2.2.07

Waaal!

Há uma década morria Paulo Francis. Figura caricata, era quase a própria notícia, protagonista dos seus comentários na TV ou em grandes jornais impressos, em que sempre se lia a expressão que era seu sinônimo: "Waaal".

Sua pena arrogante marcou época e talvez não suportasse a dialética aberta pela internet, pelos blogs e afins, em que o leitor participa não apenas criticando, mas ajudando a construir ou a desconstruir opiniões. Francis era dono da opinião, e não a dividia com ninguém.

Mas quem viveu perto dele diz que todo aquele jeito de senhor da verdade escondia uma pessoa doce. O Francis arrogante chegou a declarar certa vez que os diretores da Petrobrás tinham conta na Suíça, o que lhe gerou um processo milionário e - dizem - apressou a morte de um Francis sensível e tímido.

Eu lia Paulo Francis na "Folha" e, depois, no "Estadão", quando estava debutando como leitor do jornalismo impresso. Eram textos enormes que a fúria da vida moderna não aceita mais. Não havia nada de cor e, em vez dela, muitas letras, palavras, frases.

Não sei se Francis e seus contemporâneos do jornalismo escreviam demais ou se a sociedade está ficando mais burra com jornais de hoje que mais se parecem com baleiros, oferecendo apenas drops de textos aos seus leitores e até prometendo leitura de toda a edição em cinco minutos. Waaal!