A vingança do eleitor
Duas pesquisas eleitorais divulgadas nesta semana, uma sobre a corrida presidencial e outra para o governo do Estado de São Paulo, mostram um fenômeno interessantíssimo. Pela primeira vez desde a redemocratização do Brasil, o eleitor dá sinal de que se cansou, definitivamente, do horário eleitoral gratuito.O quadro para a Presidência da República se mantém, com leve alta de Lula e leve baixa de Alckmin, mesmo considerando-se que o presidente é o natural alvo maior dos ataques na propaganda política. Em São Paulo, Serra lidera com folga, apesar das críticas da oposição na TV e no rádio.
Ou seja, a menos que uma bomba lance cacos para as salas dos brasileiros, ao que parece o horário eleitoral em nada influenciará na decisão dos eleitores. E o motivo é mais que claro: todos cansamos de ver e ouvir as mais aberrantes mentiras criadas pelo marketing político, este o grande responsável por deturpar o espaço que deveria ser das discussões.
É um deboche Alckmin defender a queda de impostos sendo que disseminou pedágios por São Paulo. Ou Lula dizer que o SUS é modelo para o mundo num país onde pacientes morrem em filas de hospitais. Ou ainda Heloísa Helena despejar seu cesto de palavrões sobre as cabeças dos pobres eleitores.
Pois, então, os eleitores respondem. Desligam a TV, mudam para um canal pago ou sequer prestam a atenção. É a democracia, cara pálida. Todos têm o direito de falar, mas não a garantia de que serão ouvidos e seguidos.


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