. No primeiro caso, a violência chega aos condomínios residenciais, locais antes considerados seguros (aliás, a cidade já foi um dia considerada "segura" e hoje está cada vez mais longe disso). No segundo caso, a evidência do que já é crônico num município que virou oásis para ladrões de veículos.

Aproveitando a situação, faço um convite ao leitor do blog: dizer se já foi assaltado ou teve o carro furtado ou roubado em Americana e, se sim, contar um pouco de sua história no espaço para comentários, abaixo. Mais que isso: com a autoridade que só quem passou pela terrível experiência tem, deixe sua sugestão para políticos e policiais sobre como se resolveria o problema da violência.
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20.3.07

Ciência ou sadismo?

O "Britsh Medical Journal" publica reportagem sobre uma pesquisa que avaliou efeitos comparativos de seis medicamentos em animais e humanos. A conclusão é que os efeitos de duas das drogas foram completamente opostos entre os dois seres. Ou seja, nada valeram as experiências com os bichos.

A despeito disso, a utilização de cobaias é ampla nas pesquisas científicas. Extrapola os limites do supérfluo. Em muitos tipos de espécie, injetam-se, além dos medicamentos em desenvolvimento, vírus, bactérias, venenos. Chega-se ao ponto de espirrar inseticida em olhos de coelhos para se certificar que o produto (óbrio!) provoca irritações.

Seria essa uma ciência a serviço do sadismo? Mais: seria a crueldade um instinto humano?

13.3.07

O cinto e a camisinha

O presidente Lula disse, na semana passada, que é preciso abandonar a hipocrisia ao tratar do tema camisinha em campanhas contra a Aids. Deu uma estocada na Igreja Católica, que respondeu logo em seguida, alegando que defender o uso do preservativo é estimular o sexo promíscuo.

A posição da cúpula da Igreja, que não encontra eco nos milhões de seres humanos que a têm como sua religião (e usam preservativo para se manter vivos e protegidos do HIV), sugere algumas dúvidas.

Um exemplo simplista: se conscientizar para a utilização da única barreira conhecida contra o contágio da Aids em relações sexuais é estimular o sexo promíscuo, então incentivar o uso do cinto de segurança ao dirigir veículos seria estimular o excesso de velocidade? O raciocínio é plausível, já que tanto o cinto como a camisinha são ferramentas que protegem a vida em fatos corriqueiros do planeta Terra, que acontecem queiram os sacerdotes ou não. Podem falhar, sim, mas usá-los é melhor que os ignorar.

A banalização do sexo é criticável à luz dos púlpitos (mais que isso, a banalização da vida, que, ironicamente, aconteceu em momentos históricos sangrentos como as Cruzadas ou a Inquisição, patrocinados pelo Vaticano). Mas ignorar toda a dor que a Aids causou e ainda causa à humanidade, acreditando ser possível combatê-la com a prática da castidade, beira uma ingenuidade alienígena. Ou seria, como sugeriu o presidente, hipocrisia mesmo?

PS: Bento 16 diz, nesta terça-feira, que o segundo casamento é "uma praga". E manda os padres se prepararem para rezar missas em latim. De costas para o público?

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11.3.07

O DVD do domingo

"All The King´s Men", estranhamente traduzido por "A Grande Ilusão", é um grande filme que já está lançado em DVD. O elenco tem Sean Penn em uma magistral atuação, junto a Kate Winslet, Anthony Hopkins e Jude Law.

Baseado em romance de Robert Warren, de 1946, que ganhou um Prêmio Pulitzer, o filme vale cada minuto. Penn vive um homem humilde que ascende ao poder no Estado da Louisiana (EUA) e, a partir de então, depara-se com a podridão da política. Podridão de ontem, podridão de hoje, podridão sempre parceira inseparável do poder.

6.3.07

O porre de Bush

"Não acredito que o governo deva impor aos fornecedores de energia reduções obrigatórias de emissões de dióxido de carbono, que não constituem um contaminante."

A frase é de George Walker Bush, dita em 2001, contra todas as evidências de que, justamente por conta das emissões de CO2, o mundo está ficando mais quente e o futuro, cada vez mais comprometido. Na época, em defesa das petrolíferas poluidoras (que bancaram sua campanha política), Bush negou-se ao Protocolo de Kyoto, que visava justamente definir limites para a poluição atmosférica.

Não parece o mesmo Bush que desembarca no Brasil na próxima quinta-feira, com olhos para o álcool e para a tecnologia brasileira que movimenta carros com combustível limpo. Mas, não sejamos ingênuos a ponto de achar que a mudança de pensamento é porque Bush assistiu ao documentário "Uma Verdade Inconveniente" e descobriu ter errado em sua política anti-ambiental.
A guerra "contra o terror" e o plano de movimentar a indústria das bombas (outra financiadora de sua campanha) trombou num enorme fiasco no Iraque, ingovernável, onde morrem dezenas de vidas todos os dias (inclusive, vidas de soldados norte-americanos). Bin Laden não foi enconrado. Saddam, enforcado, é quase mártir. O petróleo do Oriente Médio, portanto, teve um preço salgado -e com uma pitada de pimenta do venezuelano Hugo Chávez, de quem os EUA também compram o óleo. Ademais, o país de Bush já sentiu na carne que o aquecimento global não é devaneio de cientista (o Katrina que o diga).

Restou a George Walker Bush, portanto, o álcool. O combustível renovável que o mundo procura para fugir do apocalipse ambiental e, certamente, o velho Jack Daniels, este para esquecer um governo que atira para todo lado e, exceto Saddam, só tem matado inocentes.

5.3.07

Uma Verdade Inconveniente

Assisti no último final de semana ao documentário "Uma verdade inconveniente" (já em DVD), que rendeu um Oscar ao ex-vice-presidente dos EUA Al Gore. Gore perdeu a penúltima eleição presidencial para belicista e anti-Kyoto George Walker Bush, mesmo tendo conquistado mais votos. Poder-se-ia dizer que, por ser um político, o ex-vice de Bill Clinton utiliza o tema que enfim ganhou a mídia -o aquecimento global- para se projetar. Engano.

O documentário é rico em dados científicos e relata um vasto trabalho de campo feito por Gore. A forma como tudo é passado é muito eficaz. Gore faz o papel de um palestrante ao longo do filme, falando para uma atenta platéia e utilizando-se de recursos audiovisuais que cruzam dados como temperatura da Terra e emissão do dióxido de carbono, comparando fotos de geleiras e alpes de décadas atrás com imagens de hoje. Questões como lobbies das petrolíferas e das montadoras de veículos são citadas. O descaso da classe política ao meio ambiente é escancarado.

É uma grande aula sobre um tema do qual fugir significará a nossa extinção. Neste "post", abaixo, está um trailler de "Uma Verdade Inconveniente", filme que termina perguntando se estamos preparados para viver respeitando o planeta. No embalo, este blog lança a pergunta: o que você faz para dar a sua contribuição à sobrevivência da Terra?