Os ovos e a lei
O STF adiou a grande oportunidade de comprovar se seus membros estão mais para vestir toga ou batina. E se o Estado brasileiro é laico ou continua fincado em raízes dogmáticas da moral religiosa.O histórico julgamento sobre a liberação ou não das pesquisas com células-tronco embrionárias teve dois momentos sublimes nesta quarta.
Ato um: a parte que representava a Igreja citou que o ser humano criminaliza quem quebra um ovo de tartaruga, mas está prestes a permitir que se destruam embriões humanos.
Ato dois: a parte que defende as pesquisas retrucou, dizendo que, se aqueles embriões (alvos das pesquisas) são vida à luz da lei, então o Estado lhes deve assegurar que nasçam e não permaneçam eternamente congelados em tubos de ensaio ou sejam lançados ao lixo, já que são embriões descartados por clínicas de fertilização, que não serão inseridos nunca em nenhum útero para que se tornem seres humanos.
Pena que, como a Justiça no Brasil é mais que lenta, não haveria de deixar de ser no julgamento histórico, que adiou os debates e a decisão sobre um processo que tramita há nada menso que três anos.
imagem sxc
Ato dois: a parte que defende as pesquisas retrucou, dizendo que, se aqueles embriões (alvos das pesquisas) são vida à luz da lei, então o Estado lhes deve assegurar que nasçam e não permaneçam eternamente congelados em tubos de ensaio ou sejam lançados ao lixo, já que são embriões descartados por clínicas de fertilização, que não serão inseridos nunca em nenhum útero para que se tornem seres humanos.
Pena que, como a Justiça no Brasil é mais que lenta, não haveria de deixar de ser no julgamento histórico, que adiou os debates e a decisão sobre um processo que tramita há nada menso que três anos.
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3 Comentários:
É complicado, mas o que fazer ? A igreja coloca a disposição médicos e hospitais para a população ? O governo se preocupa com o povo ?
Não há novidade no debate, e eu diria que há pouco a se aprender, a julgar pelo comentário batido (praticamente um lugar comum) da preservação de ovos de tartaruga, usado por um dos magistrados.
O ministro da saúde bem disse que se trata de uma questão de saúde pública, porém basta lembrarmos da posição da igreja a respeito de preservativos e contraceptivos para percebermos que a saúde da população é irrelevante perto das "verdades" do papado.
E para por fim, há de se reconhecer que boa parte dos advogados e magistrados dão mais peso à cruz que carregam no peito do que à ética - para estes não interessa o quão promissoras sejam as pesquisas, o destino de óvulos congelados ou mesmo o montante de dinheiro que poderá ser economizado no futuro, sobre os royalties métodos ou terapias com células tronco desenvolvidas no exterior.
Sou a favor, mas que se de um jeito de usar células que não sejam de uma vida humana em desenvolvimento...
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