11.9.06

Além dos 111

Quando 111 morreram no Carandiru, em 92, a ação comandada por Ubiratan Guimarães foi até cantada como monstruosa. Caetano chamou-a de chacina, incluindo o fato naquilo que está "fora da nova ordem mundial". Mas os recentes ataques atribuídos ao PCC redesenharam a imagem do coronel algoz dos 111.

Ele voltou às primeiras páginas. Aqui mesmo, no LIBERAL, chegou a dizer que o Estado estava "de joelhos" para o crime. E não deixava de estar correto em sua análise, o que não o isenta de ter cometido um massacre nas celas do presídio que não está mais em São Paulo, e sim bem perto de nós.

De monstro, o coronel virou quase herói. O medo e a revolta da população diante de atos terroristas praticados por fação que se formou dentro das cadeias, concedeu-lhe a absolvição pública e até o tornou, para muitos, exemplo do que teria de ser feito para o problema ser resolvido.

Ubiratan morre numa São Paulo pior do que quando estava na ativa. Talvez justamente porque pessoas como ele comandaram uma polícia tão truculaneta quanto incapaz de conter a criminalidade, que hoje explode. Uma polícia que causa medo em muitos cidadãos de bem, mas é refém dos bandidos de verdade.

5 Comments:

Carlos Schaefer said...

Para mim o Coronel não era nem herói nem vilão. No caso do Carandirú foi tão culpado quanto o então governador Fleury que nunca foi acusado de nada até hoje.
Quanto a violencia em São Paulo, eu gostaria muito de saber a sua opinião sobre o que a policia de São Paulo deveria fazer para combater o crime organizado, considerando que à policia cabe apenas a prevenção, prisão e zelo pelos presos. A pena, direitos e deveres, critérios de visitas, condutas com os presos, agilidade ou morosidade dos processos é atribuição da JUSTIÇA.

3:58 PM  
Carlos Schaefer said...

Para mim o Coronel não era nem herói nem vilão. No caso do Carandirú foi tão culpado quanto o então governador Fleury que nunca foi acusado de nada até hoje.
Quanto a violencia em São Paulo, eu gostaria muito de saber a sua opinião sobre o que a policia de São Paulo deveria fazer para combater o crime organizado, considerando que à policia cabe apenas a prevenção, prisão e zelo pelos presos. A pena, direitos e deveres, critérios de visitas, condutas com os presos, agilidade ou morosidade dos processos é atribuição da JUSTIÇA.

3:58 PM  
Dalton said...

Concordo com o Carlos. A formas e formas de se fazer as coisas. Os presídios são uma das pontas do processo. No meio estão os Fleurys da vida que ainda dizem o que vão fazer pela segurança de São Paulo.

4:19 PM  
Marcos Brogna said...

Caros Carlos e Dalton,
Obrigado pelos comentários postados. Concordo que a polícia é apenas um mecanismo de combate ao crime organizado e depende da atuação de outros. Mas vejo na força policial um papel fundamental no controle desse "estado paralelo" que vem se construindo no Brasil, antes nítido no Rio, hoje também em São Paulo. A "prevenção, prisão e zelo pelos presos" que o Carlos cita, ao meu ver, são atribuições bastante significativas. Se as forças policiais trabalhassem melhor articuladas (Civil, Militar e Guardas, desde a investigação até a prisão), melhor aparelhadas, mais intolerantes com profissionais que desviam da probidade e mais próximas do cidadão, certamente teríamos um quadro melhor. Precisamos de companheiros na construção de uma sociedade mais segura e não da truculência que ainda se vê em alguns policiais. Um exemplo disso é o Proerd, um programa com excelentes resultados, feito por policiais que evitam que jovens entrem no mundo das drogas. E que arma eles usam para tanto? Apenas o diálogo e a conscientização. Abraços!

12:42 AM  
Marcelo Harteman said...

Caro Marcos e internautas!
Longe de mim de pensar que Coronel Ubiratan era um herói...! Mas morre num momento ruim, onde as questões de segurança pública vinha sendo melhor debatida!
E uma coisa é inegável! Ele tinha a coragem de dizer as verdades sobre as politicas de segurança de nossos governantes...! Bem ou mal...perdemos uma Voz!

7:17 AM  

Postar um comentário

<< Home