Enterrados vivos
Vítimas da Aids enterradas vivas pelos próprios familiares. Sim, leitor, é o que informa reportagem da BBC Brasil nesta segunda-feira. Os casos acontecem em Papua-Nova Quiné e os motivos são a falta de condições de tratamento e a ignorância transmitida via religião. Acredita-se por lá que a doença é passada por algum tipo de bruxaria, o que torna o doente ainda mais passível de abandono.
Uma assistente social daquele país relata à BBC que presenciou uma garota doente gritando "mãe, mãe!" enquanto eram jogadas pás de terra sobre seu rosto. Uma situação horrenda, para dizer o mínimo.
Mais que horrenda, inadmissível. Enquanto onde há civilização utilizam-se remédios que transformaram a Aids em uma doença crônica (cujo vírus pode ser controlado), em alguns lugares do mundo prevalece não só o descaso com as vítimas como se mantém um transe irracional, oriundo da épocas das sombras.
Por que, em vez de mandar bombas para o Iraque ou naves para o infinito, países ricos como EUA e Inglaterra não levam remédios e um pouco de razão científica a lugares como Papua-Nova Guiné?
imagem sxc
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25 Comentários:
Mais do que isso. Que tal começar a incentivar a verdadeira saúde sexual, não pela "segura" camisinha que se divulga proteger 99%, e sim através de abstinência sexual... Um modelo de sucesso? Uganda. Através de programas governamentais incentivando o sexo somente dentro do casamento (leia-se homem e mulher), a abstinência antes deste matrimônio e a valorização da fidelidade deram resultado (que foi muito além da "salvação" que chamam a camisinha).
Satélite, respeito sua opinião, mas duvido que qualquer programa pregando a abstinência sexual consiga resultados acima de 99% de segurança. Basta olhar como os casais se traem pelo mundo, inclusive casais que freqüentam missas e cultos semanalmente.
Ademais, não creio que o moralismo religioso seja a melhor arma para atacar a Aids. A doença deve ser encarada do ponto de vista científico, laico. Porque, ao contrário do que se chega a pensar em algumas seitas, não se trata de uma "punição divina" aos praticantes de sexo fora do casamento, senão não teríamos crianças inocentes infectadas ou outras pessoas que contraíram o vírus fora da atividade sexual.
Mudar comportamentos promíscuos pode ajudar, mas não é tudo. Uma única transa, a mais "tradicional" possível antes ou depois do "sim" no altar, pode transmitir o HIV. Então, dispensar a camisinha, a única barreira que há contra o vírus, é incentivar a disseminação da Aids pelo mundo, uma irresponsabilidade que conta com a ajuda do papa.
Em um breve Ctrl C Ctrl V, a "sua" propaganda de 99% cai no chão. Alías, quem dera se fosse somente sua... é o que todos tentam enganar, porém, leia-se abaixo;
– Outros pesquisadores A revista Seleções (dezembro de 1991, oo. 31-33), trouxe um artigo do Dr. Robert C. Noble, condensado de Newsweek de Nova Iorque (1/4/91), que mostra como é ilusória a crença no tal “sexo seguro” com a camisinha.
A pesquisadora Dra. Susan C. Weller, no artigo A Meta-Analysis of Condom Effectiveness in Reducing Sexually Transmitted HIV, publicado na revista Social Science and Medicine, (1993, vol. 36, issue 12, pp. 1635-1644), afirma :
“Presta desserviço à população quem estimula a crença de que o condom (camisinha) evitará a transmissão sexual do HIV. O condom não elimina o risco da transmissão sexual; na verdade só pode diminuir um tanto o risco”.
“As pesquisas indicam que o condom é 87% eficiente na prevenção da gravidez. Quanto aos estudos da transmissão do HIV, indicam que o condom diminui o risco de infecção pelo HIV aproximadamente em 69%, o que é bem menos do que o que normalmente se supõe” (PR, nº 409/1996, pp. 267-2274).
Isto significa que, em média, três relações sexuais com camisinha têm o risco equivalente a uma relação sem a camisinha. Convenhamos que é um alto risco, já que a AIDS não tem cura ainda. É como uma “roleta russa”.
Fonte? http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/02/346620.shtml
Ah, só não vale chamar de reaça...
