O cinto e a camisinha
O presidente Lula disse, na semana passada, que é preciso abandonar a hipocrisia ao tratar do tema camisinha em campanhas contra a Aids. Deu uma estocada na Igreja Católica, que respondeu logo em seguida, alegando que defender o uso do preservativo é estimular o sexo promíscuo.A posição da cúpula da Igreja, que não encontra eco nos milhões de seres humanos que a têm como sua religião (e usam preservativo para se manter vivos e protegidos do HIV), sugere algumas dúvidas.
Um exemplo simplista: se conscientizar para a utilização da única barreira conhecida contra o contágio da Aids em relações sexuais é estimular o sexo promíscuo, então incentivar o uso do cinto de segurança ao dirigir veículos seria estimular o excesso de velocidade? O raciocínio é plausível, já que tanto o cinto como a camisinha são ferramentas que protegem a vida em fatos corriqueiros do planeta Terra, que acontecem queiram os sacerdotes ou não. Podem falhar, sim, mas usá-los é melhor que os ignorar.
A banalização do sexo é criticável à luz dos púlpitos (mais que isso, a banalização da vida, que, ironicamente, aconteceu em momentos históricos sangrentos como as Cruzadas ou a Inquisição, patrocinados pelo Vaticano). Mas ignorar toda a dor que a Aids causou e ainda causa à humanidade, acreditando ser possível combatê-la com a prática da castidade, beira uma ingenuidade alienígena. Ou seria, como sugeriu o presidente, hipocrisia mesmo?
PS: Bento 16 diz, nesta terça-feira, que o segundo casamento é "uma praga". E manda os padres se prepararem para rezar missas em latim. De costas para o público?
Imagem SXC



13 Comentários:
Marcos, parabéns pelo texto. Analogia simples e objetiva. Como diz Leonardo Boff, é mais fácil fazer um camelo passar pelo buraco de uma fechadura do que fazer com que milhões de jovens digam não ao ato sexual.
E o mesmo Leonardo Boff foi massacrado pela ala conservadora da Igreja, da qual Bento 16 é guardião, caro Diógenes. O que mais me intriga, aproveitando o raciocínio de seu comentário, é a "demonização" do sexo, feita não apenas pelo catolicismo, mas por grande parte das religiões. Me parece uma tentativa inquisitora de remar contra a própria natureza humana. O problema é mais em cima, está na mente diabólica de muitos homens e mulheres, inclusive daqueles que pregam.
Um fato bem interessante também é que quanto mais o Papa fala sobre isto, mais as pessoas se sentem motivadas a fazer o contrário apenas pra provar que podem ser felizes sem a imposição destas regras "da igreja". Creio que qualquer imposição do tipo "CABRESTO" gera este tipo de reação.
Outro aspecto que me intriga no discurso da igreja Católica é que eles só dizem o que não deve ser feito, mas não ensinaram por muito tempo o caminho para que isto fosse feito. Não adianta nada você dizer "NÃO FAÇA ISTO, NÃO FAÇA AQUILO" se você não explicar o porque ou se preocupar em ter diálogos abertos com as pessoas que estão ignorantes à esta informação.
O sexo não é um problema para minha religião, mas sim uma benção dentro - é claro - da licitude (O CASAMENTO).
Sou evangélico. Creio que o próprio Deus inventou o sexo seguro: O CASAMENTO.
Mais uma vez a igreja Católica se afunda em suas decisões e conceitos. O sexo sempre esteve presente nas religiões antigas, onde até hoje, os antropólogos encontram monumentos e esculturas representando o erotismo e os órgãos sexuais. Quando o assunto é sexo, parece que a igreja não consegue tomar outro rumo. O sexo pode ser visto como tabu, mas também como troca de prazeres, como gerador de vida, ou ainda energia kundalini dos yogues. A igreja Católica está longe de entender casamento e sexo. Precisariam atualizar seus ensinamentos... para a atual civilização ...
Sem defender a Igreja, mas se fosse na minha época de escola (anos 80-90) e recebesse uma camisinha, com certeza não a deixaria guardada e faria uso dela o quanto antes. Para mim, é mesmo que dar seringa aos drogados: resolveria um problema para criar um outro ainda maior. A obrigacao do uso de cinto de seguranca nao estimula o abuso da velocidade, ja que por todos os lados, hoje em dia, temos radares ou coisas do tipo que inibem qualquer abuso. As escolas podem ate fornecer camisinhas, mas nao devem deixar de ser o 'radar' que inibe o abuso, ou seja, perder seu carater educativo nesse assunto. Em suma, essa 'preocupacao' do governo me convence cada vez mais que existe algum politico-empresario, dono da tal fabrica de camisinhas, que pensa apenas em 'arrebentar' com os seus lucros.
Sem querer ofender o anônimo, mas também estudei na década de 80/90 e tive aulas de educação sexual, inclusive aprendendo como usar a camisinha, e nem por isso saí por aí fazendo sexo com Deus e o mundo. Achar que as campanhas devem estar ajudando algum dono de fábrica é, no mínimo, pensar de maneira tacanha. Então as campanhas contra o álcool são para beneficiar donos de fábricas de sucos e refrigerantes? Sabemos que o sexo entre os jovens sempre existiu, só que antigamente existia um grande manto de hipocrisia que escondia o assunto. Aliás, ainda bem que a sociedade mudou, porque antes uma mulher que fizesse sexo com seu namorado e desse o azar de levar um chute acabava sendo chamada de "piranha", para dizer o mínimo. Não sou a favor da promiscuidade, mas querer dizer que todo mundo vai sair transando se receber uma camisinha é absurdo. Concordo que além de estimular o uso do preservativo as escolas devem também abordar os riscos do comportamento promíscuo, principalmente as doenças que podem surgir por isso. E, caso nosso amigo anônimo não saiba, a distribuição de seringa aos drogados foi uma das medidas que ajudou o Brasil a ser hoje referência mundial em atitudes contra a disseminação da Aids. Ainda não somos perfeitos, mas fingir que o problema não existe é simplesmente querer que ele se perpetue ou piore.
