15.6.08

Exército, gays e morte

O Exército Brasileiro prendeu agora o outro sargento que se declarou gay para a mídia. Ambos (que são parceiros) foram capa da revista "Época", além de terem sido entrevistados por programa de TV (durante o qual o primeiro foi preso). A alegação desta segunda prisão é de que o sargento infringiu regras disciplinares, ou seja, faltam explicações.

O primeiro foi preso porque era considerado desertor, mas também estranha o fato de o Exército só ter resolvido detê-lo (numa operação hollywoodiana, com direto a vários soldados armados de fuzis) quando falava à mídia, duas semanas após ter sido considerado desertor e após dois veículos de imprensa o terem localizado (ou seja, não era, nem de longe, um foragido).

Neste sábado, surgiu uma outra notícia estranha, nada a ver com sexualidade, mas que também envolve o Exército. Um recruta de apenas 18 anos morreu durante um treinamento no Rio de Janeiro. Outros dois jovens passaram mal, por causa do mesmo treinamento, que incluía 60 horas sem dormir, segundo noticiou o "Jornal Nacional", da TV Globo.

Para ambos os casos, faltam explicações e sobram motivos para desconfianças. No caso dos gays, tudo leva a crer que houve preconceito, uma atitude que não é aceita nem pela própria Constituição Federal (a qual o Exército deve respeitar, hoje em dia). No caso do jovem morto, é difícil negar que se exagerou na dose do exercício passado aos recrutas.

Após 20 anos sufocado e torturado pelas fardas que tomaram o Planalto Central, o Brasil hoje é um país democrático. E o Exército deve explicações à sociedade, ao contrário dos idos da ditadura, quando arrancava unhas e dava choques para inocentes confessarem até o que não tinham feito.

imagem sxc

4 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Caro Brogna,
Nesta misturou alhos com bugalhos.
Pois o Exército deve explicações sobre a morte do jovem recruta no desmedido treinamento e elas devem constar no Inquérito Policial Militar instaurado sobre o caso, que pode ser acompanhado pela imprensa para que não mais aconteça. Ponto.
Mas nada tem a ver com o caso dos sargentos homossexuais, que não erram por assim serem, mas por quererem usar sua condição sexual como bandeira contra o Exército, claramente demonstrado ao aparecerem fardados na TV e na capa da Época, quando poderiam fazê-los à paisana.
Não há como dizer que não há preconceito com homossexuais no país, porém é equivocado julgar que só existe nas Forças Armadas ou que lá é pior do que aqui fora. Sexo, seja como for, é feito no abrigo da privacidade e há homossexuais em todas as profissões, inclusive militares. O que difere os outros homossexuais destes exibidos é que, como o que fazem na cama nada tem a ver com a sua profissão, não precisa ser exposto na mídia.
Ao remontar os fatos à ditadura militar, mistura mais ainda. Assim como não há espaço para o militarismo no regime político democrático, é inviável as Forças Armadas serem regidas democraticamente; nenhuma no mundo é assim.
Todos os sargentos do Brasil são voluntários a submeterem-se à disciplina e hierarquia impostos pela corporação.

16/06/08 15:29  
Blogger Marcos Brogna disse...

Caro anônimo, nenhuma organização do País pode infringir o que está na Constituição Federal. E ali existe uma clara negação a todo e qualquer tipo de preconceito. Portanto, se há quaisquer regras disciplinares que fujam a isso, essas regras estão em desacordo com as leis que são feitas para todos seguirem, inclusive os militares.

16/06/08 15:39  
Anonymous Anônimo disse...

Mas Brogna, no papel eles não foram presos por serem homossexuais, mas por descumprirem regras disciplinares próprias do Exército, como deserção e uso irregular de uniforme. Apesar do rigor e de não abrangerem civis, elas são previstas em Decreto Federal de 2.002, portanto não infringem a Constituição Federal.
Indiretamente, talvez seja represália pela sexualidade, mas eles acabaram dando o motivo se expondo na mídia dessa forma.
Há outros meios eficazes, principalmente judiciais, deles fazerem valer seus direitos em caso de preconceito.

17/06/08 15:28  
Blogger Marcos Brogna disse...

Caro Anônimo, o fato de a prisão ocorrer duas semanas após ele ter sido considerado desertor (sem estar foragido, pois foi encontrado por dois veículos de imprensa) e justamente quando falava à mídia sobre sua sexualidade expõe a represália, que você muito bem coloca neste debate.
Você acha que estou misturando coisas, mas prefiro enxergar essa postagem como uma reflexão sobre o papel do Exército diante da sociedade brasileira, Exército que acaba de se envolver na morte de três jovens no Rio de Janeiro. Um fato completamente inaceitável, que deve ser repudiado pela sociedade civil, exigindo que, diferente dos tempos da ditadura, agora se faça justiça com quem ainda rasteja no submundo da execução de pessoas.

17/06/08 15:51  

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