Jornalismo in memorian - 7
As notícias frescas da semana nos convidam a andar um pouco mais rápido no túnel do tempo da análise da imprensa às vésperas de eleições. De 1994, pulamos para 2006, na etapa final da guerra pelo atual pleito.Logo após o candidato tucano Geraldo Alckmin ter conseguido um feito ao passar para um segundo turno bastante improvável até os dias anteriores à votação, a mesma imprensa que teve nítida preferência pelo candidato lhe dá todos os holofotes. "Veja" (sempre a "Veja"!) e "Época" desta semana trazem na capa ninguém menos que Alckmin, em bela pose, como aquela de Collor, em 1988, lembram-se?
Um detalhe curioso deste caso é que "Veja" não ficou apenas na capa. Espalhou outdoors por São Paulo como se fosse uma propaganda da edição da revista, só que a edição tem como capa Alckmin, portanto a propaganda é para quem? Tanto que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acaba de obrigar a revista a retirar as peças publicitárias.


19 Comments:
O que podemos falar sobre isso?
Propaganda mais "na cara" impossível.
(nem vou falar que é uma apologia às privatizações e cia, pois não é essa a questão!)
Ridícula e lamentável essa postura da "Veja".
Me perdoem o trocadilho barato, mas "Veja" eu não vejo!
Abraço e bom feriado a todos!
Pra botar uma lenha divertida na fogueira = ]
click:
http://www.lent.com.br/viu/KeepAlckimin%5B2%5D.jpg
Abracao, Marcos
Postura nojenta de uma imprensa nociva e reacionária! Infelizmente o grosso do eleitorado não percebe essas artimanhas desprezíveis. A Veja é disparadamente o veículo de comunicação mais ardiloso, mesquinho e mal intencionado que temos em nosso país!
Parabéns pela série "jornalismo in memorian", achei muito interessante, bem sacada e demonstra que parte da imprensa ainda faz jornalismo como deveria ser, isento e preocupado e informar e apurar os fatos!
Abraços
O liberal noticiou na mesma página:"Veja é obrigada a retirar outdoors pró-Alckmin" e Educação - A 18 dias do 2º turno Lula lança pacote". Sugiro também a leitura da revista Exame edição 878 manchete de capa "Como esta eleição pode mudar o Brasil" estampada pela metade do rosto de cada candidato.
Explicar o que cada candidato pretende para com o País seria um grande serviço que a imprensa prestaria a todos, Cleusa. Muito mais do que o barulho sobre esse tal dossiê, que gerou mais fumaça do que fogo.
Essa sua citação das matérias do LIBERAL mostra enfoques críticos do jornal sobre ambos os candidatos, que vejo como enfoques justos diante dos fatos. Abraço!
Marcos,
Coloco uma das grandes questões do Jornalismo atual, e sobre a qual muito está sendo discutido em Brasília, para saber a sua opinião:
O que é melhor?
- Uma imprensa cuja busca deva ser a imparcialidade editorial?
ou
- Uma imprensa cujo objetivo deva ser a parcialidade honesta e transparente? Posição assumida e pública?
Abraço e parabéns pelo Blog
Wilson, que bom poder falar contigo, mesmo que virtualmente! Bela questão a sua.
Na minha opinião, a imprensa deve ser honesta com o leitor, independente das duas possibilidades que você coloca, ambas totalmente possíveis e bem evoluídas em alguns países.
Uma imprensa verdadeiramente objetiva e imparcial é importante para o desenvolvimento da sociedade porque mantém o distanciamento necessário da interpretação dos fatos, dando ao leitor explanações equilibradas e, o mais importante, o direito à conclusão acerca dos fatos.
Porém, é possível haver órgãos de imprensa que se posicionem e penso que, desde que o façam honestamente, nunca escondendo de seu leitor as suas posições, isso pode ser construtivo à sociedade. Penso, porém, que esse tipo de jornalismo é muito positivo em um contexto de mais órgãos de imprensa com posições distintas, permitindo ao leitor a escolha deste ou daquele veículo (ou, melhor, escolhendo vários). Isso é muito comum, por exemplo, em países europeus. Há os jornais mais à direita, outros mais à esquerda, e eles são transparentes com seus leitores, assumindo suas posturas.
