18.1.07

Já chega de carroça

Já era hora de, em pleno século 21, depois de o homem já ter pisado em solo lunar, as carroças deixarem de vez o cenário urbano. Campinas saiu na frente. Um projeto de lei elaborado pelo ex-vereador e agora deputado estadual Feliciano Nahimy Filho (PV) proíbe a circulação desse tipo de transporte na cidade. A proibição entra em vigor em três meses.

O motivo é evitar os maus-tratos aos animais, muito mais comuns do que se imagina. E a argumentação para uma medida do tipo pode ser contemplada até na inviabilidade econômica das carroças.

Convenhamos: manter um animal de grande porte para utilizá-lo em carretos no meio urbano, onde cada metro quadrado é cada vez mais disputado, chega a ser mais caro que ter uma Kombi velha. A menos que o animal seja mantido em cubículo, sem alimentação adequada e com horas excessivas de trabalho, o que é crime e deve ser combatido pela sociedade.

Animais são vidas dignas de respeito e mesmo os que parecem ser fortalezas sobre patas sentem dor e medo. Olhemos à nossa volta e percebamos o quanto se empilha peso em carroças a que os pobres bichos são amarrados, o quanto se açoitam esses seres indefesos. O ser humano não precisa sobreviver disso.

Quem tiver coragem, acesse o link abaixo para conhecer um pouco sobre a vida e a morte dos animais de tração:
http://www2.uol.com.br/focinhos/especiais/04_04_12_animais_charrete.shtml

Imagem SXC

9 Comments:

diógenes said...

Acho válida a preocupação com os animais, porém, não podemos esquecer do outro lado da moeda, as familias carentes que tem como único meio de transporte a carroça.

Acho esta lei um total absurdo. Seria muito mais salutar discutir e aprovar leis que promovam uma maior dignidade as famílias carentes e não simplesmente proibir a circulação de carroças.

Proibir a circulação de carroças, nem de longe, garante bons tratos aos animais.

5:25 PM  
Marcos Brogna said...

Caro Diógenes,
Permita-me um tempero a mais na discussão. A lei de Campinas proíbe as carroças no espaço urbano, onde mal cabem os carros e fica muito mais barato se locomover de ônibus do que manter dignamente (com espaço, alimentação e cuidados veterinários) um cavalo para servir de veículo de locomoção.
Concordo com você que as leis devem contemplar as pessoas, principalmente as carentes. Mas isso não exclui a possibilidade de zelar pela dignidade de outras vidas, mais indefesas do que nós, humanos "racionais". Precisamos evoluir no sentido de destruir menos e aprender a coexistir com a natureza. Grande abraço!

5:40 PM  
João said...

Finalmente, alguma atitude. Existem pessoas que criticam alguns cientistas e médicos por causa de algumas práticas, alegando que eles estão "brincando de Deus", enquanto tudo que eles querem é melhorar a qualidade de vida da humanidade com terapias avançadas ou controle de natalidade. Mas normalmente esse mesmo tipo de pessoa ignora solenemente que a humanidade é o verdadeiro demônio para muitos animais, que são humilhados, carcerados, abatidos, mutilados e muitos outros tipos de privações.

É lamentável que uma lei seja necessária para que assim esses animais sejam devidamente respeitados, mas fico feliz que ela exista. Espero que as demais autoridades municipais do interior, que adoram copiar 'taxas do lixo' e outras decisões de cidades maiores, se mirem no exemplo campineiro e a adotem também. Seria um bom começo.

9:26 PM  
Marcos Brogna said...

João, interessante você tocar no tema ciência, pois abre a discussão para um outro absurdo: o que ainda se faz com animais em laboratórios. E o pior: grande parte dos testes feitos com esses seres indefesos sequer serve, de fato, como parâmetro para os humanos, apenas cumpre uma praxe especista e cruel. São aberrações do tipo espirrar veneno nos olhos de coelhinhos para saber como seria a reação do produto aos olhos humanos. Ou amarrar símios, machucá-los e enfurecê-los para tentar entender um pouco a mente dos homens. Práticas de tortura bizarras, jamais de evolução do conhecimento.
A lei da vida não precisaria de outras legislações, como bem você coloca. Viver é deixar viver, respeitar a vida em todas as suas formas.
Grande abraço!

1:58 AM  
diógenes said...

Marcos, concordo com você com relação a proteção dos animais. Porém, proibir a circulação de carroças na cidade não significa nenhuma ação concreta de proteção aos cavalos.

Uma lei deste tipo, na minha opinião, é discriminatória do ponto de vista das familias que possuem tal meio de locomoção.

É mais uma lei no estilo "tapa-buraco", nome que nos remete a ação que o governo realizou para tapar os buracos nas rodovias federais.

Não adianta simplesmente atacar o sintoma, é preciso ir na causa do problema e criar leis que possam garantir, realmente, a proteção e bem estar dos animais.

grande abraço

10:31 AM  
Cleusa L Degrossoli said...

