5.7.08

A lei prefere o menor ao volante

O que é mais grave: dirigir após beber apenas dois copos de cerveja ou dar a direção do carro para um menor de idade, sem habilitação? Para o bom senso, com certeza é muito pior dar o carro para um menor de idade dirigir. Mas, para a nova lei seca inventada, aprovada e sancionada no Brasil, é mais grave dirigir após beber dois copos de cerveja, insuficientes para transformar o motorista em um assassino ao volante.

Veja a incoerência. À luz da “Lei Seca”, se você for pego após beber dois copos de cerveja ou dois chopinhos, pagará quase mil reais de multa e será preso. Se der o carro para um menor dirigir, terá de pagar pouco mais de 500 reais de multa.

Eis apenas um dos absurdos dessa nova lei, que está incomodando até os padres por conta do pequeno gole que dão na taça de vinho, durante as missas. Duas missas são suficientes para levar o inocente padre para atrás das grades.

Ou seja, se for levada ao pé da letra, a nova legislação vai punir quem não precisa ser punido. E não há garantia de que o problema das mortes nas ruas e rodovias do Brasil seja resolvido. Isso porque temos um código de trânsito que já é rígido e está há dez anos em vigor, mas muitas das suas regras não saíram do papel ainda. Regras como a que criminaliza a bebida ao volante (e poderia ter resolvido essa questão há uma década, sem precisar do radicalismo da atual lei).

imagem sxc

13 Comentários:

Anonymous Cleusa Leme disse...

Pergunta difícil de responder. Quem bebe fora de casa e não está pensando em abrir mão do que considera seu direito (beber duas ou mais cervejas e dirigir) certamente considerará muito mais grave o jovem sem a habilitação dirigir. E o jovem motorista poderia se servir dos maus exemplos dados pelos "mais velhos", na tentativa de desqualificar o seu delito. É tudo uma questão de ponto de vista.
Se o jovem estiver sóbrio e for atento às normas do trânsito, embora não devendo dirigir,pode representar risco pequeno; se estiver sóbrio, mas não tiver responsabilidade o suficiente para tal, risco em potencial.
O adulto que bebeu além do que está sendo considerado seguro para ele e para os outros, também não deveria dirigir, uma vez que estará desrespeitando as normas, também ele, tal qual o jovem, representa um grande risco para todos, ambos desmoralizam as normas. Então, creio ser igualmente perigoso o jovem ao volante e o adulto que tenha bebido.Quanto à multa, deve ser alta mesmo, senão não inibe, mas acumular com prisão, considero exagero.
Outras atitudes igualmente graves que precisam ser revistas quanto à punição: motoristas que falam ao celular enquanto dirigem e a desobediência à sinalização.Incluo aí também os motociclistas,os ciclistas e os pedestres desatentos.

05/07/08 23:18  
Anonymous Odair disse...

Acredito que a lei foi aprovada mais pelo lado político,que propriamente pelo lado social da coisa.Alem do que todo racalismo deve ser banido.Acredito sim,muma operacao intensa que envolva todos,sociedade,industrias,comercios.Não basta radicalizar com os consumidores,existe toda uma cultura arraigada em nós.
O unico lado bom da lei,é o fato de que mais cedo ou mais tarde,todos sentarão à mesa para negociar,chegar à um termo de consenco e não uma lei eleitoreira.

06/07/08 08:24  
Anonymous Anônimo disse...

De certa forma com esta lei estamos pagando pela negligencia de algumas pessoas, pessoas sem bom senso, ou até mesmo raciocinio.

06/07/08 10:37  
Anonymous Anônimo disse...

Esse lei já começou errada, um caminhoneiro atropelou um transeunte na Rodovia Castelo Branco e foi preso devido o teste do bafômetro acusar alto índice de álcool, pois bem, em Sorocaba, um playbou atropelou e matou um frentista, fez o teste e comprovou o alto índice de álcool no seu sangue, mas a diferença foi a fiança de R$ 1.200,00 que ele pagou para ficar livre. BRA$$$IU

06/07/08 16:01  
Anonymous Anônimo disse...

Acho coerente pois o número de ocorrências no Pronto Socorro de todas as localidades diminuiram. Sou a favor, 100%. Usem Táxi!

06/07/08 19:36  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Marcos,

É o velho problema de sempre. Não adianta aumentar o rigor da lei se não for para aplicá-la ou, pior, aplica-la de forma diferente dependendo de quem comete a infração.
Acontece que no Brasil criou-se após o fim da ditadura um senso de permissividade inacreditável. Muitas vêzes a gente chega a pensar que ser correto e honesto não vale a pena no Brasil e só nos mantemos assim porque trazemos conosco valores antigos que nos foram ensinados por nossos pais e avós. Será que é preciso mesmo uma lei complexa ou muita tecnologia para punir uma pessoa que sai cambaleando de um automóvel apos atropelar uma criança? Será que precisa de uma lei complexa para um pai saber do risco de entregar um automóvel para um menor dirigir?
Claro que não. Qualquer juiz poderia, se quisesse, fazer qualquer um desses infratores pagar exemplarmente pelo crime mas não se faz isso no Brasil, e não é só porque as leis são ruins. As pessoas que fazem a justiça no Brasil são ruins. As pessoas que fazem as leis no Brasil são ruins. A mudança deve partir da sociedade. Resta saber quando a sociedade vai acordar e encarar esse problema de frente.
Um abraço,


Carlos Schaefer

06/07/08 20:13  
Anonymous Renato disse...

