Ganhou o quarto poder
Continuo a acreditar que em debates entre candidatos ganha a democracia, mas o terceiro debate entre Lula e Alckmin, realizado nesta noite de segunda / madrugada de terça pela Record, já demonstra fadiga e, pior, coloca em xeque quem são os verdadeiros vencedores dessa maratona de confrontos.Lula e Alckmin já debateram na Bandeirantes, depois no SBT, agora na Record e ainda debaterão na Globo. Em geral, houve pouca diferença entre os embates. Os temas abordados são parecidos, as perguntas são parecidas, as respostas são parecidas. Até as gravatas de ambos, hoje, repetiam as cores do debate anterior.
Quem ganha com essa cansativa repetição recheada de subterfúgios? Ao que tudo indica até agora, ninguém ganha mais que as próprias emissoras de televisão, que turbinam suas audiências e os lucros gerados por seus intervalos comerciais.
Por que não se realizarem dois debates, no máximo, gerados por um "pool" de emissoras, cada bloco apresentado por um mediador diferente e jornalistas diversos para perguntar? Ora, porque, mais uma vez (e desta vez mais escancaradamente que em outras), a mídia é a vedete de uma corrida eleitoral, ora carregando nas tintas visando alterar os resultados, ora puxando para seu terreiro os homens dos quais um será o presidente do País.
Eis o quarto poder.
(Foto: SXC)


6 Comments:
Concordo, já deu o que tinha que dar...
Marcos,
Não sei o que irritou mais. Se o Presidente irônico, se o Geraldo repetitivo, ou se a manipulação dos números pelos dois. Fui dormir ao final do 2º bloco.
Esse jogo de um apresentar dados (verdadeiros ou não) e o outro dizer que o oponente não tem conhecimento verdadeiro já está enchendo mesmo.
Só foi dito o que o concorrente fez de errado, e por oportunismo, o plano de governo. Acho isso chato e tenso.
A hora que a China virou assunto, desliguei a TV e fui dormir.
DIABOS, QUERO SABER DO BRASIL, NÃO DA CHINA.
=)
O Alckmim tem frases prontas e está muito repetitivo, sempre acusando, acusando e fugindo das respostas. Quanto a ironia do Lula é até compreensivel diate de tanta "empolgação" do adversário. Cito como exemplo quando Alckmim falou que Lula criou o "Bolsa- Banqueiro" e Lula respondeu que se isso fosse verdade esses banqueiros são ingratos porque todos votam em Alckmim. Como paulista sei a crise que passa nosso estado e não consigo compreender a desinformação (pra não dizer ignorancia) politica dos paulistas....
é meu caro blogna
como você aprendeu na faculdade, "liberdade de imprensa" = "liberdade de empresa"
Bom trocadilho, Anônimo. A propósito, reproduzo palavras de Mino Carta postadas nesta semana em seu blog: "Precisaríamos de uma lei, aprovada pelo Congresso, para impedir a concentração que se dá com a Globo, a Abril, etc. Não há democracia quando uma empresa de comunicação cobre todas as áreas, do papel impresso à mídia eletrônica. E onde, insisto, há diretores de redação por direito divino. Segundo: concordo plenamente quanto a ausência de espírito crítico, como pano de fundo da decadência do País, intelectual e moral. Sim, é isso mesmo: a crítica sumiu também da mídia, o império do pensamento único se instaurou, é o triunfo do lugar comum, da frase feita, do clichê. Estiquemos ouvidos: a maioria daqueles que nos cercam nos chamados logradouros públicos, em restaurantes, bares, calçadões, repetem as mesmas coisas, usam até as mesmas palavras. E nisso se encaixam os espectadores do teatro que se põem de pé na hora do aplauso final, como na iminência de entoar o hino nacional. Muito triste é recordar que o Brasil já foi bem melhor."
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