A mídia a ver aviões
As contradições que começam a aparecer depois da tragédia nas obras do metrô paulistano expõem não somente possíveis erros por parte de governos e empreiteiras. Os erros passam também pelas folhas da própria mídia.Vejamos por que. Não é o primeiro acidente ocorrido na perfuração do subsolo para a linha 4 do metrô. Um sobrado chegou a cair no ano passado. E uma carta escrita, em setembro passado, por moradores próximos às obras, dava conta de que suas casas apresentavam rachaduras. Ou seja, uma denúncia séria de que poderia haver problemas.
Apesar disso, jornais, TVs, rádios e revistas estavam, na época, muito mais preocupados com o caos aéreo, numa cobertura que, quanto mais repetitiva ficava, menos informava.
Claro que nenhuma redação tem bola de cristal para adivinhar as "bombas" a estamparem manchetes, mas havia indícios para uma investigação jornalística nas obras do metrô, que nenhum veículo de comunicação se dispôs a fazer.
Fossem mandados para investigar a obra do metrô alguns dos tantos repórteres pautados para ver aviões em aeroportos, certamente alguma matéria poderia antecipar o problema que culminou na cratera de 80 metros de diâmetro, onde se estima haver soterrados sete seres humanos.
Imagem SXC


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