O túmulo do Carnaval
Diferente do ano passado, este ano estou em Americana durante o Carnaval. E entristece o cenário de cidade deserta, enquanto a animação momesca ecoa aos quatro cantos do País. Entristece mais porque Americana já teve Carnaval e eu era dos que assistiam, ainda criança, aos desfiles de rua de Bananeira e Salvação. E, desde adolescente, não perdia uma das cinco noites animadas do Rio Branco.Não, não vou fazer aqui o papel de jogar pedra no Poder Público, que pode ser fácil mas, neste caso, não seria justo. Americana é a única cidade da região em que a Prefeitura banca um desfile de rua. Ouvi, inclusive, de um grande amigo de muitos carnavais, que estava animada a festa na Fernando de Camargo. Mas, ainda está longe do que era, pois falta gente engajada neste evento que já agitou muito mais a cidade.
Também não serei aquele saudosista chato e hipócrita, que fica perguntando "O que fizeram com o Carnaval, que hoje se resume a sexo, bebedeira e perdeu a inocência saudável de antigamente?" Não, não, não!!! Carnaval nunca foi sinal de inocência ou moralismo e, se parecia mais recatado antes, só parecia. Desde que surgiu, sempre foi sinônimo de sensualidade, exaltação da alegria, liberdade. Por isso, as pessoas gostam tanto. Os mitológicos Dionísio e Baco, companheiros antigos da folia, que nos digam...
Estou aqui reclamando não do Carnaval, que é Carnaval quando marchinha, quando samba-enredo, quando axé ou qualquer outra forma de festa popular que se adapta aos tempos, reunindo o rico, o pobre, o remediado, todos voltados para um só fim: a alegria. Estou reclamando, sim, da falta de Carnaval, do marasmo de uma cidade que tem estrutura, tem legado, mas não tem mais pessoas interessadas em ficar por aqui e confraternizar sob o reinado de Momo.
Uma cidade que conseguiu se transformar em "country" mesmo sem ter uma cabeça de gado sequer em seu território, mas não teve a capacidade de evoluir no espetáculo que consagra o Brasil nos quatro cantos do mundo.
Em termos de folia, somos a cara da quarta-feira de cinzas.
imagem sxc



1 Comentários:
Eu também acredito que não dá para organizar uma festa "por decreto". Há festa quando há disposição das pessoas em comemorar alguma coisa. Porém, as pessoas geralmente se organizam de acordo com o calendário, quantidade de dinheiro disponível e outras expectativas nem sempre muito claras,então, qualquer oportunidade é aproveitada para viajar, sair da cidade, e isso explica porque no carnaval até em cidades da região, por exemplo, enchem-se de americanenses.
Em relação à festa country, dura vários dias,(mas feriado mesmo é um dia só), requer muito dinheiro para bancar essa comemoração "no estilo", nossa cidade apresenta uma festa de grande importância no estado de São Paulo atraindo celebridades para cá e tudo isso ajuda na motivação de festejar. E ainda, a primeira é uma festa popular, pode não ser economicamente viável para a iniciativa privada, já a outra... mas isso já é outro assunto.
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