30.11.07

A peste não é gay

Quem mais pega Aids na região de Americana, Santa Bárbara d'Oeste, Nova Odessa e Sumaré são heterossexuais. É o que informa matéria publicada na edição impressa do LIBERAL desta sexta-feira.

Não é apenas a realidade da região, mas também um fenômeno nacional e mundial. Ou seja, acabou de vez qualquer argumento para se sustentar a tese absurda de que a doença é uma "peste gay", como se chegou a afirmar logo que o HIV começou a infectar os humanos, ainda como uma praga letal e desconhecida.

Os grupos mais afetados pela Aids hoje são extamente os que se achavam imunes à contaminação: pessoas casadas que imaginam ser o matrimônio uma garantia contra o vírus. Não é. Assim como nunca será a ótica moralista do sexo uma barreira contra a transmissão.

A Aids é uma peste, sim, mas não escolhe gays, héteros, casados, solteiros, jovens, velhos. Ao contrário dos humanos, o HIV não tem o mínimo preconceito ao se alojar em quem se expõe a ele. Ataca todos, bastando que tenham uma conduta de risco, como sexo desprotegido, ainda praticado apesar de tanto esclarecimento que existe hoje.

Antes de vencer o HIV, portanto, os humanos devem vencer os próprios limites do preconceito.

Imagem sxc

9 Comentários:

Anonymous Soraya disse...

Bom, eu sempre desconfiei que a peste não é gay, porque, eu creio que as pessoas mais relapsas (embora avisadas) são aquelas que têm acesso à informação, que sabem que a AIDS é uma doença dos costumes e do amor também! A gente sabe muito bem, que muitos casais não adotam a camisinha, por terem preconceito e medo de imporem essa condição. Haverá sempre o "- Mas você quer usar camisinha por que? Esta desconfiando de mim ou eu tenho que desconfiar de você?".

A ignorância ainda assola os relacionamentos. São, na minha opinião, os casais (heteros) mais velhos que ajudam a fazer número, porque os jovens casais, não só adotam a camisinha, como fazem dela um acessório!! Muito complicado, depois de 10,15 anos de casados, um dos dois exigir uso da camisinha...não é?

Infelizmente, o machismo e a submissão feminina, são fatores preponderantes para a manutenção de numeros de aidéticos. Acredito também, que as campanhas contra a AIDS e à favor do uso de camisinha são INSUFICIENTES e não retratam, como as do cigarro, o estado que a aids deixa seus pacientes. Enfim...

Muito por fazer, em todos os sentidos, neste país de brinquedo.

30/11/07 10:13  
Anonymous Anônimo disse...

Desculpe-me discordar, mas a peste tem peso sobre os homossexuais sim. E não só sobre eles, mas também com as prostitutas e com os usuários de drogas, estes, responsáveis por contaminar os heterossuais. São dados e não julgamentos...
Logo abaixo um pedaço artigo sério da UNAIDS;
"De modo geral as epidemias de HIV na América Latina permanecem estáveis, e a
transmissão de HIV continua a ocorrer entre populações com risco acrescido de
exposição, incluindo profissionais do sexo e homens que fazem sexo com homens. O
número estimado de novas infecções por HIV na América Latina no ano de 2007 foi
100.000 [47.000–220.000], significando que um total de 1,6 milhões [1,4 milhões–1,9
milhões] de pessoas estão vivendo com HIV nesta região. Estima-se que 58.000 [49.000–
91.000] de pessoas tenham morrido de aids no último ano.
Sexo sem proteção entre homens é um fator importante nas epidemias da Bolívia,
Chile, Equador e Peru na América do Sul, bem como em vários países na América
Central, incluindo El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua e Panamá."
Fonte: http://www.aids.gov.br/data/documents/storedDocuments/%7BB8EF5DAF-23AE-4891-AD36-1903553A3174%7D/%7B0D14DADF-F22F-4043-889F-8DA5ADB8E0A6%7D/America%20Latina%20Dados%202007%20UNAIDS.pdf
Isto tudo contradiz a matéria publicada...

01/12/07 00:52  
Anonymous Anônimo disse...

Publicar um artigo desse não seria tão interessante, né?

01/12/07 00:54  
Blogger Marcos Brogna disse...

