Vegetarianismo ambiental
O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, ou IPCC, aponta pela primeira vez o que os vegetarianos sabiam há um bom tempo: deixar de consumir carne é também uma atitude de cunho ambiental. Entre as sugestões apontadas pelo IPCC, divulgado pela ONU, está a de comer menos carne vermelha, o que diminuiria a emissão de metano produzido pela infinidade de cabeças de gado criada no mundo. O metano é 22 vezes mais poluente do que o CO2.Mas o caso não fica apenas na flatulência dos bois. Os enormes espaços de terra de que a pecuária necessita é um fator que explica a devastação das florestas. Mais: a quantidade de água e alimentos que os bois consomem até que sejam abatidos é um sinal claro de desperdício dos recursos naturais. Uma área capaz de sustentar um único indivíduo consumindo carne poderia sustentar até 30 pessoas consumindo alimentos vegetarianos, para se ter uma idéia.
"No Brasil, 44% das culturas destinam-se a produzir alimentos para os animais, isto é, quase a metade de tudo que nosso solo produz é usado para alimentar animais, que, por um lado, ao serem transformados em alimentos só podem nutrir reduzida parcela da população", diz a socióloga Marly Winckler, no site www.vegetarianos.com.br.
"Se damos 1.000 calorias de soja para um boi, 100 calorias viram carne. O resto o bicho gasta mugindo, balançando a orelha, criando pêlo e em outras atividades bovinas. Ora, muito mais eficaz é pegar essa soja e dar logo para um humano - precisaríamos de muito menos terra para manter o mundo humano funcionando", escreve o jornalista Denis Russo Burgierman, em "Vida Simples" (www.vidasimples.abril.com.br).
Argumentos não faltam para dizer que diminuir o consumo de carne ajudaria a resolver dois problemas: o da fome e do aquecimento global. Mas, o tema é muito polêmico. Sinto isso toda vez que digo a alguém que não me alimento de nenhum tipo de carne e vivo muito bem, mas me olham como se eu fosse um extraterrestre. Entretanto, agora o tema não é apenas colocado como uma questão de respeito a todos os tipos de vida, mas pelo futuro do próprio planeta.
Apenas para reflexão, uma frase do gênio Da Vinci que me inspirou ao vegetarianismo quando a li colada no vidro de um carro que estava na frente do meu, num semáforo: "Tempo virá em que os seres humanos julgarão a matança de um animal inocente como hoje se julga o assassínio de um homem".
imagem sxc



12 Comentários:
Os argumentos acima são bons o suficiente para convencer as pessoas a pelo menos fazerem uma reflexão sobre o assunto.
Então, vamos à reflexão: O que leva as pessoas a se condicionarem ao uso deste produto? a carne é um ítem muito arraigado na nossa cultura (tem gente que não consegue fazer uma refeição sem ela). Trata-se de um prato que agrada a maioria das pessoas, saboroso, fácil e rápido de preparar; permite (mesmo em pequenas quantidades) variadas opções ao cardápio se juntada aos legumes, massas,pão, saladas, etc.Está intimamente ligada ao lazer, acompanhando a cerveja e refrigerantes; nos encontros semanais das famílias e amigos para os famosos churrascos; a realização destes não requer a exigência de grandes espaços, não depende de condições especiais do tempo; facilita a produção de festas e eventos; a carne é facilmente encontrada no mercado; serve como alimento para pessoas de qualquer faixa etária. Pela variedade de tipos e preços, possibilita a escolha de acordo com a necessidade e a disponibilidade financeira de cada um,etc.
Eu também prefiro os vegetais; mas não desprezo um pedacinho de carne de vez em quando; mas como se trata de provocar reflexão, então, acredito que o argumento que melhor convenceria as pessoas,seria relacioná-la à saúde, uma vez que hoje as pessoas estão mais preocupadas em levar uma vida mais saudável.
Alguns médicos dizem que aos adultos, bastaria o consumo uma vez na semana, para as crianças, o indicado seria diariamente, explicando claramente para a população sobre o mecanismo de digestão deste alimento, sobre o efeito das suas toxinas no nosso organismo, sobre a falta de controle e uso indiscriminado de remédios e antibióticos aplicados nos bichos para controlar pragas e doenças, etc. talvez convencessem mais que as conseqüências da flatulência dos bovinos na atmosfera, ou a comparação das necessidades e vantagens da soja, em lugar do bife no prato do humano...
Cleusa,
Enriquecedora sua opinião. A propósito, escrevi uma matéria no suplemento Saúde do LIBERAL em agosto de 2006. Na ocasião, ouvi nutricionista que trabalha com vegetarianos e ela garantiu que é totalmente viável substituir a carne na alimentação, em qualquer faixa etária e com ganho de saúde. O link para a matéria, que acabo de postar no site, está abaixo. Abraço!
http://www.liberal.com.br/suplementos/saude_ver.asp?c=002D4D2CCE6
Ok... a Flatulência do gado é um problema ambiental. Alimetar o rebanho é outro problema maior ainda.
