20.3.07

Ciência ou sadismo?

O "Britsh Medical Journal" publica reportagem sobre uma pesquisa que avaliou efeitos comparativos de seis medicamentos em animais e humanos. A conclusão é que os efeitos de duas das drogas foram completamente opostos entre os dois seres. Ou seja, nada valeram as experiências com os bichos.

A despeito disso, a utilização de cobaias é ampla nas pesquisas científicas. Extrapola os limites do supérfluo. Em muitos tipos de espécie, injetam-se, além dos medicamentos em desenvolvimento, vírus, bactérias, venenos. Chega-se ao ponto de espirrar inseticida em olhos de coelhos para se certificar que o produto (óbrio!) provoca irritações.

Seria essa uma ciência a serviço do sadismo? Mais: seria a crueldade um instinto humano?

12 Comentários:

Blogger João disse...

Lamento informar, mas essa é a típica situação em que sempre aparecerá um dito especalista para defender qualquer absurdo que seja, trazendo milhões de leigos no encalço. A ignorância é uma benção, e a informação, uma arma.

21/03/07 11:26  
Anonymous André disse...

Não se trata de sadismo, crueldade ou absurdo. Embora seja leigo no assunto, entendo que criar generalizações dessa forma apenas prejudica o debate a respeito do tema. Existem situações em que cobaias são insubstituíveis, e outras em que seu uso possa ser questionado.
Quanto a reportagem, que não li, o que deve ser visto é o porquê de duas das seis drogas não apresentarem resultados satisfatórios, e mais: será que isso foi uma surpresa aos pesquisadores? Será que já não esperavam que determinadas drogas não apresentassem resultados positivos?
E o que é crueldade? Veja só: Se estes animais são chamadas de pragas, são ameaças exerminadas sem dó - mas quando são chamadas de cobaias, são vítimas de sádicos??

21/03/07 13:22  
Blogger Marcos Brogna disse...

O dicionário "Aurélio" diz que sadismo é "ter prazer com o sofrimento alheio". Penso que quando se confinam vidas para sofrerem dor com o único propósito de aprimorar um cosmético, supérfluo à existência humana, trata-se de um tipo de sadismo travestido de ciência.
Também não gosto de generalizações, mas há uma inegável: toda vida é vida.
Abraços!

21/03/07 15:11  
Blogger João disse...

Olha aí, Marcos. Como eu disse, leigos no encalço. Eles sempre vêm.

21/03/07 16:30  
Blogger Carlos Schaefer disse...

Marcos,

Sou leigo e não posso falar pelos cientistas mas não quero crer que todos sejam cruéis e sádicos no exercício de suas esperiências. O ser humano vem conquistando longevidade cada vez maior graças a pesquisas que resultam na descoberta de medicamentos que já foram responsáveis pela cura de doenças que eram fatais no passado e outros que certamente ainda irão salvar muitas vidas no futuro. Tenho certeza de que uma pessoa quando estiver no meio do mato e for picada por uma cobra não vai pensar em quantos cavalos foram utilizados como cobaia para fabricar o antídoto que irá salvar sua vida. Não podemos esquecer também que as experiências bem sucedidas certamente estão sendo usadas para salvar a vida dos demais animais. Na ciência como em todas as outras áreas é preciso sim investigar e coibir abusos até que a própria ciência encontre algum dia uma forma de trazer tanto benefício para a humanidade sem precisar sacrificar os heróicos animaizinhos.

21/03/07 18:29  
Blogger Carlos Schaefer disse...

Ops... Experiência...

21/03/07 18:30  
Blogger Daniel disse...

Sou um completo simpatizante da proteção aos animais a todo custo, acredito que com o dinheiro gasto na pesquisa em animais, poderia-se investir em pesquisas tecnológicas.

Como? Os assim chamados super-computadores tem a possibilidade de simular o início de tudo na terra, o Big-bang, por que não podem criar simuladores biológicos, criando condições fisiológicas para que seja testado e simulado nesse ambiente, antes do teste emergir para qualquer tipo de vida.

Posso ter ido um pouco além, mas é uma possibilidade completamente saudável.

21/03/07 19:38  
Anonymous eu mesma disse...

Leigos ou não, marcos tem razão: toda vida é vida.

Defendo qualquer forma de vida, por acreditar que a dor é inerente à condição humana. É o que acredito de verdade. Animais, de qualquer espécie, são muito melhores que muita gente.

Viajei, mas gostei.

21/03/07 21:02  
Blogger Carlos Schaefer disse...

Perguntinha: matar para comer pode?
E o lema "toda vida é uma vida" vale para peixes e plantas também?

22/03/07 13:51  
Blogger Marcos Brogna disse...

Quanto à sua primeira pergunta, caro Carlos, minha resposta é não. Respeito quem pense diferente, mas não me alimento de nenhum tipo de carne e vivo muito bem. Aliás, depois de me tornar vegetariano, descobri sabores deliciosos que talvez nunca experimentasse se continuasse "carnívoro".
Sobre a segunda questão, é necessário que se diferencie peixe de planta. Peixe não se colhe de rios ou mares (apesar do eufemismo "frutos do mar"). Peixe se mata. É muito diferente de se colherem frutos,legumes, folhas e grãos vegetais.
Creio, portanto, que é possível viver respeitando a vida. Basta querer.
Abraços

22/03/07 15:02  
Anonymous Anônimo disse...

