Podres poderes
Nos anos 70, uma das capa do Estadão que foi censurada pelo regime militar trazia como informação principal que um ministro divergiu do presidente Médici e reununciou ao cargo. A manchete teve de ser trocada para uma "outra forma" de ser ver o fato: o presidente Médici apenas estava nomeando um novo ministro, nada de divergências. O governo militar calou a imprensa e, para tanto, colocava capangas dentro de redações de jornais e revistas, quando não torturava e matava jornalistas. Por isso, era impossível denunciar falcatruas do poder. Era bem diferente de hoje, quando a mídia goza de uma liberdade muito maior no Brasil. E, bem diferente da manchete que o Estadão teve de mudar, as manchetes hoje são repletas de denúncias não apenas de divergências, mas de corrupção em praticamente todas as esferas de todos os tipos de poder.
A primeira impressão, tomando-se por base uma simples comparação da mídia de ontem e de hoje, é de que o País piorou. Mas, será? Não estaríamos aprendendo a viver a democracia, que permite aos meios de comunicação investigar e denunciar suspeitas, indícios e fatos obscuros? Não estaríamos evoluindo ao tornar público aquilo que, no passado, era escondido sob os tapetes dos milicos?
Afinal, se agora se sabe com muito mais facilidade e se hoje é possível, diferente dos idos da ditadura, escolher os nossos representantes, não estaria em nossas mãos o poder de se informar e decidir? A opinião é sua, caro leitor.
Bom feriado!
Bom feriado!
imagem sxc



5 Comentários:
Sim Marcos, evoluímos muito desde os "anos de chumbo". E não apenas no Brasil. Quase todos os países da America Latina eram governados nessa época por ditadores que tinham como principal característica o controle da opinião pública pela censura.
Muito bom voce ter colocado esse tema para que as pessoas entendam por que nos preocupamos tanto com o fechamento da rede de televisão RCTV na Venezuela pelo presidente Hugo Chaves. Importante saber o perigo que atitudes como essa representam para a democracia e principalmente saber o que as pessoas e os partidos políticos no Brasil pensam sobre isso. Solange no Brasil nunca mais.
Carlos Schaefer
Parabéns, Marcos, por trazer em pauta o assunto em questão DEMOCRACIA,lembrando que muitos pagaram com a suas proprias vidas, para que hoje, nos tivessemos o DIREITO, que temos, escrever, opniar, cobrar, sermos informados,um direito que nunca nos será tirado, pois tenho certeza que ainda hoje há muitos que ACREDITAM no regime democratico.
P.S. Hoje muitos deputados federais ficaram em Brasilia, "pasmem" para tratar dos seus subisidios.
Caro Marcos,
Gostaria muito de saber sua opinião sobre o posicionamento da Carta Capital quanto ao episódio do fechamento da RCTV.
Gostaria de saber também sua opinião sobre o jornalista Paulo Henrique Amorim.
Abraço,
Carlos Schaefer
Caro Carlos, o que li na internet em "CartaCapital" foi uma crítica mais complexa acerca do tema, dizendo que, se por um lado é uma ameaça à democracia a atitude de Chávez, por outro também o é o oligopólio da mídia parcial.
Penso que a atitude de Chávez é, sim, uma ameaça à liberdade, portanto condenável. Sua retórica, para mim, é de um ditadorzinho de quinta. Mas, não deixo de pensar, também, que a mídia engajada, quando publicada em coro, também fere a liberdade. Mas, prefiro crer que os consumidores dessa mídia tenham senso crítico para refutá-la. Governos quando fazem isso estão usando o poder para a censura, tal qual aconteceu nos anos de chumbo no Brasil -e quase apareceu novamente, disfarçado, na desastrosa idéia do Conselho de Jornalismo, da turma do Lula.
Um exemplo do poder do leitor: apesar do coro pró-Alckmin da nossa grande mídia nas últimas eleições (até com direito a outdoors da Veja), o tucano perdeu -e perdeu feio. Por isso, penso que o consumidor da mídia é o maior "controlador" do seu conteúdo. Isso considerando que ele tenha bases educacionais para ler e discernir, o que ainda falta no Brasil.
Sobre Paulo Henrique Amorin, ele está no seu direito de opiniar e analisar, assim como está Dora Kramer, tucana de carteirinha. O contraponto é o oxigênio da democracia.
Grande abraço e bom final de semana.
Por isso cassa-se as licenças de televisão (Venezuela), e por isso faz-se jornal com dinheiro público (Sta. Bárbara d'Oeste/SP)
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