Não se trata de ser reaça ou não, Satélite. Trata-se de um assunto que envolve vidas e para o qual não cabe a influência de dogmas. Adoro a divergência de opiniões e este blog é prova inconteste disso. Mas estamos falando em risco de morte e, goste-se ou não, a única barreira eficaz que a ciência encontrou contra a Aids ainda é o preservativo. Há riscos? Claro, e não só nas atividades sexuais (pega-se Aids de outras formas também). Aliás, em tudo na vida há riscos e nem métodos contraceptivos que a humanidade aprimora desde que surgiu na Terra são 100% eficazes. E isso não quer dizer que sejam enganação.
Em relação às porcentagens, foi você que citou os 99% na primeira postagem. Agora, fala em 69%. Abaixo, está um texto científico que é utilizado pelo Ministério da Saúde do Brasil (nosso país é modelo no mundo no tratamento contra a Aids, ao menos um motivo de orgulho):
"Diversos estudos confirmam a eficiência do preservativo na prevenção da Aids e de outras doenças sexualmente transmissíveis. Em um estudo realizado recentemente na Universidade de Wisconsin (EUA), demonstrou-se que o correto e sistemático uso de preservativos em todas as relações sexuais apresenta uma eficácia estimada em 90-95% na prevenção da transmissão do HIV. Os autores desse estudo sugerem uma relação linear entre a freqüência do uso de preservativos e a redução do risco de transmissão, ou seja, quanto mais se usa a camisinha menor é o risco de contrair o HIV.
A impermeabilidade é um dos fatores que mais preocupam as pessoas. Em um estudo feito nos National Institutes of Health dos Estados Unidos, ampliou-se o látex do preservativo (utilizando-se de microscópio eletrônico), esticando-o em 2 mil vezes e não foi encontrado nenhum poro. Outro estudo examinou as 40 marcas de preservativos mais utilizadas em todo o mundo, ampliando 30 mil vezes (nível de ampliação que possibilita a visão do HIV) e nenhum exemplar apresentou poros.
Em outro estudo mais antigo de 1992, que usou microesferas semelhantes ao HIV em concentração 100 vezes maior que a quantidade encontrada no sêmen, os resultados demonstraram que, mesmo nos casos em que a resistência dos preservativos mostrou-se menor, os vazamentos foram inferiores a 0,01% do volume total. O estudo concluiu que, mesmo nos piores casos, os preservativos oferecem 10 mil vezes mais proteção contra o vírus da Aids do que a sua não utilização.
Quanto à possibilidade do preservativo estourar durante o ato sexual, as pesquisas sustentam que os rompimentos se devem muito mais ao uso incorreto do preservativo, do que a uma falha estrutural do produto. Nos Estados Unidos, um estudo realizado em 1989 indicou que a taxa de rompimento da camisinha era inferior a 1%. Porém, em 1994, foi conduzido um importante estudo multicêntrico sobre essa possibilidade em 8 países (República Dominicana, México, Estados Unidos, Gana, Quênia, Malawi, Nepal e Sri Lanka), encontrando-se, então, uma taxa de rompimento que variou entre 0,6% (no Sri-Lanka) a 13,3% (em Gana).
O dado mais convincente sobre a eficiência do preservativo na prevenção contra o HIV foi demonstrado por um estudo realizado entre casais, onde um dos parceiros estava infectado pelo HIV e o outro não. O estudo mostrou que, com o uso consistente dos preservativos, a taxa de infecção pelo HIV nos parceiros não infectados foi menor que 1% ao ano.
Diante dos resultados desses estudos, realizados por instituições renomadas e de credibilidade, pode-se dizer que o correto e freqüente uso do preservativo contribui de forma eficaz tanto para a prevenção de enfermidades quanto para evitar a ocorrência de gravidez não planejada."
Não se quer correr risco algum? Só deixando de fazer sexo, um método tão eficaz quanto de pregação surreal (lembremos que até quem jura celibato acaba fazendo às escondidas). Sexo só depois do casamento e fidelidade total? Pode funcionar. Porém, e se o casamento não der certo? Não se faz sexo nunca mais?
Portanto, deixemos que a religião discuta a alma e a ciência, o corpo. E que cada um tenha a liberdade de decidir por si, com informações científicas para se proteger dos perigos da vida. Que a Inquisição se resuma aos livros de História.
Abraço para você.
Boa tarde, Marcos
Como é triste constatar o que algumas pessoas fazem para IMPOR, seu ponto de vista.
Eu tive a oportunidade de conviver com alguns portadores de HIV, um deles ser humano que merece toda a minha admiração, homossexual, que "foge" da familia do preconceito e vai para o Nordeste, e descobre que foi infectado.
