O anjo metralhado
O desespero de um pai diante da morte do filho João Roberto Amorin Soares, que iria fazer apenas quatro anos, comoveu o Brasil na segunda-feira. Aliás, não só comoveu, mas revoltou.Simplesmente porque quem matou o garoto foi um soldado da Polícia Militar do Rio de Janeiro, que metralhou o carro em que estava o pequeno João Roberto, a mãe e mais uma criança.
“Ela encostou o carro como qualquer um faria para dar a vez à polícia, eles fecharam a minha mulher e metralharam o carro, com uma mulher e duas crianças”, gritava o pai do garoto, contando como a polícia acabou matando seu filho numa perseguição a bandidos, uma atitude que o próprio secretário de segurança do Estado qualificou como desastrada.
Desastrada e não isolada.
Vivemos num País em que a crise da segurança chegou a tal ponto que a polícia não basta. Pior: a polícia às vezes assusta os cidadãos que deveriam se sentir protegidos por ela. É mal preparada, mal remunerada e chega a ter membros corrompidos.
O resultado é escancarado no Rio de Janeiro, onde, nos morros, quem manda é o crime e traficantes chegam a ter mais respeito dos moradores do que policiais. E o motivo é claro: os traficantes oferecem segurança a quem mora ali, enquanto a polícia sobe atirando, muitas vezes em inocentes.
Eis uma inversão de valores mortal.
imagem sxc



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