País perdido
O Brasil não sabe o que fazer com um jovem que, quando ainda era menor de idade, torturou, estuprou e matou. Apesar de já maior, ele estava até a última quarta-feira na ex-Febem (que, após tantos adjetivos ruins que o nome suscita, recebeu o eufemismo "Fundação Casa"), fugiu com a maior facilidade mas foi capturado. A Justiça, então, mandou colocá-lo numa unidade também da ex-Febem que ainda não está em funcionamento, mas a instituição é contra. Há quem diga que ele deveria ir para presídios de adultos. Só não há solução para o caso.Na verdade, o Brasil não sabe o que fazer com o crime que encontra terreno fértil entre adolescentes, evoluindo de forma diabólica até a vida adulta. Casas como a Febem não ressocializam, mas os presídios tampouco. Então, o debate minimiza-se em soluções mágicas como a diminuição da maioridade penal para 16 anos, que levaria muitos dos menores da Febem para presídios onde se consegue, de dentro das celas, comandar ataques à sociedade lá fora. Donde se foge com facilidade e onde o aprendizado é dos mais perversos.
Pudera. O País onde juízes ganham dinheiro da máfia dos bingos para fornecer liminares permitindo o jogo, onde políticos só pensam em eleições quase dois anos antes do pleito, onde a corrupção atinge todas as esferas de poder desde as Capitanias Hereditárias, onde na própria sociedade está enraizado o conceito do "jeitinho" e do "levar vantagem" só poderia estar mesmo perdido. Perdido há 500 anos, perdido agora e sabe-se lá até quando.
imagem sxc



1 Comentários:
Marcos,
Mais uma vez, parabéns pelo alto nível de conversação e estímulo intelectual que seu blog tem proporcionado.
O assunto da criminalidade juvenil no Brasil me enfurece de tal forma que nem sei por onde começar a esculhambar com as noções absurdas das autoridades da República da Banana.
Mas vou tentar me conter e dizer simplesmente que o grande problema é a falha em analizar e tentar remediar o porquê que o crime "encontra terreno fértil entre os adolescente", como você menciou, Marcos.
Falta de um sistema educational que apóia, incentiva, e valoriza; falta de atividades extra-curriculares que mantenham nossos adolescentes ocupados e interessados; falta de leis que os protejam e os façam parte da sociedade; e enfim, falta de esperança e perspectiva de futuro.
E assim, a geração do amanhã se afunda cada vez mais no precipício da alienação e da criminalidade, e o nosso país, por sua vez, faz o maior esforço para acelerar a maioridade e a punição ao invés de melhorar a educação e o processo de reabilitação.
Dá-lhe Brasil!
Postar um comentário
Links para esta postagem:
Criar um link
<< Início