5.10.07

Vida descartada

Uma mãe joga um bebê no ribeirão poluído, a criança é encontrada mas não resiste e morre. Foi em Minas Gerais, mas não é um caso isolado. Pelo Brasil, estão ficando comuns notícias de violência extrema contra recém-nascidos, atirados em rios, embalados em sacos plásticos, jogados em lixos pelas suas próprias mães.

Estaria a sociedade perdida por conta do materialismo moderno? Nem tanto. O materialismo é, sim, uma antítese do humanismo. E está cada vez mais presente no mundo de hoje. Mas não sejamos ingênuos e saudosistas acreditando que "antigamente era melhor". Só para lembrar, antigamente, em nome e Deus, se queimava gente viva em praça pública na Europa. Uma atitude tão violenta quanto lançar um bebê ao rio.

O que há de comum na sociedade de hoje e de ontem é a hipocrisia. O moralismo de antes matava com o aval do Estado. Hoje, ele ainda sobrevive, menos imperceptível, mas está firme e forte. Prova disso é a carência do controle de natalidade, condenado pela Igreja, disfarçado pelos governos. Sem ele, é impossível discutir qualidade de vida numa realidade extremamente competitiva como a que vivemos.

Trazer um filho ao mundo não é apenas uma coisa "bonitinha", "fofa", que as vovós adoram. É colocar mais um num planeta que não tem mais recursos sequer para os que aqui estão. Mais um que precisará de água, comida, oxigênio e, principalmente, acolhimento, carinho, amor. A sociedade deveria estar ciente dessa responsabilidade, mas não está. O Estado deveria se incumbir de gerar esse debate, mas pouco faz. Então, mais e mais bebês continuarão sendo feitos como numa brincadeira e jogados como algo que se pode descartar, seja num rio, seja na marginalidade.
imagem sxc

0 Comentários:

Postar um comentário

Links para esta postagem:

Criar um link

<< Início