Portas da 'desesperança'
É justo soltar criminosos presos para passar dias festivos com as suas famílias e colocar em risco as famílias das pessoas que não são criminosas? O tema é polêmico e, neste final de ano, mais uma vez os fatos ocorridos com o chamado "indulto" levantam dúvidas sobre sua real eficácia na ressocialização dos detentos.Acabo de ler em sites, nesta quinta, que um beneficiado em São Paulo é acusado de estuprar uma moça de 19 anos no período em que foi premiado com a liberdade. Na quarta, o "Jornal Nacional" mostrou dois casos de homicídio, praticados por um preso de Brasília solto para se "ressocializar". O indivídulo é condenado a 90 anos de prisão, justamente por ter matado uma pessoa, crime que voltou a praticar agora que foi temporariamente liberto: matou um com um tiro, outro esfaqueado.
Ainda em Brasília, de 154 adolescentes infratores presos em sistema socioeducativo e liberados para passar o Natal com a família, nada menos que 67 não voltaram para o cárcere. O problema também acontece com os adultos presos e não só na capital federal (onde os criminosos não se concentram apenas nas cadeias, mas também nos palácios), mas em todo o País.
Voltemos à pergunta inicial: o indulto é importante para quê e para quem? Teoricamente, seria uma forma de, aos poucos, integrar ao convívio social o condenado que já cumpriu parte da sua pena e teve bons comportamentos na cela. Mas, na prática, essa teoria não funciona. Faltam critérios para se escolherem os beneficiados, assim como falta acompanhamento deles, nas ruas.
Aliás, o próprio sistema carcerário brasilileiro, na prática, é um caos, uma escola do crime e não um local de punição para ressocialização. Presídios são superlotados, insalubres, portas de entrada fácil de drogas e armas, calabouço de violências das mais diversas, inclusive praticadas pela própria força policial, templos do ócio.
O problema, portanto, não está apenas da porta para fora, mas também (e principalmente) da porta para dentro.
imagem: sxc



2 Comentários:
Cara, eu sou a favor, e acredito que o debate em torno do indulto é desfocado. O que se coloca em xeque, mais uma vez, em sem solução à vista, é velho sistema prisional brasileiro. Como são calabouços e depósitos de pessoas, é difícil acreditar que todos os detentos hajam de maneira uniforme. Não cabe selecionar melhor aqueles que devem sair ou não cabe, novamente, discutir como mudar o sistema carcerário. Não é um discussão fácil e não receita pra isso. (Paulo Corrêa)
Estão querendo colocar um colar com chip, nos presos que recebem indulto. Mas será que não crescerá ai, mais uma organização criminosa? A que burla os rastreadores de presos por qualquer quirela?
Estou tão decepcionada com tantas coisas, que não sei mais avaliar o que funcionaria ou não pra nós, pagadores de impostos.
É uma triste realidade num país onde os mais carentes conseguem comer melhor, às custas de conviver com mensalão, corrupção passiva e ativa e organizações criminosas que brotam como erva daninha. Inclusive e primorosamente dentros dos presídios.
Conheci um psicologo que atua na Casa Dia em São Paulo, que me disse ser quase impossível o bem vencer o mal. Só mesmo em gibis, diz ele.
Ao menos aqui, fora das historias em quadrinhos, o mal está se apoderando de todos os segmentos sociais e não vejo nenhum grande herói capaz de nos salvar desse final de ano infeliz. A violência está em todos os cantos. Não só a física, mas a verbal e a psicológica, culminando na proliferação do mal e fazendo de todos nós, ou reféns ou verdadeiras armas. Acidentes fatais cok tantos jovens, estupros, homícidios com requintes de crueldade, torturas emocionais...tudo muito triste.
Não vamos culpar o Estado, nem a Federação. Não vamos procurar culpados e vamos sim, engolir nossa culpa por não EXIGIRMOS!!!
É isso.
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