Lá ele trabalhou, lutou, amou, mas nunca escondeu de NINGUÈM que era soro-possitivo, faleceu sendo amado,beijado, por todos aqueles que o amaram de fato.
Um segundo caso, esse eu acho mais TERRIVEL de TODOS eu infelizmente acontece, quero quer que é "raro" mais não sei...Esses são perigosos, e podem estar ao nosso lado,"sendo aparentemente a favor da moral". Por isso camisinha é TUDO!
O portador sabendo que foi infectado, sai por ódio da vida, ódio de quem o infectou, ódio, dos ódios, infectando quem ele ou ela encontar, procurando os "embreagados" da noite, para levá-los a carregar a mesma sina que eles não querem para eles, ou para elas.
Concordo com as distribuições de camisinhas, sempre, não apenas no carvanal, onde as campanhas aumentam, camisinha sempre.
Essa "idéia" surreal de abstinência, é um absurdo, para a nossa cultura.
Para a acontecer isso as proprias religiões e religiosos tem se moralizar e muito!
Pastor acusado de mandar matar pastor, casos e mais casos de pedofilia, enriquecimento inlicitos...
Com afeto
Marcos de onde saem esse "humanóides" adoradores do mundo abstemio??????
De onde eles saem de um disco voador...
22 milhões de pessoas no mundo todo. Outras 40 milhões vivem com a realidade da doença à espera de uma cura.
Se a moda pega daqui a pouco "gente" como as "satelites" da vida, vão pregar a pena de morte aos portadores, sem nem se preocupar se são crianças, mulheres que nunca sairam de casa..etc..
como Hitler fez com judeus, "ideias" como estas exterminam seres humanos.
A sociedade precisa parar com o preconceito, e aprender que abraço, beijo, carinho e talheres, por exemplo, não transmitem o vírus.
O que mata falta de amor,ninguém que ter mais tempo para ouvir para AMAR.
Ter HIV não é vergonha. Vergonha é não acreditar no vírus!
Camisinha, camisinha, em Fortaleza mesmo estudando em colegio de Padres, eu aprendi fiz trabalho sobre a importancia da camisinha, em ninha vida.
Satelite... vc entro em surto psicótico, acho que é devido a abstinência pregada por ti, subiu...
Apesar das inúmeras campanhas de prevenção, a desinformação, o medo do contágio e o PRECONCEITO têm causado inúmeras violações aos direitos dos soropositivos. O portador de HIV, no seu dia-a-dia, é vítima da incompreensão e da falta de solidariedade de muitas pessoas, o que afeta, de certa forma, o seu pleno exercício da cidadania. As violações ao direito do trabalho (direito fundamental assegurado pela nossa Constituição) é um exemplo desta situação de desrespeito.
Mas o segundo caso que a Cristiane escreve, a pessoa sabe que tem, e sai infectando os outos também há uma lei para isso, o dificil e para quem tem muitos parceiros saber quem é que está com o virus, pior quem é o sociopata chamado , pelo autores franceses, de "insanité sans délire" (insanidade sem delírio)
Um pequeno município do Estado do Rio Grande do Sul aprovou uma lei municipal que obriga os profissionais do sexo a realizar teste de HIV para continuar a trabalhar.A Lei possui oito artigos e prevê multas e fechamento de estabelecimentos que abrigarem profissionais do sexo sem exame ou portadoras do HIV. Assim como, obriga as profissionais a realizarem o teste a cada 90 dias,
Taí gostei da ideia.
Cristiane e Ana Beatriz
A grande maioria das pessoas, em contato com o sociopata, é incapaz de imaginar o seu lado "negro", que alguns conseguem esconder com sucesso a maior parte da vida, através de uma vida dupla.
Não existe cura nem tratamento para a sociopatia. Todos os especialistas são unânimes em reconhecer que é praticamente impossível tratar um sociopata, pois ele não tem ansiedade, e é totalmente imune à punição.
Um conhecido cientista italiano causou grande polêmica no país depois de ter apresentado uma teoria dizendo que a espécie humana está caminhando para o bissexualismo, “como resultado da evolução natural das espécies”.
Essa também está na BBC de hoje.
Abstinência sexual. são para pessoas que tem respeito pela familia, pela moral, pela justiça.
Abstinência sexual, é para quem foi criado em lar cristão, vcs nunca entenderiam isso.