Meu caro anônimo (lembrando mais uma vez que é bem-vinda a identificação neste espaço democrático), a peste tem peso sobre todos e não adianta culpar um tipo de comportamento sexual apenas.
Aliás, nem foi através do sexo que a Aids chegou ao homem e sim pela horrenda alimentação (e manuseio) da carne de macacos, segundo pesquisas científicas.
O que esta postagem quer levantar é a necessidade da desmistificação sobre a transmissão do HIV. Todos estão sujeitos a pegá-lo e não é o tipo ou a frequencia com que se faz sexo que determina isso. Tanto que hoje as maiores vítimas são mulheres com relacionamento estável, que contraem dos maridos aparentemente fiéis.
Bom final de semana a todos.

01/12/07 17:15  
Anonymous Anônimo disse...

Sim Marcos, como o próprio artigo diz, ATUALMENTE a tranmissão não se dá só por homossexuais, e sim por heteros que usam drogas injetáveis e por prostitutas. Mas mesmo assim os homossexuais têm 50% de participação ativa na contaminação... Contrariando o que vocês publicaram.
E francamente, o surgimento da doença ainda não é uma certeza, mas a culpa tranmissão recai sim sobre os homossexuais, tanto que os dados comprovam isso... Então seria uma questão de consciência, no caso, dos homossexuais se protegerem com o uso de camisinha e evitar a promiscuidade mantendo relações com um parceiro somente...

02/12/07 04:33  
Blogger Marcos Brogna disse...

Anônimo, considerando que a Aids é transmitida pelo sangue e o sexo homo ou heterossexual é um dos caminhos de contaminação, é possível concluir que o HIV atingiria a humanidade independentemente de haver ou não homossexuais na história. Culpá-los pela epidemia é tentar achar bodes expiatórios e uma atitude preconceituosa.
Necessário é se proteger em qualquer relação e acabar com o preconceito sobre o tema, este tão ruim quanto a própria doença.
Bom domingo!

02/12/07 12:27  
Anonymous dani disse...

Marcos, desculpe a insistencia. Como está o andamento do caso do garoto (sem habilitação e com um pai irresponsável ao lado) que se envolveu em um trágico acidente na avenida brasil? No começo só se falava nisso, e agora o fato caiu no esquecimento... Por favor, nos dê alguma posição...

03/12/07 18:19  
Blogger Genilson Brandao disse...

Parabéns por abordar o tema em discussão, Marcos!

É incrível que apesar de toda a informação e dados estatísticos que temos ao nosso dispôr, pessoas como "Anônimo" não conseguem enxergar o óbvio: a AIDS não discrimina.

De acordo com o próprio artigo que "Anônimo" inseriu em seu post, " . . . a transmissão de HIV continua a ocorrer entre populações com risco acrescido de exposição". Isso explica *claramente* que se uma pessoa praticar sexo sem proteção (homo ou hetero) ou usar drogas injetáveis (qualquer pessoa) seu risco de exposição ao vírus aumenta. Comportamento é o que categoriza uma população de risco e não idéias preconcebidas sobre o que uma população de risco nesse caso seja.

Já ouviram falar do cara hetero e casado que de vez em quando faz sexo com outros caras, e depois vai pra cama com a esposa que engravida e fica sabendo que é soro positivo, e dá luz a um bebê que também é infetado? E o rapazinho que é viciado em heroína que um dia vai ao médico com sintomas de febre e descobre que é soro positivo? Ah, e a viúva de quase 60 anos que descobre que não só está infetada com o HIV, mas já tem AIDS?

Achar que só os gays fazem parte dessa população de risco é pura ingenuidade — e, francamente, hipocrisia.

03/12/07 20:16  
Blogger Marcos Brogna disse...

É por isso que a Aids ainda avança e destrói vidas, agora mais sobre os héteros, caro Genilson.

Dani, ainda não há novidades sobre o caso das mortes por acidente na Brasil. O delegado responsável pela investigação policial tem pedido sucessivos adiamentos de prazo para entregar o inquérito ao Ministério Público. Aqui no LIBERAL, o tema não caiu no esquecimento, estamos acompanhando e, havendo novidades, iremos noticiar.

Abraços!

03/12/07 21:38  

Postar um comentário

Links para esta postagem:

Criar um link

<< Início