O repórter lixeiro
José Roberto Silva, repórter do LIBERAL, tinha como pauta esta semana revelar como é sobreviver do lixo da socidade, coletando aquilo que todos já descartaram. E Beto, como o chamamos na redação, saiu a campo da forma mais próxima possível do tema de sua reportagem: trabalhou junto aos coletores da Limpeza Pública de Americana por um bairro inteiro, descendo e subindo à caçamba do caminhão, apanhando sacos e mais sacos pela cidade.O resultado da experiência está na edição impressa do LIBERAL deste domingo. Um relato testemunhal não só da árdua tarefa e dos seus riscos, mas também da insignificância que ela tem perante muitos. "Somos invisíveis", escreve Beto, que sequer recebeu respostas aos "bom dia" que deu a moradores pelas ruas. Paradoxalmente ao senso comum, a matéria conclui o quão imprescindível é a atividade para a sobrevivência de uma civilização que, a cada dia, produz mais lixo.
A reportagem do Beto, mais que digna do nome "especial", revela não apenas como é difícil trabalhar limpando a sujeira produzida pelas pessoas. Mostra, também, que há um tipo de lixo infelizmente ainda impossível de ser coletado: o do preconceito. Lixo que se escancara, por exemplo, no fato de uma dona de casa, a quem foi pedida água, mandar os coletores jogarem fora os copos (de vidro) em que beberam.
Leitura imperdível para muitas reflexões, às quais este espaço está aberto. E bom domingo!



6 Comentários:
Ser invisível não é uma característica inerente apenas aos lixeiros. Ela existe sempre onde houver mais que um ser humano, e entre eles alguém que aparentemente é (ou pensa que é) mais bem sucedido social, profissional ou financeiramente que o outro. Assim, é evidente que a mesma esteja presente nas ruas, nas escolas,supermercados,nas filas de cinema, caixas eletrônicos, nos churrascos de família, nas igrejas, dentro do poder público etc. A miséria espiritual é infinitamente pior que a pobreza material. A material tem solução...
Marcos Brogna,a vc e todos do Jornal parabéns!!!Principalmente para o reporter que atuou como coletor de lixo nessa matéria, gostaria de dizer que "muitos" reporteres gostariam de fazer o que vc fez, Beto mas não creio que estamos num grau tão "elevado"...
Mas com certeza "muitos" vão desejar..."imitar", só espero que seja com a mesma determinação de caracter.
Esses dia li uma frase:"Quando a última árvore tiver caído, quando o último rio tiver secado,e, o último peixe for pescado, vocês vão entender que dinheiro não se pode comer."
Que bom seria se TODOS compreendessem o que realmente significa ser Humano...apenas humano.
Namastê.
Excelente trabalho o do repórter que mostra claramente essa praga medonha que ainda existe entre nós chamada preconceito. Os grandes heróis, no entanto, são os personagens reais dessa história, os nossos valorosos coletores. Esses bravos trabalhadores são um exemplo vivo de que quem precisa não fica em casa se lamentando com a boca aberta esperando o governo lhe atirar migalhas. Essas pessoas que batalham são aquelas que se inscrevem no programas sociais e vêm os baderneiros dos Sem-Terra, Sem-Teto, Sem-Emprego e Sem-vergonhas tomarem seu lugar na fila.
Quem realmente precisa não pede, batalha. Cabe a cada um de nós procurar por essas pessoas e lhes oferecer ajuda. Tomara que o exemplo da máteria ajude a despertar a consciência dos hipócritas que defendem invasores e baderneiros.
Justiça social não se faz atirando migalhas. Justiça social se faz com educação, saúde, honestidade e trabalho. Para todos os bons e honestos trabalhadores Coletores, Faxineiros, Domésticas, Diaristas, Ajudantes, etc, que lutam calados no dia-a-dia e apenas são lembrados quando alguém faz uma bela reportagem como o Liberal o fez.
Belissíma materia Marcos, cheia de vida, uma materia HUMANA.
A "dondoca" elizada que mandou desfazer do copo esqueçe que um dia morrerá como todos?
Correção: "eles VÊEM os baderneiros ...."
Voce é contra a prorrogação da CPMF? Participe do abaixo assinado.
http//contraacpmf.com.br/
No meu blog também tem o link e também não vamos esquecer do caso Renan. Cobre os senadores e deputados.
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