O que é extremamente maléfico, ao meu ver, é continuar como se faz no Brasil. Jornais, revistas e emissoras de TV posam de imparciais, vendem isso como sua meta maior ao seu espectador, mas não cumprem com o prometido. Ou seja, mentem. E esse defeito histórico da nossa imprensa se escancara às vésperas das eleições, como está acontecendo neste momento, como aconteceu com FHC, com Collor e tantos outros.
Disse Arthur Müller que um bom jornal é uma nação conversando consigo mesma. E, numa boa conversa, tenha ela o tom que tiver, ninguém quer ser enganado, você não concorda?
Forte abraço e espero vê-lo mais vezes no blog com suas inteligentes intervenções!
Marcos,
Concordo plenamente com você. Acredito mesmo que o "pecado capital" para religiosos, políticos, jornalistas, professores, e todos aqueles que trabalham imersos em ideologias, é a hipocrisia. É ocultar o discurso que há por trás da fala.
Acredito também que a imparcialidade deve ser buscada mesmo que tomada como uma utopia (segundo Ernst Bloch - o "não-ser" que se imbui do "ser" para um dia vir a "ser").
Esteja certo que serei um leitor assíduo, e muito interessado, do seu Blog. Conteúdo de qualidade na internet é coisa rara nos dias de hoje. Idéias não convencionais, mais difícil ainda.
Gostei das suas análises. Excelente Blog. Parabéns.
Seja bem-vindo e volte sempre por aqui, Marcelo.
Engraçado, quando Lula era o maior nome da esquerda e um dos maiores nomes políticos da nossa recém-nascida democracia pós-ditadura e seu maior rival político elegeu-se Presidente, nomeadamente Fernando Collor de Mello, quem foi mesmo que denunciou aos cântaros os esquemas de corrupção e os indivíduos políticos do governo Collorido? Quem foi mesmo que fez as críticas mais pesadas - logo em seguida ao impeachment provocado - ao governo que se sucedeu, de Itamar Franco? Quem foi que deu o maior espaço para a oposição naquela altura - e em toda a década - e uma chance pesada para uma eleição seguinte ser diferente? Foram capa e primeira página da onde mesmo? E todos as CPIs engavetadas e processadas do governo FHC foram levantadas e conhecidas através de quem mesmo? E os Anões do Orçamento? E as crises ministeriais/secretariais do governo santo-do-pau-oco tucano? E Rubens Ricupero, na campanha de 1994 do PSDB? E Chico Lopes, Presidente do Banco Central de FHC? E Mendonça de Barros, ex-presidente do PSDB e Ministro, demitido do Governo?
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Todas as notícias acima são do período entre 1989 e 2002, nenhuma é relacionada ao PT (caso alguém não saiba ou não consiga identificar - ou simplesmente tenha memória curta), mas ao PMDB, PSDB e PFL (que fazem parte de uma tal de "Coligação para um Brasil Decente"... não sei, não)
E quem foi que deu espaço para a oposição nessa altura? E quem destacou-a quando esta venceu a eleição?
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http://veja.abril.com.br/busca/imagens/capa/1994/JPG380x490/1329.jpg (nessa reportagem aqui é destacado como o único esquerdista capacitado para uma campanha presidencial)
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http://veja.abril.com.br/busca/imagens/capa/1989/JPG380x490/1101.jpg (novamente o mesmo destaque)
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Isso acontece em todos os outros governos:
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E todos os políticos:
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Quantos Colloristas você acha que acusaram a imprensa de "comprada!", "esquerda!", "complô!"???
Quantos Sarneyistas não brigaram, espernearam e desacreditaram os veículos de comunicação?
Quantos Itamaristas não chamaram a mídia de "comprometida!", "direita!"?
Quantos Malufistas não boicotaram as revistas e jornais?
Quantos Tucanistas não falaram mal o jornalismo investigativo?
Quantos Petistas e Lulistas não já amaldiçoaram as publicações desse país?
Essa é para você, Brogna:
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Sigrist, é interessante o comportamento da imprensa no caso Collor, como você bem coloca. Ela ajudou elegê-lo, vendendo uma imagem totaltamente falsa de que ele seria um "caçador de marajás". Mas ela ajudou a derrubá-lo, quando os atos do então presidente passam a tornar insustentável a aliança com as forças que trabalharam por sua eleição. No meu entender, a imprensa foi cheia de intenções que vão além do jornalismo, tanto para elegê-lo quanto para derrubá-lo.
