Aos de vontade, a vitória
Não sou nem de longe a pessoa certa para fazer comentários sobre futebol. Tampouco acompanho as partidas de meu time, exceto quando as finais se aproximam. Mas, peço licença ao leitor para tecer algumas palavras sobre a vitória de ontem da seleção brasileira sobre a Argentina.O Brasil entrou em campo com um time praticamente sem estrelas, ao contrário do adversário, em que elas brilhavam até no banco de reservas. Restava aos que vestiam a camisa amarela a tradição da mesma, que tem seu peso em qualquer jogo. E restava, principalmente, algo que o fato de ser estrela não garante: a vontade de vencer.
Foi mais bonito ver essa seleção nova de Dunga ganhar um título do que se fossem as velhas celebridades do futebol brasileiro, que desfrutam de todos os sabores da Europa e, quando são convocadas a vestirem a camisa da seleção, quase o fazem por caridade -muitas vezes sem nenhuma vontade, diga-se.
Também foi bonito ver que, no futebol, as previsões inexistem. Antes do jogo, li uma matéria na "Folha de S.Paulo" que me chamou a atenção, cujo título era "Brasil pega a Argentina e quer perder de pouco". Ora, quem perdeu foi o "jornalismo" messiânico e inverídico. A seleção tão criticada queria era ganhar. E fez por merecer.
imagem sxc



9 Comentários:
Marcos,
Eu gosto e acompanho futebol e esse final de semana fiquei muito feliz porque o Santos desbancou o Botafogo e a seleção brasileira nos proporcionou aquela deliciosa surpresa. Sim.. surpresa Marcos... Infelizmente nossa seleção começou essa Copa jogando um futebol tão ridículo a ponto de ser intensamente vaiada nos dois primeiros jogos. Não foi apenas a "Folha" que achou que o Brasil perderia de pouco. Todo mundo que acompanha futebol esperava apenas não perder de goleada. Não apenas pela ausência de R.Gaúcho e do Kaká, que para mim podem ficar por lá mesmo e não deveriam nunca mais serem convocados, mas muito mais pelo futebol medíocre e retranqueiro que o técnico Dunga obriga os jogadores a praticar. Dunga, na minha opinião, é o grande culpado e o grande símbolo de um futebol defensivo e feio mas vencedor praticado durante anos por Parreira. Um futebol que NÃO tem a cara do Brasil que gosta de ver jogo jogado prá frente, com alegria, entusiasmo, com pedaladas, chapéu, dribles da vaca, rolinho, etc... Estou feliz pelo Brasil ser campeão mas tenho consciencia de que foi muito mais pela empáfia e o salto alto dos argentinos que entraram em campo em ritmo de "já ganhou". Espero que isso não sirva de motivo para nossos dirigentes acharem que está tudo bem... Não está não... Vamos curtir a vitória mas sem tirar o pé do chão..
Marcos mais uma vez voçê esta com toda a razão!
Carlos,
Concordo com suas palavras. Odeio o estilo Parreira assim como não simpatizei com o início da era Dunga.
A contradição que achei interessante, e por isso escrevi sobre o tema aqui no blog, é que a seleção brasileira já jogou muito mal em outras copas mesmo tendo um time de estrelas nos gramados. E, desta vez, praticamente sem nenhuma delas, levou o título em cima de uma Argentina celestial.
Fico pensando se Ronaldo Gaúcho vestindo a camisa amarela daria o título ao Brasil ou se repetiria o futebol medíocre da última Copa do Mundo. Sem ele, conseguimos e, como um mero torcedor brasileiro que pouco entende do assunto, achei o máximo.
O Brasil desbancou o favoritismo argentino logo no ínicio da partida.O Brasil mostrou raça, determinação e não deixou ''los hermanos'' jogarem. Vencemos o "favoristimo", vencemos sem Ronaldinho Gaucho "estrela" que fez do Barcelona a sua escolha...BRASIL!!!!
Perfeito, Marcos. Confesso que também tive a 'língua queimada', é bem verdade mais pela mística da amarelinha do que pela qualidade técnica e tática do conjunto montado por Dunga, com a conquista do bicampeonato da Copa América. Mesmo assim, é preciso dizer que, questionamentos à parte quanto aos métodos de Dunga, vencer 'los hermanos' tem um sabor especial. Trata-se de um prazer futebolístico quase que indescritível. Melhor ainda saber que eles não são páreo nem para o Time A, nem para o B e, agora, nem para o C do Brasil.
Gostaria de parabenizar também os atletas americanenses pela brilhante conquista dos jogos regionais.
Prezados SRs.
Sem tirar o mérito da Seleção Brasileira, acho que a Argentina caiu muito fácil. Num país de tanta corrupção como o nosso, será que não correu um troco por fora? Estava muito tranquilo meu velho. Olha eu desconfiu. Los ermanos mui ermanos.
Caro Brogna, legal perceber sua expansão ao esporte, também, nos últimos dias. Tocha, Pan, Seleção, etc. Independente de estar criticando ou elogiando, bom é saber que o editor do quase sagrado O Liberal, mesmo admitindo não ser especialista na área (algo plenamente secundário), tem levantado a bola de assuntos esportivos. O esporte é vítima de preconceito: falta saúde, pau no esporte; falta segurança, pau no esporte; o transporte é falho, pau no esporte. Sempre qualquer investimento no esporte, bem ou mal, é visto como desnecessário diante das demais necesidades do Brasil. Nós, cidadãos pagadores de impostos, temos direito a tudo - saúde, educação, segurança e, também, esporte. O esporte educa, gera um monte de empregos e é, na mídia, um dos segmentos mais procurados pelos leitores. Parabéns e saudações.
ET - O povo burguês que lotou o Maracanã, pagando até R$ 250 para ver a abertura do Pan, foi muito mal educado ao vaiar Lula. Não fosse Lula - em quem nunca votei na vida - para consertar as melecas do projeto do Pan feito pelo Rio, não haveria tal evento.
Ju Jensen
Olá, Ju,
Acho interessante o esporte pelo aspecto social. Muito mais que a competição, é a integração de culturas e a superação dos próprios limites.
Muito bom seu "ET" sobre os burgueses mal educados do Brasil. Um estudo que acaba de ser divulgado pelo "The Boston Consulting Group" revela que 130 mil milionários brasileiros detém nada menos da metade de toda a riqueza que o País produz, enquanto 189,87 milhões dividem as migalhas da outra metade. Isso, sim, é digno de vaia. Falarei sobre o tema na próxima postagem.
Abraços!
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