23.8.07

O Brasil na fila

Fabio Iglesias, do Instituto de Psicologia da UnB (Universidade de Brasília), defendeu uma tese de doutorado sobre o comportamento dos brasileros em filas, seja no banco, supermercado, rodoviária, aeroporto. Para o trabalho, o pesquisador encarnou o papel de furador de filas e, em 206 intrusões nas quais esteve, nada menos que 80% das pessoas não reagiram, sendo, passivamente, deixadas para trás.

A conclusão da tese é que o brasileiro é cordial, pacífico e não gosta de brigar por seus direitos quando o assunto é fila. Mas, seria apenas em filas? Não creio. E são muitos os exemplos de que a passividade bovina reinante neste País é responsável pelas mazelas que nos acompanham ao longo da história.

Quer exemplo dos mais significativos? Olhe-se a política e está lá escancarada a passividade do brasileiro. Vota, vê depois seu representante atolado em denúncias de corrupção, mas sequer lembra que votou nele. E é bem capaz de reelegê-lo nas próximas eleições. Claro que isso não é uma regra, mas está longe de ser exceção. E, se é dessa forma a escolha de quem vai decidir os rumos do País, nem se precisam citar outras exemplos.

E assim continuamos lá no fim da fila, esperando que um dia sejamos uma nação de verdade.

imagem sxc

3 Comentários:

Anonymous Andréa disse...

Marcos:

Infelizmente a tese de doutorado está certa. Cansei de ver as atitudes mais absurdas sendo aceitas com passividade em todos os setores. No comércio, quando reclamamos de qualquer artigo, parece que somos criminosos, e não que estamos exigindo apenas um direito de algo pelo qual pagamos e que, teoricamente, está garantido pelo Código de Defesa do Consumidor. Ainda me espanto com essa passividade do brasileiro, mas acho que o que mais me indigna é ver que, aqueles que reclamam, normalmente são chamados de "barraqueiros". Sim, porque como reclamar ainda é visto como sinal de rebeldia, na maioria das vezes o reclamante acaba tendo de levantar a voz para ser respeitado. E aí, quem está em volta, fica indignado com o comportamento "grosseiro", e não com o desrespeito cometido que levou a essa atitude. Poderia citar mil exemplo, mas vou me ater a um: os serviços de telefonia fixa e móvel, que fazem e desfazem do cliente como se ele fosse um idiota. Contas erradas, cobranças indevidas, mau atendimento nas lojas, enfim, todo tipo de desrespeito é cometido, mas elas continuam ganhando milhões e crescendo cada vez mais. Fôssemos um País onde as pessoas brigam por seus direitos, esse comportamento já teria mudado há muito tempo. Eu mesma fui vítima de uma dessas empresas e, depois de mover mundos e fundos, acabei sendo ressarcida pela empresa. Interessante ver que muita gente que ficou sabendo do caso achou que eu "havia perdido tempo e me desgastado", enquanto poucos disseram que eu havia agido da maneira certa ao exigir meus direitos. Como sempre digo, essa famosa "cordialidade" que temos é que deixou nosso País ser o que é.

23/08/07 10:37  
Anonymous Rui disse...

Não existe democracia onde impera o fisiologismo, o nepotismo e a total indiferença pelas verdadeiras necessidades do povo. Onde governar consiste em %!@$&@#ões diabólicas visando tão somente a manutenção do poder e ao total alheamento ao cenário desolador que vai se estabelecendo, levando o ser humano a retroceder às suas origens primitivas, sucumbindo à miséria e ao abandono total...

24/08/07 09:31  
Anonymous Cleusa L Degrossoli disse...

Eu creio que podemos explicar estas atitudes do ponto de vista educacional. Fomos educados a não responder aos agressores e a não alimentarmos situações de conflitos porque pode ser perigoso, afinal, não sabemos com quem estamos lidando. E daí nossa infinita tolerância - até para nos proteger de mais problemas. Danificam nosso patrimônio,nos ofendem, não querem nos ressarcir, deixamos prá lá, "lançamos na conta prejuízo" e esperamos que a vida ensine os que nos prejudicam. Os políticos gritam para defender seus interesses pessoais em detrimento da sociedade, ficamos injuriados, mas é só isso. O pior é que isso tudo gera a descrença do povo na justiça desincumbindo-o do compromisso de ser decente. Quem insiste, acaba sendo motivo de insulto, gerando para si mais violência e assim vamos de desrespeito em desrespeito, rezando e pedindo à Deus que dê um jeito nisso...

24/08/07 09:40  

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