Dignidade aos afro-descendentes
Hoje é Dia da Consciência Negra, mas a data, que poderia servir para uma reflexão a respeito da necessária igualdade racial no Brasil, às vezes gera ainda mais racismo.Ontem, ouvi uma pessoa dizer que, para ela, não deveria haver feriado em lugar algum (aqui na região, só há em Hortolândia e Sumaré). O motivo alegado por ela é que, já que há o dia da consciência negra, deveria então haver o dia da consciência branca. E foi além: disse que é descendente de italianos e esse povo, que chegou ao Brasil tanto quanto os escravos, não tem dia de consciência.
Eis uma manifestação racista, comum de ser ouvida e que merece uma profunda reflexão.
Primeiro, porque é muito diferente a forma como chegaram aqui os imigrantes italianos ou norte-americanos e como chegaram os negros. Americanos e italianos vieram por livre e espontânea vontade, em busca de um novo mundo diferente da Europa em guerra ou dos Estados Unidos em batalha interna (caso da Secessão).
Já os negros africanos foram retirados de seus países à força, arrancados de suas casas para trabalhar de graça para povos da raça branca. Sofreram, foram açoitados, humilhados e se transformaram em propriedade de homens que nunca foram melhores que eles, mas se julgavam seus donos.
Eis a diferença que torna desnecessário um dia para uma suposta "consciência branca" ou para alguma consciência sobre os imigrantes italianos. Uma diferença que faz mais que necessária a luta pela igualdade racial, já que, mesmo com o fim da escravidão, os negros foram jogados no mundo sem chances de ser alguém na vida, com muito menos oportunidades que os brancos.
Hoje, portanto, não é um dia para se pensar em negros contra brancos. É dia para se refletir o quanto a Europa e as Américas devem em dignidade aos afro-descententes.



1 Comentários:
Os dados estatísticos demonstram que os negros permanecem ocupando os piores índices de desenvolvimento humano, que os homens negros e principalmente as mulheres negras são quem recebem os piores salários mesmo quando ocupam os mesmos cargos, ou que o nível de analfabetismo é bem maior entre a população negra. Os negros africanos colaboraram muito, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. O resgate do histórico de lutas contra a exploração e opressão é parte da luta contra o racismo hoje. A libertação do povo negro será conseqüência de muitas lutas e sua auto-determinação. Mas o cenário está mudando, mesmo a passos de tartaruga. Assim como um senador desconhecido pelo mundo conquistou o cargo político mais importante dos EUA em apenas um ano, vamos torcer que as conquistas dos negros sejam mais freqüentes e sejam tão naturais quanto a sua cor de pele. O IBGE calcula que precisaremos de pelo menos 20 anos de políticas voltadas para as ações afirmativas para colocar brancos e negros em níveis mínimos de igualdade.(Donicia)
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