Dedos, metáforas e ações
Lula foi enfático. Disse que quem critica o álcool brasileiro tem os dedos sujos de petróleo ou carvão, respondendo ao poderoso lobby das petrolíferas e dos países que ainda utilizam o carvão como fonte energética (é bom lembrar que tanto o petróleo quanto o carvão são fontes não renováveis de energia e poluem muito mais que o álcool).
Mas o presidente brasileiro não parou por aí. Respondeu ainda quem critica o nosso etanol porque as plantações de cana estariam causando desmatamentos na Amazônia. Lula cravou que 99% das plantações de cana estão tão distantes da Amazônia quando o Vaticano, que fica em Roma, está do Kremlim, o palácio do governo da Rússia.
Lula fez bonito na capital da Itália, a cidade eterna que já centralizou um dos maiores impérios construídos pela humanidade. Mas, nem tudo são flores.
Lula tem razão em defender o álcool, porém a Amazônia está sendo desmatada, não pela cana, mas pelos espaços para o gado e a soja. E resolver isso vai além de metáforas de efeito.
Foto: Ricardo Stuckert / Agência Brasil



2 Comentários:
Pois eh.. Lula fez bonito defendendo o Etanol e acusando o clube de paises exportadores de petroleo. O mesmo clube que ele a poucos dias atras disse estar muito perto de se tornar um dos socios, na ocasiao da confirmacao da descoberta de uma grande bacia de petroleo no litoral de Santos-SP.
Carlos Schaefer
Infelizmente o Proálcool dos anos 1970 foi edificado sobre uma base meio pantanosa. O discurso da época, que permanece até hoje, eleva erroneamente o álcool combustível ao status de miraculoso substituto do diesel e da gasolina, e não é bem assim. O maquinário agrícola, os caminhões que levam a cana para as usinas e depois o álcool para os postos, os ônibus de transporte dos cortadores de cana, os trens, todos são movidos a que? Diesel!!!
O presidente está correto ao citar o lobby das petrolíferas, mas erra profundamente (como alguns antecessores erraram) dando ao álcool o papel de protagonista, quando na verdade ele não passa de um (ótimo) coadjuvante na questão energética.
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