Caro Angelo, me desculpe relatar uma realidade que se faz necessária neste debate. Se todos os que foram criados em lares cristãos fossem abstêmicos, o mundo não estaria tão povoado de filhos não planejados. Aliás, tem até sacerdote que foge a essa premissa. Outros que não se apegam ao celibato como norma estão mais interessados no dinheiro dos fiéis que qualquer outra coisa.
E não sejamos radicais. Ter respeito pela justiça ou pela família independe de abstinência. Não ofenda os colegas de blog apegando-se aos ecos da Inquisição! Uma pessoa pode ser celibatária e muito injusta, assim como pode ser justíssima sem precisar se castrar para a vida sexual.
Desde o Renascimento e o Iluminismo, o mundo provou a experiência de viver independente de amarras moralistas da religião que ditava não só as normas de comportamento como as leis. Nessa época, também conhecida por Idade das Trevas, teve abstêmico que queimou pessoas vivas por considerá-las bruxas. Justiça? Respeito? Ora...
Angelo, pessoas com opiniões como as suas envergonham a raça humana.
Creio que a discussão está tomando outro rumo. A questão não é "se preservar", fidelidade, vida cristã, nada disso. Enterrar pessoas vivas é uma aberração e ponto final. Precisa, sim, é que as pessoas sarem dessa doença que é o preconceito e deixem de ser hipócritas. Como o mundo seria melhor...
Abstenção Já!!
Defendo a abstenção sim, mas da hipocrisia, do falso moralismo e do preconceito que vi em algumas pessoas nesse espaço democrático. Antes de expor qualquer tipo de comentário convido todos a um exercício de empatia. Vamos nos colocar no lugar de soropositivo, um diagnóstico não é uma sentença e nem é preciso colocá-los no banco dos réus. Ah, e soropositivos também podem ser cristãos. Ser + não é - .
O debate está quente!!! Por que será que meus comentários não estão sendo publicados????
Carlos, o único comentário seu que chegou na página de administração do blog foi este, e está no ar.
Prezados Senhores. SRs. Leitores
O que mais vemos hoje em dia a venda é a sexualidade, pregar a abstinência seria uma utopia. Porém sendo o homem dotado de razão, deve aceitar a tese de que o preservativo tem sua eficiência. Agora temos que dizer que a nossa sociedade está sendo consumida por tudo que não presta. Um exemplo: as drogas, sabemos o quanto maléficas são, mas a nossa sociedade doente, as famílias mal constituidas pela ausência do diálogo, enriquecem o tráfico, o mesmo podemos dizer do consumo SEXO.
Penso que um pouco de racionalidade ao homem vai muito bem.
Obrigado pela atenção.
Freitas, pertinente sua colocação. O sexo também se encontra como mercadoria num mundo em que praticamente tudo tem seu preço. Mas, negá-lo por isso não parece ser o melhor caminho. É como matar o doente para curar a doença.
Eu incluiria que nem a religião foge da prateleira mercantilista. Em muitos templos, não se pode fazer sexo nem por amor ao namorado ou namorada, mas se deve entupir os líderes religiosos de dízimos, boletos bancários, débito automático, tudo "em nome de Deus".
Abraços!
Diminuir a promiscuidade é sem dúvida fator importante no combate à AIDS, sobretudo no continente Africano onde as constantes guerras causam grande mortandade na população masculina trazendo certa tolerância à poligamia mesmo nas boas e tradicionais familias.
A ignorância, pobreza e as péssimas condições de higiene aliadas ao elevado número de desocupados (em Angola o desemprego beira os 60%) acabam criando as condições ideais para a prática do sexo sem controle e inconsequente.
A utilização de preservativos deve, portanto, ficar acima de qualquer questão de ordem religiosa e tem que ser amplamente incentivada não apenas na Africa, mas em todos os cantos do planeta para pessoas de todas a raças e credos.
A crueldade praticada contra a pobre criança que foi enterrada viva infelizmente não é apenas consequencia da maldade do homem branco europeu. Quando estive na África ouvi histórias de arrepiar envolvendo crianças, que infelizmente acontecem até hoje em regiões afastadas, mas isso fica para a próxima...
Abraço,
Carlos Schaefer
Os maiores culpados por estes crimes contra a vida humana são os poderosos que roubam da maior parte dos homens o direito ao conhecimento. É a falta de um saber a respeito da própria experiência humana na terra que determina a manutenção desses costumes primitivos irracionais. A educação é a maior riqueza dos homens!É necessário que defendamos esse direito como essencial à vida humana.
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