Quanto a outras tantas capas que você coloca em defesa de "Veja" (e agradeço o enorme trabalho em prol da discussão neste espaço), são interessantes, mas apenas a minoria é de edições durante campanhas eleitorais, tema da série do blog. A grande mídia sabe que o peso das tintas numa campanha eleitoral é muito maior do que em períodos longínquos, quando se pode haver tempo para o esquecimento do leitor. E as parcialidades, em geral, são sutis, justamente para passarem despercebidas.
Quanto à última capa que você me dedica, pretensiosa a imprensa em querer julgar até a forma como o leitor a enxerga, não? Abraço!
Antes de postar qualquer outro comentário, gostaria de dizer que acho muito interessante e válido esse espaço, para colocarmos aqui as nossas opiniões em relação ao tema proposto. Ainda mais quando os comentários são feitos por pessoas da nossa cidade. Fiquei sabendo desse Blog hoje, Domingo, ao ler um artigo de sua autoria no Liberal, e pretendo visitá-lo sempre que possível.
Em relação à revista Veja, a mais criticada, embora a mais lida, continuo a tendo como um excelente veiculo de comunicação. Afinal, seja nesse, ou em qualquer outro governo, fui ela quem mais escândalos revelou, dando o ponta-pé inicial em inúmeros processos.
Abraço
Marcos,
Que tal falar um pouco sobre a TV Bandeirantes, de jornalistas como Franklin Martins, Kennedy Alencar, etc?
Que tal dizer ao povo porque o Franklin Martins defende tanto o José Dirceu, Lula e o PT? Que tal dizer ao povo que ele foi um dos guerrilheiros do MR-8 que participou do sequestro do embaixador americano e porisso não importa quanta sujeira o Lula e o PT façam ele sempre está lá apoiando cada atitudes deles?
Que tal falar um pouco sobre a revista Carta Capital?
Por que no seu blog voce só fala da Veja?
Sigrist, bom saber que o verei sempre por aqui. Seja bem-vindo! Não discordo de você quanto a qualidades que "Veja" tenha, mas, em períodos pré-eleitorais, a revista tem escorregado numa parcialidade velada e, por isso, as discussões abertas pelo blog. Abraço!
Carlos, quando iniciei a série, avisei que "Veja" seria vedete. Por quê? Porque é a revista que tem se apegado mais a determinada facção política em épocas pré-eleitorais. Neste post, está também "Época" e a próxima postagem é justamente "CartaCapital", que traz uma matéria de capa desta semana revelando interesses da mídia no caso dossiê. Só que, antecipando a discussão a se colocar, "Carta" entra no modelo de revista que, bem ou mal, abre para o leitor a sua posição, diferente de "Veja" que posa de imparcial. Haverá outros veículos também. Todos, bons temas para discussão. Abraço!
E quanto ao Franklin Martins já que voces criticam tanto a Globo? E quanto ao comportamento da Bandeirantes na ocasião da eleição do Lula quando até fita de vídeo eles lançaram? A Bandeirantes também quer posar de imparcial mas nem se preocupa em disfarçar sua preferencia pelo Lula. Lembre-se que o Franklin Martins entra diariamente em rede nacional para desmoralizar os tucanos. E aí ? Não é grande mídia também? Ou isso serve apenas para a Globo?
Sigrist, concordo com voce. A VEJA nunca se omitiu sobre nenhum escândalo de nenhum governo e agora não poderia ser diferente. O Marcos pulou as capas que mostravam o movimento das diretas, o impeachment do Collor, as estrepulias do Maluf e até mesmo as prisões de alguns bandidos no governo anterior (nenhum ligado diretamente ao presidente como agora). Sim senhores, no governo FHC presidente do Banco Central flagrado roubando saía de CPI algemado, bem diferente do atual governo. Eu disse de CPI, para aqueles que se esqueceram que teve mais CPI no governo FHC do que nesse que vive se gabando que não esconde sujeira pra baixo do tapete.
Caro Carlos, não pulei capa nenhuma porque estou focando coberturas em épocas de campanha eleitoral. Diretas já não foi em campanha eleitoral, até porque nem havia eleição para presidente na época. O impeachment do Collor também não aconteceu em campanha eleitoral, nem o escândalo do BC no governo FHC. Por falar em diretas, sua postagem me inspirou a lembrar uma bela capa de "Veja", que reproduzo na postagem a seguir, para não parecer que só há críticas a fazer sobre a publicação dos Civita. A revista teve e tem participação na consolidação de nossa democracia, mas também desliza, e muito. Também abordaremos a posição de "CartaCapital" e conto com suas considerações por lá. Grande abraço!
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