Big brother na net
Um projeto de lei que seria discutido nesta quarta-feira por comissão do Senado obriga que, a cada clique que você der no seu teclado para interagir na internet, terá de se identificar, inclusive com número do seu CPF. O modelo é similar ao que é adotado na China, onde não apenas a internet é controlada como todo tipo de liberdade é cerceado pelo governo.Não, leitor, não é um projeto do governo do PT, que teve no ano passado a desastrada idéia do Conselho de Jornalismo. O projeto de controle da internet é do tucano Eduardo Azeredo e a punição para quem não se identificar na rede mundial de computadores é nada menos que prisão. Isso mesmo, webnavegador, prisão por navegar sem escancarar seus caminhos aos “controladores”.
O autor do projeto justifica que sua idéia visa coibir o crime virtual. E lembra Maquiavel: para se chegar à finalidade de pegar criminosos, usam-se meios que tiram a privacidade também dos honestos. É como se despirem todos os consumidores de um supermercado para encontrar aquele que escondeu um produto sob a roupa.
Azeredo, que acabou convencido a adiar a discussão de sua propositura, poderia ter sido mais original. Além de invocar Maquiavel, ele encarna a "profecia" de George Orwell, que escreveu na década de 1950, no livro “1984”, que seríamos vigiados pelo “big brother”, o olho espião do governo totalitário. Da “teletela” que Orwell descreve (que nos enxerga dentro de nossas casas) para a internet dos sonhos de Azeredo, a certeza é o fim da liberdade. Já o crime, este não tem fim.


18 Comments:
Melhor exemplo não poderia ter sido fora o da aclamada obra de Orwell onde, de forma incrível, reflete a humanidade nos dias de hoje.
Uma sociedade corrompida e moldada pela globalização.
Um mero detalhe foi Azeredo ter dito, em uma de suas entrevistas que "teremos progresso".
Hoje em dia, com as pessoas mais preguiçosas, trocar frases enormes por palavras pequenas virou mania.
Vejamos o significado da palavra "Progresso" = "Acumulação de aquisições materiais e de conhecimentos objetivos no quadro de uma cultura."
Agora... Como tratar da cultura de uma nação onde não existe uma identidade específica ?
É o mesmo que querer vestir um marionete preso por arames; pode até cobrir, porém os furos serão inevitáveis.
George Orwell mostrou-nos somente os resultados do colápso mundial. Más aos informados, as causas do colápso já se fazem visíveis.
Marcos,
Sou tucano mas não concordo com o projeto do Azeredo. Aliás esse projeto tem mesmo a cara é do PT que privilegia aproximação com países como a China, Cuba, Venezuela e algumas ditaduras africanas que têm por hábito censurar e punir qualquer tipo de liberdade de expressão que não seja pró-governo. É bom lembrar mesmo que o Lula e o PT tentaram criar a ANCINAV, um projeto de censura tão abominável que nem a ditadura militar teve coragem de implantar. Criticar a imprensa, seja Globo, Veja, Carta Capital, etc) é uma prática antiga e constante do PT e de seus partidecos aliados. Esse projeto do Azeredo não representa, em hipótese alguma a ideologia tucana, cujo propósito numero um é trabalhar pela manutenção da democracia e do estado democrático de direito. Algo que muita gente deveria conhecer muito bem antes de se decidir pelo voto para partidos anti-democratas que no palanque têm um discurso mas na sua pagina de internet mostram muito bem a sua cara. Quem são eles? Não é dificil saber, procurem no google qualquer coisa com vermelho e com estrela, as mesmas cores da China. Aquela mesma que está acabando com a industria têxtil no Brasil.
Marcos,
O PT ensaiou iniciativa semelhante logo no início do governo. Lançou um balão de ensaio e diante da indignação geral e antecipada não deu continuidade à infeliz iniciativa.
Na verdade esse projeto é dos Bancos. Eles estão fazendo lobby de todas as formas para conseguirem um maior controle da Internet (como se o cyberespaço fosse propriedade de alguém).
Ontem, aqui no Correio Braziliense, assistimos um grande palestra do Caio Túlio Costa. Perguntado acerca do Projeto de Lei ele disse ser a coisa mais inócua do mundo. Caso fosse aprovado, segundo ele, todos os sites brasileiro passariam a ter um registro .com, para não sofrer bloqueio, e surgiriam inúmeros provedores a oferecer acesso internacional.
