Nas Palavras Dele
POR GENILSON BRANDÃODe Washinton, D.C.
Retórica política nunca me impressionou. Sempre me deixou com um ar de dúvida e ceticismo. Não mais. Ontem à noite, Barack Hussein Obama emocionou o país com seu discurso de vitória num palco ao ar livre em Grand Park, Chicago.
Obama falou de forma emotiva, mas firme, sobre o que acabava de acontecer. O presidente eleito reconheceu que sua candidatura e eleição eram vistas como desafios impossíveis. Mas disse que o povo americano havia reconhecido que o desafio maior é o futuro dos EUA. Obama prometeu governar o país não só para aqueles que haviam votado nele, mas para aqueles que disse que ainda precisava ter o voto de confiança. Reconheceu que só a coletividade faz a união e pediu para que o povo considerasse isso. Evocou as palavras de Lincoln: "We are not enemies, but friends — though passion may have strained it must not break our bonds of affection." (Somos amigos, não inimigos — a paixão pode ter afetado nossa amizade, mas ela não deve romper nossos laços de afeição).
Historicamente, Obama contextualizou parte de seu discurso de vitória com a narrativa de Ann Nixon Cooper, uma senhora de 106 anos que mora em Atlanta. Disse que Ann havia nascido logo no final da escravidão nos EUA, numa era em que o voto não era um direito dela pelo fato de ela ser uma mulher e de ser uma negra. Disse que, em mais de um século de vida, Ann já viu muita coisa, boa e ruim, e o que ela e ele puderam experenciar nessa eleição foi transformador. Obama disse que se em 100 anos pudemos conseguir tudo isso, imagine só o que o futuro aguarda.
Imaginar que num país onde há 143 anos atrás Obama poderia ter sido propriedade de alguém como um escravo, contemplar o que aconteceu nessa eleição é realmente fabuloso.
PS Meu querido amigo Genilson Brandão (que está na foto acima) é jornalista, brasileiro de Americana, e está gentilmente escrevendo de Washington, onde mora e trabalha, para o Blogna, passando a visão de um americanense presente num momento histórico.



3 Comentários:
Opa, que bacana ler seu post, Genilson. Marcos, parabens pela iniciativa tambem.
Seria apropriado comparar o que fora ha' 6 anos a primeira vitoria da "esperanca vence o medo", na pessoa do Lula, com "change" da conquista de Obama, todos os rompimentos de preconceitos e significados? Me parece um pouco que sim, apesar de enormes diferencas e contextos entre Brasil e Estados Unidos, mas simbolicamente, o que eu sentia na vitoria do Lula, mesmo nao sendo um defensor do PT e sim um defensor do Brasil, sinto agora, pelo povo americano e mundo afora, as expectativas e sonhos compartilhados e possiveis na pessoa do Barack Obama. Que as expectativas se realizem. Que os sonhos sejam tocados. E viva o novo.
Abracao grande pra voces, Marcos, Genilson. Mais uma vez, parabens pelo "dueto" ; )
Bassora, grande amigo (aliás, por ora virtual, pois há séculos não tomamos uma cerveja regada a um bom papo, ou vice-versa -e nesse ponto o Genilson está perdoado, dada a distância física), bom vê-lo por aqui.
Concordo com seu ponto de vista e também não por partidarismos. A eleição de um negro como presidente de um país historicamente racista pode, sim, ser comparada à eleição de um operário para presidir um país oligárquico. Lula e Obama são, portanto, fenômenos que fortalecem a democracia, independente de seus erros e acertos como administradores.
Grande abraço!
Grande Alexandre,
Legal receber seu apoio aqui no Blogna! Interessante e apropriada sua comparação Lula/Obama. Realmente, os dois trouxeram mudanças à democria e concordo que tudo que venha fortalecer a democracia vale a pena.
Mas o que aconteceu aqui na terça-feira é simbólico muito além do slogan de "change" associado a Obama. O presidente-eleito inspira de uma forma que edifica, traz esperança, e aciona cada um a fazer a sua parte. A questão racial é importante salientar, mas não é tudo. Ainda tem muita coisa pra se fazer . . . Mas vamos torcer para que o governo de Obama consiga obter sucesso!
Abração,
~G.
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