Cada vez que algum vegetariano levanta essas questões eu fico com duas perguntas na cabeça: o que vamos fazer com milhões de bois e vacas e bilhões de frangos? Deixa-los morrer de fome ou simplesmente abater todos?
Sim, porque manter a criação deles não resolve nenhuma das questões ambientais.
Não sou especialista em alimentação, mas acho que se alguem não gosta de carne devia simplesmente parar de comer e não ficar tentando convercer todo mundo que não comer carne é melhor do que comer.
Anônimo, a criação de milhões de cabeças de gado ou outros animais são fruto de um desequilíbrio ecológico causado pela indústria da carne, que necessita de enormes espaços, muitos grãos que poderiam alimentar seres humanos e devastações de florestas (e esse assunto é discutível, sim, pois afeta a todos em escala global). Diminuindo o consumo da carne, diminui-se gradativamente o número de animais, assim como se possibilita maior aproveitamento dos alimentos vegetais por parte dos humanos.
Mas, você é livre para comer o que quiser e defender o consumo da carne, assim como os vegetarianos o são para colocar tais questões em discussão.
Abraços!
Marcos,
Embora eu não concorde com voce eu acho que tem todo o direito de colocar e defender sua opinião. Só gostaria de fazer uma ressalva: cuidado para não privar as crianças da proteína da carne até que tenhamos todos certeza absoluta de que não estaremos prejudicando o seu desenvolvimento, ok?
Abraço,
Carlos Schaefer
Boa, Carlos! A diversidade não é um defeito, mas o único caminho para a verdadeira liberdade de pensamento.
Sobre as proteínas, elas estão em muitos outros alimentos além da carne. E alimentação, principalmente de crianças, exige sempre muito cuidado e equilíbrio, seja entre vegetarianos ou onívoros. Excesso de hambúrgeres e afins, como se vê hoje em dia, pode ser um veneno.
Grande abraço!
Marcos, o tema é interessante e fomenta uma boa discussão. Agora, é preciso ter cuidado para não rotular as variedades. No texto do blog, e em outras abordagens e depoimentos de pessoas vegetarianas, tenho a idéia de que os VEGETARIANOS SÃO POLITICAMENTE CORRETOS, o mocinho da história, enquanto que as pessoas que se alimentam de carne são os vilões. Vamos devagar com o andor. Um fato interessante na história é que Hitler era vegetariano extremista e sua conduta moral não era das mais admiradas, muito pelo contrário. Este é apenas um exemplo. A mensagem que quero deixar é: vamos discutir sim, porém, sem criarmos máscaras de cunho social, ambiental, moral, etc...
abraços
André, muito pertinente sua observação e agradeço a oportunidade que você abre para entrarmos nesse ponto. Sem mocinhos nem vilões! Da mesma forma que me incomoda ser visto como um extraterrestre por alguns carnívoros, me incomodam os vegetarianos panfletários.
Essa do Hitler eu já ouvi, mas também já li que ele tinha problemas digestivos e, por isso, evitava carnes por orientação médica. Como personalidade histórica, prefiro admirar a genialidade de Da Vinci, vegetariano por ideal de vida. Mas, claro que o que se coloca no estômago não é fator para definir o caráter. A vida é muito mais complexa.
Grande abraço!
Marcos, interessante sua posição. Ainda continuo com a impressão de que seu texto, publicado no BLOGNA, coloca os vegetarianos como pessoas mais EVOLUIDAS e equilibradas. O texto destoa um pouco de seu ponto de vista publicado no comentário anterior onde você diz que se incomoda com os vegetarianos PANFLETARIOS. O texto é tendencioso e seu comentário vai contra esta "tendência". Mas não quero discutir aqui um ponto de vista pessoal, este não é o lugar.
abraços
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u15136.shtml
O texto é uma opinião, André, portanto não há como não ter uma "tendência". Defendo o vegetarianismo mas o estou colocando em discussão, longe de desrespeitar ou subjulgar quem pensa ou age diferente. Você citou Hitler como vegetariano e não creio que tenha sido uma forma de minimizar quem não coma carne.
Anônimo, li a matéria relacionada ao seu link. A agricultura também desmata, sim, mas principalmente para alimentar animais de corte. No Brasil, quase metade de tudo o que é plantado é utilizado para alimentar o gado. A colheita de 1.000 kg de grãos como a soja para alimentar animais de corte gera apenas 100 kg de carne. Ou seja, quando as plantações são usadas para alimentar o gado ou outros tipos de animais para abate, é preciso produzir mais para gerar menos resultado. Significa que a pecuária gera muito mais desmatamento, direta e indiretamente.
Abraços a todos!
Estou completamente de acordo com o artigo no que respeita a consumo de carne.
Mais reemplazar ela com soja nao me parece adecuado, com toda a informacao que temos en internet sobre a toxicidade de esta leguminosa. www.soyonlineservice.com
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