É isso que é o mais legal na Internet. Ela é de todos. Ela é anárquica. É o único veículo que permite muitos falarem para muitos.
Abraço para você.
Caro Marcos
Acho muito interessante que nossos colegas tucanos gostam de associar o PT ao comunismo, à censura etc... Quem dizer que a VEJA pode usar as palavras que quiser, usar a informação como quiser, geralmente prara favorecer um grupo politico e está tudo bem??? Acho que estamos confundindo LIBERDADE com LIBERTINAGEM o que acompanhamos durante essa eleição foi uma verdadeira guerra envolvendo calunia, difamação e até racismo. Afinal de contas pensemos qual é a ditadura: a do PT ou a da imprensa marrom que se diz imparcial e substima a capacidade intelectual do POVO brasileiro. Será que aqui só a elite pensa? Sei que o tema é o projeto do Azeredo, que sou contra pois a internet tem sido nossa arma mais poderosa na luta contra a "venda" que certos grupos da midia querem por nos nossos olhos. Gostaria muito que você comentasse sobre essa campanha absurda que está rolando na internet sobre boicotar porteiros, motoristas, faxineiros e tantos assalariados agora durante a época de Natal por julgarem que eles foram os responsavéis pela reeleição do Lula.
Aprecio muito seus comentários....
Pois é Anonymous...
Voce é contra o projeto do Azeredo mas deu a entender que gostaria de uma censurazinha contra coisas que não são do seu interesse.
A Veja não pode falar o que quiser, mas o Paulo Henrique Amorim (Record e IG) pode. O Franklin Martins (Bandeirantes e IG)também pode. O José Dirceu(o chefe da quadrilha dos mensaleiros) tem Blog no IG só para criticar os tucanos. Quanto à associação do PT ao comunismo eu não gosto nada, apenas estou informando a população que o PT É aliado a todos os partidos comunistas do Brasil, ou não é? O presidente da Camara, que é do Partido Comunista do Brasil está lá por que o Lula e o PT o colocaram lá. Estou mentindo???
Vamos esquecer partidos e ideologias políticas. O ato proposto por Azeredo é grave por si só. Um desrespeito a democracia, que demostra total falta de conhecimento do que é e o que significa Internet.
Diógenes. Você falou pouco mas falou disse muito!
O que está em questão é o controle, ou não, da mídia on-line pelos cidadãos...
Caros companheiros de blog,
Está ótima a discussão. Esse tema precisa ser debatido e só assim se conseguirá impedir mais uma tentação totalitária sobre a liberdade de expressão. É isso, Diógenes, não se trata de briga partidária e sim de um fato gravíssimo em questão: a tentativa de controlar a liberdade que se conquistou neste país às custas de muitas vidas.
Posicionei-me contrário à idéia do Conselho de Jornalismo, na época em artigos apenas no jornal impresso porque não tinha blog. Da mesma forma, me posiciono contrário ao controle da internet. O Conselho foi proposto por petistas e o controle da net, por tucanos, mas isso é detalhe, considerável mas secundário. O posicionamento da opinião pública não deve se resumir ao partido "x" ou "y". Deve, sim, focar a proposta em questão.
Penso que todos podem falar o que querem numa democracia, caro Carlos, desde que cada um se responsabilize por aquilo que fala e assuma honestamente suas posições dentro do contexto do Estado de Direitos. Caso contrário, a mídia pode e deve ser foco de investigação do poder público, sim, porque também está sujeita às leis.
A "Veja" e vários jornais solidários estão gritando porque dois repórteres da revista tiveram de depor (apenas como testemunhas!) no caso dossiê e isso seria uma "humilhante opressão". A "Folha" hoje grita porque teve um sigilo telefônico quebrado também em meio às investigações sobre o dossiê. Ora, se não devem, que não temam. Ninguém está entrando nas redações desses veículos para ler o que sairá no dia seguinte ou capturando jornalistas para torturar, como se fazia no regime militar. Portanto, não se trata de censura, mas investigação sobre um caso muito nebuloso que teve participação da mídia não apenas como meio de comunicação.