E' interessante, sem entrar no merito do certo e errado do assunto, o quanto se mantem importante a posicao e validacao, ou nao, da igreja catolica em nosso pais. Ainda que com o crescimento de tantas outras manifestacoes e congregacoes religiosas, as influencias politicas e sociais do catolicismo parecem perdurar, mesmo que ora descabidas, questionaveis e com lastro de representatividade da realidade de seus devotos se distanciando. Por coincidencia, li hoje no livro de Ricardo Giannetti, entitulado de Auto-engano, um trecho que o autor cita (sem qualquer conexao religiosa, apenas faco eu aqui uma livre associacao) que “permitir e nos abrirmos as duvidas e as possibilidades de que estejamos enganados sobre nossas crencas, paixoes e valores que nos governam, e’ abrir-se a oportunidade de rever e avancar. E’ ousar saber quem somos para podermos repensar a vida e nos tornarmos quem podemos ser”. Me parece que a igreja catolica nao leva isto em conta, e convenhamos, nao e’ uma tarefa filosofica simples.
Abracao, Marcos, como sempre voce faz, otimos posts para uma boa reflexao.
Bassora, faz tempo que não o via aqui no blog e é bom revê-lo.
Concordo com você que a Igreja Católica, apesar de perder fiéis e parecer não se importar muito com isso (a considerar a posição ortodoxa do atual papa), ainda tem peso como referência moral, até para ser criticada, mas quase nunca passa despercebida. Talvez pelo fato de ter dois mil anos e ser com certeza a única instituição que sobreviveu por tanto tempo, tendo um terço da humanidade de alguma forma ligado a ela. Também, no caso do Brasil, pelo fato de ter participado de muitas das causas sociais do país (no regime militar, por exemplo), das quais se distanciou bastante.
Uma comparação me veio à mente nessa discussão. Ensinam as escrituras que Cristo, há dois milênios, evitou que uma prostituta fosse apedrejada simplesmente colocando seus algozes diante de suas próprias consciências. Hoje, quando já se aceitam socialmente tantos comportamentos antes inaceitáveis, a Igreja que diz seguir o mesmo Cristo chama divorciados de "praga" e segrega homossexuais como se fossem aberrações.
Onde estariam o Cristo do amor sem limites na Igreja que nega acolhimento ou em outras novas igrejas tão alinhadas como capitalismo selvagem, com a competição e com a prosperidade material?
Olá Bassora. Comentando um texto citado por você "permitir e nos abrirmos as duvidas e as possibilidades de que estejamos enganados sobre nossas crenças, paixoes e valores que nos governam" parece não agradar a maioria das pessoas. Questionar é preciso, mas isso desmancharia os castelinhos de areia de muita gente. É conveniente apenas crer sem conhecimento de causa. E assim é mais fácil ser dominado e moldado conforme a vontade da religião citada.
O tema é polêmico e controverso.
Concordo com a maioria com depoimentos, que usar camisinha não vai incentivar sexo promiscuo, porque simplismente está se indo contra a natureza e com camisinha ou não as pessoas vão se relacionar.
O que dizer da missa em latim ?
Sem comentários ...............
Não concordo com que o Papa diz ser praga as pessoas que se casaram pela segunda vez e que por isso não devem nem comungar, então se me casar de novo eu vou pro inferno, DEUS não vai mais olhar por mim !
Promiscuo na minha opinião é a autoridade máxima da FALHA E PECADORA Igreja Católica, dizer que é promover a promiscuidade e dentro da própria Igreja Católica existem casos de homosexualismo que é tão condenado e de PEDOFILIA.
Promiscuo pra mim é gastar um absurdo com a vinda do mesmo, não que devemos recebe-lo mal, pelo contrário, mas enquanto se gasta um caminhão de dinheiro, pessoas mal tem o que comer.
Acho que este Papa está na contramão da história e da evolução e que todo o legado do saudoso PAPA JOÃO PAULO II, estará sendo em vão, mas espero que não pois ainda há tempo.
Olá
Quanto ao tema tratado sobre a proibição da camisinha pela igreja católica, não é contra o uso da camisinha em si, mas sim sobre o sexo sem compromisso, pois não podemos negar que isso virou bagunça, estamos cada vez mais deixando de lado um sentimento, o amor, hoje todos banalizam o sexo, todo mundo pode transar com todo mundo e esta tudo bem...será que é isso mesmo que devemos fazer???Será que não estão criticando a igreja católica sem fundamento....cada um tem sua propria opinião, o que não é o caso da Igreja Católica, que só esta repassando o que consta nas Escrituras Sagradas, até hoje não ouvi falar de nenhuma religião
Cristã, que pregue o sexo antes do casamento como sendo uma coisa natural, sendo assim não é só a Igreja Católica, devemos rever nossos conceitos e prestar atenção nas noticias antes de sairmos opinando, ou criticando.....até mais
Quanto ao 2ºcasamento ser uma praga, o que ele quis dizer é que é moda, ele não esta amaldiçoando a 2º casamento, devemos entender o significado e a colocação da palavra, hj as pessoas já casam pensando no divórcio, então pra que casar..só pra dividir os bens e pegar alguma pensão.....
Sou católico praticante, mas a igreja católica está atrasada em vários aspectos tais como, proibição de casamento entre os padres, legalização do aborto em certos casos, tais como estrupo, uso da camisinha, e o cúmulo dos cúmulo, a volta do latin nas missas.
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