6.1.07

O show da vida

Um dos grandes professores que tive nos tempos de graduação na Cásper Líbero, Clóvis de Barros (autor de "A Ética na Comunicação"), adorava citar em suas aulas a "Hipótese da Agenda Setting", que era mais ou menos assim: a mídia dita a agenda a ser discutida pela sociedade. Exemplo: se o "Fantástico" bombardeia determinado assunto no domingo, aquele assunto será pauta de discussões das pessoas durante a semana.

Lembrei-me do professor Clóvis porque estamos às vésperas de mais um Big Brother. E, pelo menos nos seis BBBs anteriores, muita, mas muita coisa girou em torno desse circo chamado de "reality show", que está muito mais para um desfile de modelos escolhidos a dedo para serem assimilados pela grande "massa" do que para realidade da vida.

Não parece que este será diferente. Até porque, antes mesmo antes de começar o show, a discussão sobre o assunto ferve: matérias e mais matérias em tudo quanto é publicação sobre os participantes e todas as novidades do BBB7.

Está começando de novo aquele transe que faz lembrar "O Show de Trumman". Será que, desta vez, a internet que tanto serviu de guardiã da democracia nas últimas eleições, servirá como uma luz no fim do túnel?

Imagem SXC

6 Comments:

eu mesma said...

Pra combater esse mau gosto de BBB7, só mesmo um BBB1, aqui em Americana Big Brother Brogna1, dando oportunidade pra gente xeretar o dia inteiro, o que vc ta fazendo na redação...Ja pensou?

11:09 AM  
Marcos Brogna said...

Eu Mesma, quando quiser fazer uma visita à redação do jornal, será um prazer recebê-la.
Sobre a sua idéia, o blog é um espaço sempre aberto às opiniões de todos. Aliás, ele é construído não só por mim, mas por todos que dele participam. Por ora, entretanto, vou ficar devendo as câmeras em tempo real para completar a interação.
Abraço e bom final de semana!

12:31 PM  
Anonymous said...

Olá, Marcos. Você já percebeu o poder que a Dona rede globo tem para "fazer a cabeça" dos cidadãos brasileiros? Fico a imaginar e a sonhar que se ela realmente quisesse mudar o Brasil,fazê-lo tornar-se primeiro mundo, com toda certeza o faria, mas, ao invés disso ,para o lamento de poucos, os programas são dirigidos à pessoas bitoladas,infelizmente, ignorantes e que acham o máximo um horror feito bbb. Se ela ditar a moda que é chic sair com uma melancia na cabeça, pelado e de chinelão, teríamos que nos deparar com horríveis imagens pelas ruas. Até quando seremos reféns de uma emissora que dirige , literalmente, este país, e de um modo cada vez mais prejudicial e degradante?
Abraço

6:33 PM  
Marcos Brogna said...

Concordo com você, Anônimo. E creio que jamais interessaria à Globo mudar o Brasil. Porque um império que atua quase como monopólio da mídia televisiva numa país tão grande e diverso como o Brasil já é, em si, uma aberração a ser mudada. Então, para mudar o Brasil, seria preciso "desmonopolizar" a televisão (que é uma concessão pública, lembremos). Aí, não existiria mais a Rede Globo, tal qual a conhecemos. Como isso não acontece, dá-lhe BBB, na mesma telinha que ajudou a sustentar uma ditadura de 20 anos. Eis a mágica do plim-plim.
Abraço!

8:47 PM  
Cleusa L.Degrossoli said...

O problema é só a Rede Globo?
Trocando os nomes as outras emissoras não têm BBB?
Não têm novelas que imbecilizam?
Jornalismo tendencioso?
Programas de auditório absurdos?
Que tipo de expectador que tem sua cabeça feita pela Globo, sbt, record, Band, etc... Por que a TV Cultura não "vinga"? só a plim-plim é responsável pelos absurdos que vemos no dia-a-dia cometidos por gente do governo e da sociedade civil como um todo?
Todos temos muito a perder, mas quem é mesmo que escolhe as músicas que serão tocadas, os filmes que serão campeões de bilheteria, a moda (que por repetição até pode ser a melancia) os produtos que serão consumidos, quem será nosso presidente, que prestigia assuntos dos famosos?
Creio que está acontecendo algum tipo de miopia coletiva em se apurar responsabilidades e sugerir soluções para as nossas dificuldades.

10:44 AM  
Marcos Brogna said...

Cleusa, interessante sua observação. Não é só a Rede Globo. Acontece que a Globo ainda é muito mais poderosa em audiência porque se tornou um império ao compactuar com um regime autoritário, com um projeto maquiavélico de "unificar" os cérebros dos brasileiros.
Isso não quer dizer que só haja coisas ruins na Globo. Nem que outras emissoras, assim como outros veículos de comunicação deixem de acompar o cortejo do emburrecimento coletivo.
Mas, felizmente, está mudando alguma coisa. Chegou a internet, onde há inúmeros espaços como este colocando em xeque esse modelo e desafiando outros veículos a sobreviverem, desde que se abram mais ao senso crítico. É a grande revolução da comunicação, da qual estamos participando. Abraço!

11:18 AM  

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