Voltando à internet, creio que ela foi o maior palco da democracia nessas eleições, muito além dos jornalões. Talvez esteja aí a verdadeira vocação da comunicação virtual: democratizar a opinião, em espaços como este blog. Será uma grande conquista da sociedade, caso isso se consolide.
Essa discussão vai para O LIBERAL impresso, domingão.
Abraços!
Caros senhores,
Me desculpem mas a proposta de debate político já se iniciou quando foi colocado que não era coisa do PT e sim do PSDB. Digo mais, acho que é tão político que esse tema tem sido objeto de constantes debates desde que o Lula foi eleito em 2002. Além do abominável conselho de jornalismo ainda temos o caso do jornalista americano que quase expulsaram do Brasil e mais recentemente a agressão a jornalistas em Brasília.
O assunto é político quando poderíamos discutir uma forma inteligente de desestimular as baixarias não apenas na internet mas em todos os meios de comunicação. A mesma pessoa que critica uma corrente de e-mail na internet assiste tranquilamente ao programa do Ratinho, Luciana Gimenez e uma doida que se apresenta em uma cama na MTV falando coisas que eu nem tenho coragem de repetir. Nossos jovens hoje compram CD´s e vão a shows de grupos que só falam palavrões e de crimes em seu repertório. Toda essa gente só existe porque os programas que lhes dão espaço têm patrocinadores que não se importam com isso. Como tudo gira em torno de dinheiro, se houvesse uma campanha nacional para não comprar produtos de patrocinadores que sustentam todo esse lixo não haveria necessidade de estarmos aqui discutindo censura na internet.
Caros senhores,
Me desculpem mas a proposta de debate político já se iniciou quando foi colocado que não era coisa do PT e sim do PSDB. Digo mais, acho que é tão político que esse tema tem sido objeto de constantes debates desde que o Lula foi eleito em 2002. Além do abominável conselho de jornalismo ainda temos o caso do jornalista americano que quase expulsaram do Brasil e mais recentemente a agressão a jornalistas em Brasília.
O assunto é político quando poderíamos discutir uma forma inteligente de desestimular as baixarias não apenas na internet mas em todos os meios de comunicação. A mesma pessoa que critica uma corrente de e-mail na internet assiste tranquilamente ao programa do Ratinho, Luciana Gimenez e uma doida que se apresenta em uma cama na MTV falando coisas que eu nem tenho coragem de repetir. Nossos jovens hoje compram CD´s e vão a shows de grupos que só falam palavrões e de crimes em seu repertório. Toda essa gente só existe porque os programas que lhes dão espaço têm patrocinadores que não se importam com isso. Como tudo gira em torno de dinheiro, se houvesse uma campanha nacional para não comprar produtos de patrocinadores que sustentam todo esse lixo não haveria necessidade de estarmos aqui discutindo censura na internet.
O partido em questão, como já disse, é um detalhe considerável (por isso foi citado no texto, por ser uma informação e omiti-la é privar o leitor de uma verdade factual), porém não creio ser este o centro da discussão.
Acho muito interessante, Carlos, essa sua colocação sobre os consumidores se posicionarem diante de patrocinadores do lixo televisivo. Curiosamente, de novo, a internet tem sido o canal para ações do tipo, ainda tímidas, mas que podem crescer contribuindo para a conscientização da sociedade. Grande abraço!
É amigos, o ploblema sendo politico ou não o que incomoda é a falta de ética da imprensa...Como vc que me criticou por não falar oque o P. H. Amorim e o José Dirceu dizem, eu sei o que eles dizem só que o detalhe é que eles assumem a linha de pensamento e o IG em questão já assumiu a sua linha editorial assim como a revista Carta Capital que explicou à seus leitores a sua posição. Já os outros meios citados insistem numa "pseudo impacialidade" abominavél. Aquestão do projeto da internet me pareceu muito convinente pois tem sido um meio de fiscalização e de informação menos comprometido com grupos politicos e sim com a verdade. Obs me posto como anonimo pois estou criando meu blog e convido vcs em breve à discutirem questões politicas lá também...abraços
Caro Carlos concordo com você quanto ao lixo televisivo e já pratico esse tipo de boicote a muito tempo e mais uma vez cito a internet que "ajuda" na divulgação desse tipo de ação...Talvez esse seja mais um motiva para monitorar a internet...
