14.12.06

Justiça dos injustos

Faz sete anos que o jornalista e ex-diretor de redação do "Estadão", Antonio Marcos Pimenta Neves, matou a então namorada, Sandra Gomide, a tiros. Mas, apesar de já condenado (seis anos após o crime) a 18 anos de prisão, ele ainda está solto. Ficou apenas 7 meses detido logo que praticou o homicídio, porém, depois de condenado, conseguiu um curioso habeas corpus que permitia que ficasse solto até julgado o recurso à condenação.

Na última quarta-feira, entretanto, o Tribunal de Justiça de São Paulo expediu um mandado de prisão do jornalista. Mas, na manhã desta quinta, ele não foi encontrado em sua casa e já é considerado foragido.

O pobre que rouba um saco de arroz para fazer o estômago parar de roncar vai para a cadeia, fica lá até o julgamento e, caso condenado, continua preso. Muitas vezes, mesmo que cumprido o prazo de detenção estipulado na condenação, permanece mofando atrás das grades.

É o Brasil onde as leis são feitas da elite para a elite. Quem tem dinheiro para pagar bons advogados e influência diante dos poderes, pode tudo. Pode até se beneficiar de brechas que escancaram a fragilidade injusta das regras. Já quem não tem dinheiro e poder, apodrece no falido sistema prisional, que transforma ladrões de galinha em alto escalão do PCC.

É a justiça a serviço dos injustos, que condena o País ao fracasso eterno.

Imagem SXC

4 Comments:

Anonymous said...

Qualquer pessoa com o mínimo de inteligência podia perceber que Pimenta Neves faria isso quando, se por uma incrível decisão da Justiça, tivesse de voltar à cadeia. Infelizmente a lei brasileira dá tantas brechas que conseguimos produzir em excesso criminosos como Pimenta Neves, Suzane, os envolvidos nos escândalos de corrupção, e mais tantos outros casos que vemos por aí. Uma lei absurda, que determina que qualquer pessoa condenada a mais de 20 anos de prisão tenha direito a novo julgamento, e até mesmo possa ficar em liberdade no decorrer do processo. Claro que isso somente ocorre com quem tem dinheiro, pobres ficam na cadeia. É só assistir qualquer Linha Direta para ficarmos estarrecidos da razão pela qual a pessoa está foragida: apesar do flagrante, da confissão, conseguiu responder ao processo em liberdade e, é claro, fugiu. Isso acontece desde sempre. Lembro-me de um caso famoso no Paraná, em que um homem matou sua ex-mulher com "apenas" 72 facadas, sendo provado que agira premeditadamente. Ainda assim, em todas as instâncias, foi absolvido, porque havia agido "sob forte emoção". Isso aconteceu no início da década de 90 e, de lá para cá, a lei em nada melhorou. E ainda vemos pessoas querendo mudar o sistema, reduzindo ainda mais o mínimo de permanência possível na cadeia de quem cometeu crime hediondo. Odeio pensar e dizer isso, mas quando vejo esses casos, infelizmente, tenho vergonha de ser brasileira.

11:18 AM  
Marcos Brogna said...

Anônima, seu desabafo retrata o quem muitos brasileiros -inclusive eu- sentem diante de tantas disparidades inaceitáveis neste País. Penso que é necessária uma reformulação da legislação, que carrega influência de uma época em que havia muitos presos políticos, vítimas de um regime torturador (daí, tantos direitos de defesa na Constituição feita logo que a ditadura ruiu). Hoje, os tempos são outros, e os presos também.
Entretanto, creio que mais importante que qualquer outra mudança é fazer valer a premissa de que todos são iguais perante a Justiça, seja o rico, seja o pobre. Infelizmente, essa premissa é um sarcasmo diante da realidade que vemos. Abraços!

12:11 PM  
Zé Carlos said...

Pimenta Neves e os bandidos que que queimaram a familia em Bragança tinha que morrer. Pena de morte JÁ

12:18 PM  
Tania said...

Concordo com o que o Marcos disse sobre a influencia do periodo da ditadura e que é preciso uma reformulação das leis. Me lembro que há alguns anos fiquei muito chocada com o assassinato de um casal de jovens,Liana e Felipe,torturados e assassinados por um menor, o Champinha. E o que vai acontecer com esse "monstro" quando ele sair da FEBEM? Agora o caso de Bragança, confesso que estou revoltada e indignada. Aqui em Bragança a violencia já é uma dura realidade, mas esse caso foi estarrecedor. Aqui o clima é de revolta e todos clamam por justiça. Mas que justiça? Confesso que sou apaixonada por discussões politicas, sociais, culturais e pela RACIONALIDADE do ser humano. Mas as vezes EU TENHO VERGONHA DE SER HUMANA!!!

10:38 PM  

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