O buraco
"Teríamos um buraco de R$ 36 milhões no orçamento", alega o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao defender a manutenção da CPMF, o imposto sobre movimentações financeiras, cujo "p" de "provisório" está significando "permanente".Analisando-se a situação de forma imediatista, haveria, sim, o buraco. Mas, o verdadeiro buraco do Brasil é mais embaixo e deveria ser mais abrangente a visão do ministro da Fazenda de um governo eleito prometendo acabar com velhos vícios do País.
A carga tributária brasileira é inaceitável e aí está o buraco, em que nenhum presidente bota o dedo. Nem Lula, que continua bancando a política fernandohenriquista de gerar orgias lucrativas aos bancos, relegando crescimento pífio à indústria que gera empregos. Mantém-se o velho "tributarismo", com crescimentos sucessivos do recolhimento, sem a contrapartida dos benefícios.
No ano passado, o brasileiro pagou 38,8% do PIB (a soma das riquezas produzidas no País) só de impostos. E o que recebeu em troca? Um país que cresceu 2,9%, uma educação sucateada, uma saúde sucateada, estradas indecentes (transitáveis só quando há pedágios, custo que vai além dos impostos já pagos).
O buraco, portanto, é bem maior do que consegue enxergar o governo. Nele, cabe um sonho de País, atolado no pesadelo dos governos.
imagem sxc



2 Comentários:
Marcos,
Voce tem toda razão mas eu também concordo com a postura do PSDB (ou fernandohenriquistas, como queira) de manter esse imposto com um valor próximo de zero (digamos 0,01) para controle de falcatruas. Não podemos desprezar também a conjuntura em que o imposto foi criado (em 1993 no governo Itamar Franco como IPMF, é bom lembrar). Diferentemente de hoje quando o governo Lula se gaba de ter dinheiro sobrando pelo ladrão, naquela época vivíamos crises de verdade mas Lula e o PT votavam sistematicamente contra. Quanta mudança, não?
Quanto aos bancos, poderia ser pior não? Ainda me lembro muito bem quando FHC teve que mandar 7 Bilhões para salvar o Banespa e o emprego de 100 mil funcionarios (diretos e indiretos). Hoje o Santander e demais bancos privatizados PAGAM impostos e não se fala mais de programas como o PROER, criado para salvar a elite (pela visão do PT) ou empregados e empregadores (pela visão do PSDB).
Não demora logo correrão por aí abaixo-assinados para reestatizar os bancos e as estradas também, a exemplo desse que anda correndo por aí para a Vale do Rio Doce.
Para quem não sabe, a Vale antes da privatização precisava do dinheiro do contribuinte para funcionar. Hoje paga quase 1 bilhão de impostos, criou mais de 30 mil empregos diretos e não pode servir de cabide de emprego, fonte de corrupção, fonte de caixa 2 para campanhas e outras práticas que conhecemos muito bem nas empresas estatais. Tem muita gente sendo induzida a assinar abaixo-assinados desse tipo em locais que não poderiam(ou não deveriam) ter nada a ver com política. Quem é bem informado e acha que mesmo assim privatizar a Vale é uma boa para os brasileiros, tudo bem, democracia é isso mesmo. Agora, será que os ingênuos sabem a gravidade e as consequencias disso?
Dinheiro de sobra nós temos, porém o dinheiro vai para pagar a pensão da filha do Renan, para pagar o mensalão, para pagar obras superfaturadas ....
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