
Você devolveria os quatrocentos e tantos mil reais que crianças encontraram em casa abandonada no Rio Grande do Norte? Sim? Mesmo sabendo que é dinheiro de banco, a instituição que mais lucra, arrancando até um pedacinho do couro de seus clientes com juros imorais? Não? Mesmo sabendo que ficar com dinheiro alheio (independente de quem seja esse "alheio") é crime e, antes disso, desonestidade?
Eis a encruzilhada em que o Brasil se encontra. Aqui, ser honesto muitas vezes é parecer idiota, já que os desonestos prosperam, impunes. Só que, sem um choque de honestidade, o País continuará patinando num lodaçal sem futuro e não será nada além de um belo território povoado por pequenos ou grandes aproveitadores, que levam vantagem roubando ou tostão, ou milhão.
Mais uma semana termina com ações criminosas reinando sobre a ordem pública. Pior, mesmo após os ataques -comandados por facções criadas e mantidas dentro de presídios-, só na região 1.300 presos foram soltos no indulto do Dia dos Pais. Em todo o Estado, são 11 mil libertados, mesmo sabendo-se que um exército de soldados do crime pode realizar novos -e piores- ataques.
Para explicar o indulto, recorre-se ao Estado de direitos. Os presos têm direito de sair temporariamente para se acostumarem novamente com a vida em sociedade. Essa premissa, interessante talvez para a Suíça, soa como um escárnio aos paulistas de bem, que não praticaram nenhum tipo de crime e até devolveriam os quatrocentos mil reais citados acima, mas não têm direito à segurança e não podem, portanto, sequer sair às ruas tranqüilamente.
Já os presos, podem. Mais que isso, devem. Porque a lei -a mesma que mantém solto o assassino condenado Pimenta Neves e pode atenuar em muito a pena da assassina também condenada Suzane Richthofen- manda. Porque a lei está velha, foi feita numa época em que muitos dos presos eram presos políticos, detidos injustamente por uma cruel ditadura. A lei é caquética para os dias de hoje, quando os presos são ladrões, assassinos, estupradores.
E quem faz as leis? Ou melhor, quem poderia mudá-las? Ora, os deputados e senadores, entre os quais os mensaleiros, os sanguessugas, os anões do orçamento.
E aí? Você devolveria o dinheiro? Ou entraria no transatlântico da desonestidade, que ruma em velocidade de cruzeiro para o abismo? Opine, postando seu comentário abaixo.