Anônimo, diga-nos na oportunidade o endereço do blog. Estarei lá, com certeza e poderei identificá-lo também na coluna "Forum@LIBERAL" que sai aos domingos no LIBERAL impresso e une blogueiros/internautas em debates pertinentes.
Outro anônimo, concordo contigo. Me preocupa o fato de essa idéia de controle acontecer justamente quando a internet se presta a um trabalho de desconstrução de modelos viciados.
O debate está bom. Vou postar outro texto sobre o tema até o final da semana. Abraços a todos!
olá marcos...estou adorando os temas...discordando ou concordando (principalemnte com o Carlos!) é muito bom ter um lugar para essas discussões...abraços
Que ótimo, Anônimo! É realmente o propósito deste blog: abrir um espaço pioneiro na região para que nos falemos sobre temas de interesse público. É a primeira praça pública virtual feita aqui e comentada aqui, por gente da cidade. E nesta "praça" a diversidade é bem-vinda, porque é oxigênio da democracia. Se ninguém é dono da verdade, discutir as muitas verdades que há em cada um só nos tem a enriquecer, não é mesmo? Grande abraço!
Mas o que nenhum leitor deste Blog saiba, acredito eu, é que o projeto de autoria do tucano Eduardo Azeredo, tem o aval do Bradesco, que injetou dinheiro na sua campanha, o Bradesco é dona da Scorpus Tecnologia, empresa que já tem o projeto de identificação para acesso à internet prontinho. No mínimo suspeito, não acham leitores ?
Para quem não lembra, foi um vídeo que registrou o momento no qual o funcionário dos Correios Maurício Marinho foi flagrado embolsando R$ 3 mil e culminou na crise do Mensalão. Em seu depoimento à CPI no dia 22 de junho de 2005, ele também denunciou que o banco Bradesco venceu quase todas as licitações de contratos na área de informática.
O funcionário exonerado foi adiante: “Nem consigo imaginar a malha que envolve Correios e Bradesco. A empresa Scorpus, vinculada 100% ao Bradesco, ganhou licitação para fornecer equipamentos em todo o país. E, por último, levantar o envolvimento dos grandes clientes da ECT, que podem atingir muitos de vocês, deputados, hoje ligados a 1.050 agências franqueadas”.
Ninguém do PSDB foi citado no depoimento. O que ajuda a entender o silêncio dos tucanos no Mensalão e que meses depois também acabou por engolir Eduardo Azeredo, patrocinado pela mesma Scorpus em 2002.
No texto do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar intitulado “As Cabeças do Congresso”, de 2003, o senador Eduardo Azeredo (PSDB/ MG) é descrito da seguinte forma: “É especialista em tecnologia da informação, tendo sido presidente da Empresa de Processamento de Dados do Estado de Minas Gerais, superintendente da DATAMEC, da Empresa de Processamento de Dados de Belo Horizonte, além de presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados – SERPRO”. O senador teve o financiamento de R$ 150 mil para sua campanha de 2002 da Scorpus Tecnologia S.A.
Pois bem. Veja o que uma pesquisa de cinco minutos descobre sobre a terceira maior financiadora da campanha de Azeredo em 2002. No documento estratégico “Building an Information Society”, de janeiro de 2003, está escrito na página 221 que:
“Ao estabelecer links diretos com os provedores de Telecomunicações do Brasil (ao invés de comprar assinaturas de ISPs e distribuí-los entre os clientes do banco, embutindo os custos da assinatura na forma de tarifas mais altas), o Bradesco pôde evitar negociações com intermediários e estruturar o crescimento de uma rede de dados a um custo baixíssimo. Com sua base de usuários em crescimento, o Bradesco avançou em direção ao comércio on-line. O Scorpus é o braço eletrônico do banco e desenvolveu estratégicamente uma carteira on-line. Resumindo: onde ficam os dados de transações on-line, número de cartão de crédito, etc”.
Com os intermediários fora do caminho, adivinhe para quê vai servir ao Bradesco o lobby das empresas de certificação digital, espécie de cartórios virtuais, que atestam a veracidade de informações veiculadas pela internet nessa tungada na liberdade individual das pessoas que será votado amanhã.
Postar um comentário
<< Home