Crime sem castigo
Um homem que matou a amante grávida enterrando-a viva na Itália foi condenado a 30 anos de prisão nesta semana e o fato escandalizou o ministro da Justiça daquele País, que fez a seguinte pergunta: o que uma pessoa precisa fazer para ser condenada à morte neste país?A Itália tem a pena capital para casos extremos, diferente do Brasil, onde não só não existe a pena de morte (sou contra esse tipo de pena) como as próprias condenações por prisão são uma verdadeira mãe para os criminosos.
Ser condenado aqui a 30 anos de prisão não significa ser condenado a 30 anos de prisão. Parece confuso, mas é fato. A lei brasileira permite tantas maneiras de o criminoso recorrer que, na maioria das vezes, um condenado não fica mais que um terço da pena na prisão, desde que possa pagar um bom advogado.
Pior que isso. No Brasil, inventou-se uma aberração jurídica que permite ao condenado em júri popular recorrer da condenação em liberdade. Ou seja, o criminoso é sentenciado à prisão, mas não é preso. E fica anos em liberdade esperando resultados da burocracia estatal. Pimenta Neves, ex-todo-poderoso do "Estadão", é um exemplo: matou em 2000, foi condenado em 2005 mas continua, quase oito anos após o crime e três após ser condenado, solto, aguardando os passos de tartaruga da Justiça brasileira. Logo, pode morrer de velhice sem que a Justiça seja feita.
Eis a tão falada impunidade, que explica porque aqui se comete crime sem medo do castigo, simplesmente porque o castigo funciona apenas para os pés-rapados que não têm dinheiro para pagar advogado, e às vezes nem para comer (por isso roubam).
imagem sxc



3 Comentários:
Caro Marcos,
Tambem sou contra a pena de morte para reus com pouco historico criminal (independentemente da gravidade do crime) mas seria a favor para criminosos crueis e costumazes como Fernando Beira-Mar, Abadia, e alguns pinta-brabas por ai que possuem capivaras (ficha criminal) quilometricas com inumeras condenacoes de homicidios. Pessoas que comprovadamente sentem prazer em matar. A impunidade eh, na minha opiniao, a maior e a pior de todas as desgracas que assola o pais no momento. Cada crime que acaba em pizza serve como incentivo para que mais 10 sejam praticados em nome da impunidade. O caso do Pimenta Neves, o caso dos dirigentes de sindicato das empresas de transporte de campinas, o mensalao, a quebra do sigilo do caseiro Francenildo, o mau uso de cartoes corporativos, e muitos, muitos casos que permanecem como bons exemplos de como vale a pena ser criminoso no Brasil.
Voce esta fazendo sua parte, Marcos, colocando o assunto em discussao, mas quem tem forca e deveria lutar contra isso, a OAB, tem grande interesse que tudo permaneca assim. Resta torcer para que a sociedade civil consiga de alguma forma se organizar para mudar esse estado de coisas ou que alguns bons politicos abracem e lutem por essa causa pois, gostemos ou nao, tudo depende da qualidade dos nossos legisladores.
Carlos Schaefer
Carlos, bom vê-lo por aqui novamente!
Pimenta Neves, réu confesso, como você citou, o ex-todo-poderoso de um grande jornal está livre, enquanto isso, os pais da menina que foi jogada de um prédio em SP estão presos sem prova (Pelo menos por enquanto), e pior, estão começando a chamar os pedreiros que estavam trabalhando em um apartamento no mesmo prédio, o que pode acontecer é um destes pedreiros pagarem o pato...
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