Quem dispõe de um veículo seja para locomoção ou, como ferramenta de trabalho, tem custo com pagamento de tributos, substituição de peças, seguros,manutenção, etc.
Quem não dispõe de veículo geralmente faz uso de outros meios de locomoção.
Quem é proprietário de um animal com objetivo de usá-lo como meio de transporte ou para o trabalho, tem que assumir gastos com sua alimentação, remédios, água, protegê-lo da ação da natureza e do tempo, etc. e ainda reconhecer que o mesmo tem todo o direito de receber atenção pelo conforto proporcionado aos seus proprietários.
Em relação ao trânsito, um animal assustado com buzinas de motoristas impacientes, com manobras assustadoras de motociclistas, além das chibatadas, (que somos obrigados a assistir) representa grande risco de acidentes. Além disso nossa cidade já teve muitas vítimas de animais que escapam e saem às ruas provocando acidentes e mortes e nestes casos os proprietários nunca aparecem.
Concluindo, na escala de prioridade à vida, é óbvio que as pessoas devem vir antes dos animais, mas sendo as pessoas dotadas de razão, têm por obrigação moral e legal, cuidar dos animais. No caso de necessidade de exploração dos mesmos, sejam estas pessoas detentoras de bons recursos financeiros ou não, têm que assumir suas obrigações de posse responsável aí sim, haveria justiça à vida.

1:46 PM  
João said...

Cleusa, não é tão óbvio assim que numa provável escala de prioridade à vida as pessoas devam vir antes dos animais.

Como animais, que somos, tendemos a proteger o próximo (numa situação normal) graças a nossa capacidade de projetar nossos sentimentos no outro. Isso se chama empatia.

Essa capacidade é que nos faz achar perfeitamente normais a criação de animais em cativeiro para o abate e consumo ou o violento sacrifício de sabe-se lá quantos animais para testar um simples cosmético, enquanto alguns métodos de controle de natalidade são recebidos com ojeriza por parte da sociedade.

Se ignora solenemente que animais sentem medo, dor ou angústia, enquanto a preservação a todo custo da vida humana chega a patamares quase ridículos.

O resultado é que o planeta não dispõe de mais recursos para atender as necessidades de todos seus habitantes, sendo que o abastecimento e fornecimento de alguns recursos renováveis, como a água, tende ao colapso em pouco tempo em várias regiões.

Biologicamente, não somos tão especiais assim. Como todos os outros seres vivos, temos células baseadas em carbono, orgãos internos, sangue e compartilhamos boa parte de nossa carga genética com os chipanzés. Por isso, dependemos de um ambiente pleno e que nos dê condições harmoniosas de sobrevivência como espécie, custe o que custar.

E isso significa muito mais do que oferecer conforto a uma ou outra espécie animal, mas sim respeitar o planeta e todos seus outros habitantes, sem pilhar seus recursos naturais, o que é impossível com 6,5 bilhões de pessoas no mundo.

2:06 AM  
Anonymous said...

Como é que é?? Lei absurda?? É uma lei excelente e demorou para que acontecesse. O Sr. Diógenes já viu como são tratados os cavalos pelos carroceiros?? Pelo jeito não, azar o deles se não tem outro meio de locomoção, que andem a pé ou de ônibus. Eles , em momento algum, respeitam os animais que tanto fazem por eles, não dão comida adequada , não dão tratamento veterinário, não dão nem ao menos água. E ainda no fim da vidinha do bichinho, simplesmente abandonam , sem a mínima consciência, como se não fossem de carne e osso, como nós, humanos,"humanos"??? Não me venham falar que é o meio de vida deles, pois acho que estão nessa vida por algum motivo. 99% dos carroceiros são pessoas hostis, alcólatras, etc..Eu tenho carro, tenho que arcar c/ todas as despesas adivindas desse luxo, pois é, eles não arcam c/ nada, nem ao menos respeitam o pobre do animal, aliás , só judiam e exploram. Eu tenho verdadeiro horror qdo. vejo carroceiro, não tenho pena, só consigo ter raiva do desprezo deles para c/ o "irracional"que se mata de trabalhar por eles. Oxalá essa Lei vigore tb. em nossa cidade. Pelo jeito o Sr. Diógenes não gosta de bichos, se gostasse , c/ certeza, iria aprovar essa lei e não achá-la absurda!! Salvemos os pobres bichinhos das mãos dessa corja, salvo 1% deles.
Abraço

11:37 PM  
Caroline Graciani said...

Muito legal saber sobre esta Lei, é um grande passo.
Aproveito pra elogiar O Liberal pela iniciativa de sempre dar destaque a matérias referentes a maus tratos contra animais, com o objetivo de conscientizar a população. É muito difícil os meios de comunicação terem esta preocupação.

Um abraço!

9:47 AM  

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