Parabéns ao Presidente LULA. E aos beberões oportunistas que sempre o chamaram de alcóolatra, e agora quem está errado? Será que é a lei ou hábito "para os ricos", vício "para os pobres" de beber, quanto a mim sou totalmente a favor, vou a pé, bebo no bar perto de casa, ou pago um taxi, fica mais barato que uma dose de uísque.A burguesia ladra mas o Lulão anda, é isso aí, só em 10 dias de lei 30% de ocorrências e acidentes fatais diminuiram, agora a imprensa marrom vai criticar e defender o direito de dirigir bebado e sair matando pessoas, eu não entendo nossa sociedade reclama crítica o governo, quando há avanço reclama do avanço.Mudem para o Paraguai tchau......

07/07/08 12:09  
Blogger Marcos Brogna disse...

Caro Renato, creio ser necessário um esclarecimento: aqui não se está defendendo o direito de beber e dirigir (ato horrendo que já poderia ser coibido com o código de trânsito que tem dez anos), mas apontando a radicalização da atual lei, que pode acabar prendendo não um embriagado, mas um padre que acabou de sair da missa.
Uma informação para completar essa diminuição de 30% nos acidentes com vítima. Na mesma matéria em que se divulgou isso (vi na "Folha" de sábado), há um fato relevante: a fiscalização da polícia dobrou. Explica-se, pois: não foi a lei especificamente que diminuiu os acidentes, mas o fato de a polícia sair às ruas e fazer blitze, coisa que poderia ter feito desde dez anos atrás.
Minha pergunta: depois que as prisões não forem mais novidade para a mídia, esse rigor policial continuará? Duvido!
Abraços!

07/07/08 15:15  
Anonymous Cleusa Leme disse...

Quanto aos padres, já que bebem um vinho especial, poder-se-iam reduzir ainda mais (ou eliminar) o teor alcoólico, em nome da segurança de todos. Não creio que isso seria um problema para eles.
Também acredito que passada a euforia dos primeiros tempos, a mídia, as pessoas, as autoridades, as instituições, tenderão à "prestar menos atenção" no assunto. Mas, se até lá, servir para algumas pessoas repensarem a sua postura - seja por medo de multa, ou conscientização - , não importa, terá valido a pena.

07/07/08 17:32  
Blogger Marcos Brogna disse...

Cleusa, é interessante isso que você escreve: se a lei servir para despertar a consciência de quem bebe e dirige, será um grande passo. Mas, penso que não seria necessária uma lei draconiana para isso. Bastava a polícia fazer cumprir a lei que já existia e criminalizada direção perigosa com motorista alcoolizado. Meu medo é que, mesmo com uma lei radical, tudo volte como era antes, ou seja, o sentimento de impunidade que impera em tantas instâncias deste Brasil.
Abraços!

07/07/08 17:37  
Anonymous Anônimo disse...

Tá vendo Brogna, a Cleusa é dá hora, concordo com com ela tem que prender até o padre, se for preciso até o papa, bebeu se ferrou,eu adoro blog, você está de parabéns diferente de outros que só publicam o que interessa, você debate também, é isso aí.Eu adoro provocar!!!!!Abração
Ps: Quem ganhou o premio Odorico Paraguaçu?

08/07/08 08:49  
Blogger Marcos Brogna disse...

Anônimo, fazer blog sem querer entrar no debate é querer entrar na chuva e não se molhar. Também adoro provocar e gosto muito da pluralidade de opiniões, inclusive quando discordam de mim (estou muito longe de ser dono da verdade). O debate faz bem!
Sobre o troféu Odorico, na semana passada foi para Paulo Sérgio Vieira Neves, que prometeu reapresentar na Câmara de Americana projeto de 14º salário a professores municipais mesmo tendo ele mesmo retirado a proposta por ela ser inconstitucional.
Abraços!

08/07/08 14:45  
Anonymous Bruno Siqueira disse...

Não sou alcoólatra e nem defensor da direção sob efeito de bebida alcoólica. Mas para mim está bem clara a diferença entre álcool - em quantidade pequena, é claro - e um menor ao volante. Um adolescente dirigindo o carro do pai provoca acidentes como o do ano passado, em Americana, quando duas jovens foram arremessadas de um carro em alta velocidade na Avenida Brasil. Quando pessoas que bebem dois copos de cerveja ou uma taça de vinho depois do jantar pegam um carro, o risco de um acidente é menor se comparado a um jovem que está aprendendo a dirigir, uma vez que o efeito não compromete o reflexo e tampouco faz o sujeito desaprender a dirigir. Dia desses, estava na fila do cartório quando um homem reclamava do rigor da lei. “Isso é um absurdo, cada um tem seu limite. Eu bebo dez cervejas e dirijo normalmente, sem problema”. Aí já é exagero, pois é impossível uma pessoa tomar dez cervejas – tenha 50 ou 120 quilos – e não se transformar em uma arma sobre quatro rodas. A “lei seca” deveria perseguir pessoas como esse cidadão, não quem bebe uma taça de vinho como remédio para o coração.

12/07/08 01:45  

Postar um comentário

Links para esta postagem:

Criar um link

<< Início