Sufocamento não é tortura
Pegue um "suspeito", amarre suas pernas e pendure-o de cabeça para baixo. Sob ele, coloque um tanque cheio d'água. Desça-o até que a água chegue ao seu pescoço, com sua cabeça submersa. Faça isso repetidamente, tomando cuidado para que ele não morra, mas o deixando embaixo d'água tempo suficiente para que se sinta em afogamento, prestes morrer asfixiado.Seria isso tortura? Não, diz George Walker Bush, presidente do país que usa tal procedimento para conseguir confissões de supostos terroristas. Walker Bush deu a declaração nesta madrugada de sexta-feira, porque o Congresso americano votará um projeto que proíbe a prática, chamada de "sufocamento". O presidente americano vai além: se o projeto passar no Legislativo, ele veta.
O currículo de Bush à frente do mais temido exército do mundo o descredencia para separar tortura de não tortura e o fim melancólico de sua passagem belicista e poluidora pela Casa Branca escancara isso. Resta saber como prensará o próximo presidente americano, seja Obama, Hillary ou MacCain, diante de um grave atentado aos direitos civis e à democracia, bem no país que se acha a maior democracia do mundo mas cuja legislação (!) permite essa prática medieval.
Qual seria o parâmetro para considerar alguém "suspeito de terrorismo"? Não ter pele nem olhos claros? Ter nariz aquilino? Não ter nascido na América do Norte?
Em Londres, um brasileiro foi suspeito de terrorismo sem sê-lo. Era suspeito apenas pelo fato de não ter a tez típica do Velho Mundo. E acabou morto, não por afogamento, mas executado numa estação de metrô. Foi apenas um em tantos outros casos que escancaram a paranóia que deve agradar muito Osama Bin Laden. Este, um terrorista confesso, Bush não consegue pegar. Apesar de ter sido seu parceiro em outros tempos.
imagem sxc
O currículo de Bush à frente do mais temido exército do mundo o descredencia para separar tortura de não tortura e o fim melancólico de sua passagem belicista e poluidora pela Casa Branca escancara isso. Resta saber como prensará o próximo presidente americano, seja Obama, Hillary ou MacCain, diante de um grave atentado aos direitos civis e à democracia, bem no país que se acha a maior democracia do mundo mas cuja legislação (!) permite essa prática medieval.
Qual seria o parâmetro para considerar alguém "suspeito de terrorismo"? Não ter pele nem olhos claros? Ter nariz aquilino? Não ter nascido na América do Norte?
Em Londres, um brasileiro foi suspeito de terrorismo sem sê-lo. Era suspeito apenas pelo fato de não ter a tez típica do Velho Mundo. E acabou morto, não por afogamento, mas executado numa estação de metrô. Foi apenas um em tantos outros casos que escancaram a paranóia que deve agradar muito Osama Bin Laden. Este, um terrorista confesso, Bush não consegue pegar. Apesar de ter sido seu parceiro em outros tempos.
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1 Comentários:
Algumas semanas atrás assisti ao filme alemão "As Vidas dos Outros" de Florian Henckel von Donnersmarck — um belo filme, diga-se de passagem. Fiquei intrigado com o fato de um filme que reconta as práticas sórdidas de espinonagem e tortura da Alemanha de 1984 espelhar tão sutilmente o que acontece (em certo grau e forma) nos EUA de 2008. Na "defesa" contra o terrorismo, Bush continua transgredindo. O negócio é torcer para que o projeto de legislação que condena certos tipos de tortura fique estagnado no Congresso até o final do ano . . . Infelizmente, ainda temos que agüentar mais 339 dias, 18 horas, 48 minutos e 16 segundos até que ele saia da Casa Branca!
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