Quem "aloprou"?
Pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta quinta-feira aponta novo avanço de Lula na corrida eleitoral. Segundo o levantamento, a diferença sobre Alckmin está em 24% (57,5% a 33,5%). A pesquisa segue a tendência indicada pelo Datafolha, pelo Ibope e pelo Vox Populi, ou seja, de que a distância entre ambos aumenta.Na verdade, a posição confortável de Lula volta ao patamar visto antes de serem bombardeadas as manchetes sobre o dossiêgate, inspiradas pelos petistas “aloprados” e também pela mídia muito interessada em ruminar esse “prato cheio” às vésperas do 1º de outubro (e ruminou à exaustão, diga-se). Primeira conclusão que se pode vislumbrar: não fossem tais manchetes, provavelmente não haveria segundo turno.
Outra questão interessante a se citar é a forma como cada candidato se apresentou na campanha para o segundo turno. E aí entra o fator FHC. A campanha petista resolveu lembrar o legado do ex-presidente e colocou Alckmin na pior das arapucas. Ele passou a campanha toda tentando convencer o eleitor de que não faria o mesmo que seu colega de partido, que privatizou quase todo o patrimônio estatal. Segunda conclusão: a imagem de FHC e das privatizações perante os brasileiros é tão ruim que chega a respingar no colega de partido.
Há ainda um outro dado pertinente. O Datafolha de terça-feira mostrou que o atual governo tem a melhor avaliação desde que o instituto iniciou tal levantamento. Em outras palavras, desde que o Brasil foi redemocratizado, nunca um presidente foi tão bem avaliado pelos brasileiros, apesar de ter sido alvo de 60% de reportagens negativas e só 19,2% positivas nos cinco maiores jornais do País na reta final do primeiro turno (com Alckmin, foi o inverso: 25% de matérias negativas e 43% de reportagens positivas), segundo dados do Observatório Brasileiro de Mídia. Terceira e última conclusão: ou a maioria dos brasileiros ou a maioria da mídia experimenta o transe da “alopração”.
Imagem: SXC

















