O Masp e o pé-de-cabra
Meses atrás participei com meu amigo Alexandre Bassora da Semana de Turismo do Unisal. Fomos debater com alunos e professores sobre o turismo na mídia, eu discorrendo acerca da mídia jornalística, e ele sobre a publicitária.Bassora apresentou propagandas interessantíssimas envolvendo o turismo. Entre elas, uma campanha publicitária feita pelo Masp, que trazia montagens fotográficas do museu inserido em paisagens internacionais, como a Torre Eiffel, com o seguinte dizer: "Se o Masp fosse em Paris você iria". Noutra, o Coliseu, ao lado do qual era inserido o belo museu paulistano, e a mensagem: "Se o Masp fosse em Roma você iria".
Eu estava no litoral dias atrás quando, ao comprar a "Folha" numa banca, deparei com a manchete sobre o furto de duas peças das mais valiosas do Masp, uma de Portinari, outra de Picasso. O título dava ênfase à ferramenta usada no furto: um pé-de-cabra, artefato arcaico que, décadas atrás, já servia para arrombar portas de casas.
Pois o pé-de-cabra, junto a um macaco hidráulico (algo nada inovador, também) ainda serve para arrombar o mais importante museu brasileiro, que não tem alarme, nem segurança armada, sequer câmeras que captam imagens noturnas com aproximação, tampouco seguro de seu acervo. Isso apesar de estar cravado na avenida cujo metro quadrado é o mais caro da América Latina.
A crise do Masp (que chegou a ficar sem luz no início do ano) está, portanto, mais que escancarada. E, pior, por um pé-de-cabra. O belo prédio traçado por Lina Bo Bardi, dentro do qual há o mais importante acervo de arte ocidental na América Latina, passa cada vez mais despercebido por brasileiros e brasileiras que acham muito mais cultural ser fotografado ao lado da pirâmide de vidro que passou a fazer parte da paisagem do Louvre. Afinal, é Paris. Ou com a estátua da liberdade ao fundo, nos "isteites".
imagem sxc



2 Comentários:
A desorganização está instalada em todos os cantos do nosso lindo Brasil.
No caso do MASP, duas coisas precisam ser feitas urgentemente: transferi-lo pra Rocinha, assim a bandidagem toma conta e não arromba e chamar o Batmam, que tb usa pé de cabra, como todos sabemos, para ministrar um curso rápido aos diretores do museu. O tema? COMO SINCRONIZAR UM BAT-ALARME, acoplado às peças, que garanta segurança e que seja anti-roubo. Se não der certo, ligar pro Procon e reclamar dos maus serviços do morcegão.
Uma coisa dessas só pode ser encarada como piada.
"Se o MASP fosse em Paris isto nao aconteceria". Triste episodio, Marcos. Triste. Como Nizan, que almeja presidir o museu, disse certa vez citando Cecilia Meireles: "A vida so' e' possivel reinventada". Que reinventem o MASP e preservem um patrimonio simbolo do Brasil.
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