13.1.07

Havia risco ou não?

Um dos engenheiros responsáveis pelas obras da linha 4 do metrô de São Paulo dizia na TV, horas depois do acidente de sexta-feira, que a monstruosa cratera que se formou, engolindo carros como se fossem de brinquedo, é um risco constante em obras do tipo. Mais: disse que o ideal seria a metrópole ter pensado em abrir seus túneis de metrô no século passado e não agora, quando a realidade acima do subsolo é de muita gente e muita vibração.

Independente do que seria ideal, acontece que, segundo informam sites neste sábado, moradores próximos à obra chegaram enviar uma carta à empreiteira reponsável pelos serviços avisando, em setembro passado, que havia rachaduras em imóveis ao redor. A resposta da empresa, em novembro, foi enfática: não havia nenhum (foi usada a palavra "nenhum") risco de desabamento.

Ora, havia risco "como sempre há em obras do tipo", segundo a explicação posterior à tragédia, ou não havia "risco nenhum", segundo a explicação dada antes de um buraco de 80 metros de diâmetro se formar? Essa é apenas uma das interrogações que esse caso inspira.

Imagem SXC

2 Comments:

João said...

Ah, a velha e boa arrogância institucionalizada. Normalmente só costuma chatear as pessoas, mas desta vez foi mais sério.

De certo, ninguém será investigado ou punido. A empresa vai se defender com uma série de papéis de origem duvidosa, e o caso será considerado "uma fatalidade", mera obra do acaso.

Sem surpresas: esse país é uma piada, e não há motivo para ser diferente agora.

7:44 PM  
João Tavares said...

Meus cumprimentos ao Tito Menito (O Liberal 17/01 pág.15) "Se a tragédia da cratera aberta na obra do metrô em Pinheiros, acontecesse na administração do engenheiro Paulo Maluf, ele já teria sido soterrado pela "grande mídia" que anda mesmo quietinha sobre as responsabilidades." Se concentraram nos atrazos dos aviões e esqueceram de fiscalizar as obras do metrô. O rio Pinheiros não é o mesmo de 30 anos atrás, o solo é muito turfoso. Dor em ser humano é sinal de alerta; rachaduras em obras é diferente???
João Tavares

11:11 AM  

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