Com ou sem carro
Só vejo uma pequena utilidade no tal "Dia Mundial Sem Carro" (que aqui em Americana está no calendário oficial após aprovação de projeto na Câmara): escancarar ainda mais nossa dependência dessa máquina sobre rodas.Tal qual dependemos da energia elétrica, cuja geração de alguma forma agride o meio ambiente, dependemos do carro. E ninguém é louco de propor um "Dia Sem Energia Elétrica". A dependência do carro só pode ser amenizada com investimentos muito grandes no transporte coletivo, que não está no horizonte de nenhuma cidade brasileira. São Paulo tem o maior metrô do País, mas muito, muito menor do que a metrópole precisa, além de superlotado.
Claro que é necessário diminuir o comodismo de se usar o carro para distâncias diminutas, possíveis de se vencer a pé (com acréscimo de saúde), mas simplesmente deixá-lo na garagem por um dia me parece algo muito surreal, quase carnavalesco. Há muitas outras formas mais concretas de se reduzir a poluição veicular.
Um exemplo? Na Alemanha, acontece o Salão de Frankfurt, o melhor evento do mundo envolvendo automóveis. Por lá, estão sendo apresentados carros que emitem baixíssimos índices de poluentes e ainda rendem muito mais com um tanque de combustível (o revolucionário VW Golf Blue Motion, que não existe por aqui, é um deles). Seria porque os donos das montadoras são ativistas ambientais? Não. Na Europa, as leis são muito mais severas quanto aos poluentes gerados por veículos e, em 2010, uma nova legislação estipulará limites ainda menores, o que obriga as empresas a investirem em tecnologia ambiental.
Por aqui, não há sequer fiscalização eficiente sobre a frouxa lei em vigor. As Prefeituras (responsáveis por tal serviço) sequer têm aparelhos para fazer medição dos gases que saem dos escapamentos dos veículos na região, como mostrou O LIBERAL não faz muito tempo. A legislação permite que montadoras vendam carros bonitinhos por fora mas com motores muito atrasados em relação à Europa, pouco eficientes e muito poluidores.
Portanto, um dia sem carro nada resolve.
imagem sxc



6 Comentários:
As pessoas só terão a real necessidade de medidas, mesmo que sejam pequenas como essa, quando não mais podermos alterar o quadro da alteração climatica do planeta. Sem mencionar que se repararmos nas ruas, o que tem de gente gorda e brincadeira, eu acho que uma caminhada não faria nem um mal para essas pessoas
Prezado SRs.
Até considero válida essa proposta, mas as pessoas não tem espirito de colaboração com nada. Como já foi dito, há pessoas muito gordas em Americana, e andando de carro. Está certo que elas possam dizer, mas foi eu quem comprou e pagou pelo carro, mas também e certo dizer que o clima é responsabilidade de todos. Que tal andarmos de bicicletas como na China? seria muito bom, mas!!!!!!
Pelos comentários publicados parece que apenas pessoas gordas andam de carro em Americana. O problema é muito maior, e mesmo as chamadas saudáveis e saradas também costumam ficar de carro o tempo todo, inclusive para ir a voltar da academia onde gastam todo seu suor. Se as cidades brasileiras tivessem um transporte público eficiente e um mínimo de ciclovias, além de calçadas bem conservadas, e ainda assim as pessoas andassem de carro, aí sim poderíamos criticá-las por tirar o veículo da garagem. Mas com a frota e horários que temos hoje, além da ausência de espaços para bicicletas e calçadas intransitáveis, fica difícil cobrar de qualquer cidadão que deixe seu carro em casa. Agora, se é para cobrar essa mudança de atitude, que se cobre então de todo mundo, e não apenas de um determinado grupo de pessoas. Falta de consciência ecológica não é característica apenas de quem está acima do peso.
Quantos anônimos para um assunto tão simples de ser discutido...
Concordo com você, Anônimo que fez a postagem no dia 25. O tema é mais complexo do que simplesmente culpar apenas os que estão acima do peso. Conheço saradas e sarados que vão à academia de carro, para desfilar com o modelo diante dos outros. Coisas do ser humano "moderno", seja homem, mulher, gordo ou magro. Coisas que estão em xeque com a situação atual do planeta.
Primeiro eu to pagando para ver um guarda na esquina da Campos Salles onde ela fica mão única, o que fazem de besteira ali é brincadeira, aquela malandragem andar 50 metros na contra mão para pegar a avenida sentido Santa Bárbara já causou muitos acidentes e xingamentos. Quanto ao dia sem carro, isso é piada, quem da elite que vai andar de ônibus ? Se eu ver algum político dentro do coletivo garanto que será mais por marketing do que pelo dia em si.
Um dia sem carro, tudo bem!
Falta planejamento, nosas Secretarias não antecipam nada. Todos correm atrás do prejuízo. O que existe de Projetos para o trânsito de Americana e Região? Pelo que ouço falar só a questão da integração da RMC. A distribuição de vias de acesso ao centro da cidade é irracional, não circulamos com facilidade ao redor do centro. Encurtar rotas também gera economia com diminuição do tempo entre os destinos.Temos uma das maiores frotas de carros do país, isto é preocupante,e qual o plano de sobrevivencia de nossa Setransv? Pelo que me conste nenhum!! Bom, como sempre vão querer cobrar pedágio, restringir acesso, rodízio facilmente burlado pela posse de dois veículos. Creio que trânsito tem que fluir, ser rápido e econômico, ter meios diversificados - carro, metrô de superfície, coletivos.
Luis Antonio Nunes - luisnero@ig.com.br
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