A espécie humana sempre comeu carne. Nas cavernas, nossos antepassados davam preferência a ela, como concluíram os estudos de suas arcadas dentárias. É provável que o homem só se conformasse com outros alimentos quando a caça rareava. Guiado pelo instinto do paladar, corria atrás da carne por seu alto valor calórico: um grama de gordura produz 9 calorias, um grama de açúcar ou proteína, 4 calorias.
Por milhões de anos, mesmo quando o homem buscou na agricultura as calorias necessárias para manter a família, a preferência pela carne resistiu. E assim permanece. Não é fácil subverter ordens estabelecidas em milhões de anos. A genética é mãe castradora.
A desnutrição sempre foi endêmica. Em todas as civilizações conhecidas, comida abundante e variada era privilégio. Há apenas um século e meio, a batata da Irlanda foi dizimada por uma praga, e um milhão de pessoas morreram de fome. O número de mortos dá idéia da monotonia da dieta irlandesa da época. Na Europa, a fome resistiu à passagem da Segunda Guerra; era preciso ser rico para comer carne todo dia. Mesmo hoje, fartura de alimentos é privilégio de um ou outro país.
O passado de fome crônica moldou o consumo de energia da espécie humana. A pressão seletiva favoreceu a sobrevivência dos que comiam o máximo que agüentavam, toda vez que encontravam comida. Entre eles, levaram vantagem reprodutiva os que tinham capacidade de armazenar, sob a forma de gordura, as calorias ingeridas em excesso. Ser dono de uma reserva adiposa ao redor do corpo era decisivo quando chegavam as vacas magras. Os magrinhos ficavam inferiorizados na hora de enfrentar jejuns prolongados. Num mundo de predadores, o caçador enfraquecido vira caça no dia seguinte.
A seleção natural só tem olhos para o indivíduo. A ela não interessa o futuro de qualquer espécie. Haja vista quantos milhões delas acompanharam os dinossauros nas extinções em massa. Não existe grandiosidade nos desígnios da evolução. Ela segue curso inexorável, mero resultado da soma aritmética de pequenas conquistas individuais que conferem microvantagens na hora da reprodução.
A evolução não moveu um dedo para impedir que o homem moderno, filho de caçadores e coletores que se matavam por comida, inventasse a poltrona e o disque-pizza. Como resultado dessa ruptura com a tradição de escassez permanente de alimentos vieram a obesidade, diabetes, hipertensão e os infartos do miocárdio.


Maior incidência de infartos
Depois da Segunda Guerra, nos países industrializados, foi descrita uma epidemia de ataques cardíacos em homens de 50 anos e mulheres na menopausa. Essas mortes criaram um clamor público: o que estaríamos fazendo de errado com nossas vidas para merecer tal punição?


Bode expiatório
Habituados a interpretar fenômenos biológicos com lógica religiosa, os homens associaram o prazer ao pecado. Sexo e paladar, os maiores prazeres conhecidos, são os principais suspeitos de qualquer doença. Como no caso dos infartos não parecia razoável culpar o sexo, praticado à larga pelo homem desde tempos ancestrais, a suspeita caiu sobre a alimentação.
Estávamos nos anos 60, era da contracultura, da valorização da vida campestre em oposição à sociedade industrial. Era moda acreditar na alimentação vegetariana produzida sem fertilizantes químicos como condição de saúde. A suspeita, então, caiu em cheio sobre a carne vermelha, o alimento preferido pela maioria das pessoas. Afinal, gostamos de peixe, mas precisa ser bem feito; e de frango, dependendo do tempero; mas carne vermelha, de qualquer jeito é bom. Não é preciso ciência no preparo. Basta pôr na brasa e jogar sal grosso. O cheiro de peixe na panela faz perder o apetite, o de frango é neutro, mas o de carne junta saliva na boca. É reflexo ancestral.

22/03/07 20:54  
Blogger Marcos Brogna disse...

Caro anônimo, o tema é polêmico e controverso. Nosso próprio organismo leva muitos especialistas a afirmarem que não fomos "construídos" para consumir carne, já que temos intestino longo (carnívoros os têm curtos), não temos presas nem garras, nosso suco gástrico não é tão concentrado para digerir a carne etc...
O mundo "moderno", que industrializou a antiga caça, chama até mais a atenção que o passado. As pastagens para se criar animais de corte consomem áreas que poderiam gerar muito mais alimento vegetal. Ademais, a alimentação de tantos animais consome uma quantidade enorme de grãos e água.
Para se ter uma idéia, os recursos naturais utilizados para alimentar um onívoro (que come carne) alimentariam 20 vegetarianos. Um exemplo prático: se os americanos reduzissem em pelo menos 10% o seu consumo de carne, a quantidade de grãos poupados poderia alimentar 60 milhões de pessoas.
Mas, ainda fico com a defesa da vida como o melhor argumento. O planeta é de todos os seres e nenhuma espécie têm o direito de confinar, escravizar e matar qualquer outra.
Em quase três anos de vegetarianismo, caro Anônimo, nunca me senti tentado nem salivei pelos hábitos que teriam marcado a alimentação dos meus ancestrais. Até porque evoluímos bastante em muitos costumes.
Uma berinjela suculenta na grelha ou uma batata na brasa me atrai mais. Se acompanhadas de uma cervejinha gelada, então, já esqueci que existiu a era das cavernas.
Grande abraço a todos e um ótimo final de semana!

22/03/07 21:35  

Postar um comentário

Links para esta postagem:

Criar um link

<< Início