2.8.06

O que há com os PSs?

A mãe diz que a criança ardia em febre, estava “mole”, mas o médico mandou voltar para casa, dizendo se tratar apenas de uma gripe. A própria mãe teria perguntado se não era necessária a internação, negada pelo médico. No dia seguinte, a constatação: a criança estava com meningite e foi internada às pressas, já em situação quase irreversível. Ontem, a morte.

O caso aconteceu com usuário de convênio médico pago, modelo considerado muito superior à saúde pública, sempre abarrotada. Mas o problema não parece ser exclusividade dos hospitais públicos, tampouco um caso isolado em um convênio particular. Trata-se, ao que parece, de um erro crônico da saúde em geral: as falhas constantes nos pronto-atendimentos ou pronto-socorros, como são mais conhecidos.

Certamente, o leitor, algum parente seu ou conhecido já precisou recorrer aos plantões médicos. Pergunta-se: foi bem atendido?; foi examinado de forma minuciosa para um diagnóstico preciso?; recebeu do profissional a atenção necessária para que soubesse, realmente, o que se passava com seu organismo?

Até há respostas positivas para as perguntas acima, mas certamente as negativas superam. Isso porque, em geral, os hospitais públicos ou convênios reservam aos seus plantões profissionais menos experientes, incorrendo em um erro que pode ser fatal. O primeiro atendimento e o correto direcionamento do doente, dependendo do caso, são sinônimos da sua sobrevivência.

Mas, por economia, talvez, prefere-se optar pelo risco –do paciente, claro. E denúncias de erros médicos vão se multiplicando. É o diagnóstico de “gripezinha” que na verdade era meningite; outro de “dorzinha de cabeça” que na verdade era traumatismo craniano; ou ainda de “apenas uma pancada no joelho”, que na verdade era fratura de rótula.

Detalhe importante, leitor: todos os casos relatados no parágrafo anterior são reais e ocorreram tanto na saúde pública quanto na privada. Não servem para estatísticas, mas são casos verídicos, envolveram vidas, vidas como a do garotinho de apenas um ano e oito meses que se foi. Parecem ser um sinal de que está na hora de se olhar mais para as portas de entrada da saúde. E não só dos sempre criticados hospitais públicos.

6 Comments:

Jefferson Moura said...

A falha médica é uma realidade que se vem percebendo não só agora.
Só faço uma pergunta.Quanto tempo isso vai durar?Quantas vidas eles matarão para se certificarem que a mudança é preciso?

Simplesmente lamentável.

8:05 AM  
Silvana Romero Cia said...

Realmente lamentável este episódio, e quem sofre mais ainda com isso são os familiares da criança que se foi...
O primeiro diagnóstico certo sempre poderá salvar muitas vidas. Os plantonistas deviam ter em mente que talvez algum dos seus familiares poderão ser atendidos por um de vocês a qualquer momento e assim agir com mais dignidade e firmeza.
Uma carreira tão nobre, sendo manchada por episódios tão tristes.

9:10 AM  
Anonymous said...

porque não se divulga o nome do tal plantonista? é um serviço de utilidade pública! senão nossos filhos continuarão expostos à incompetência desse charlatão!

1:18 PM  
Marcos Brogna said...

Anônimo,
Na receita fornecida à mãe do garoto, não há sequer o carimbo do médico com seu CRM, o que é obrigatório. Pedimos o nome do profissional, até para que pudéssemos ouvir sua versão sobre o fato, mas o hospital preferiu não divulgar. Acho precipitado um adjetivo como "charlatão", até porque há muita coisa a ser esclarecida neste caso. Penso que devemos cobrar uma investigação profunda e punição, caso se comprove o erro. Aproveito para convidá-lo a se identificar nas próximas participações. Este é um espaço ao qual as opiniões são sempre bem-vindas.
Jefferson e Silvana,
Obrigado pelos comentários. Abraços a todos!

1:40 PM  
Anonymous said...

Como era de se esperar, o assunto morreu, caiu no esquecimento. A morte de um garoto agora é menos importante que o destino de um macaco... Onde está, meu Deus, nossa imprensa investigativa?

A propósito, semanas atrás precisei de ir ao médico, na UNIMED Fácil. O mesmo simplesmente me deu uma receita sem carimbo, escrita a mão, com a mão esquerda apesar dos exames terem sido feitos com a mão direita (tenho certeza que ele era destro). Protestei pedindo o receituário feito no computador e ele disse que "o sistema estava fora do ar", o que era mentira, pois a minha ficha foi digitada no microcomputador. Claro que não comprei o medicamento receitado. Voltei outro dia com outro médico que me receitou outro medicamento, desta vez com a receita de acordo.

Paulo

5:00 PM  
Andresa said...

A MUDANÇA TEM QUE OCORRER DESSAS FACULDADES QUE CADA VEZ EXIGE MENOS DOS SEUS ALUNOS....FAZENDO COM QUE QUALQUER UM QUE PAGUE SUAS MENSALIDADES ABDURDAS POSSAM SE TORNAR UM "PROFISSIONAL" PARA CUIDAR DA VIDA DE OUTRAS PESSOAS....ESSA PROFISSÃO NÃO É UM DIPLOMA....MAS SIM UM DOM....UM DOM DIVINO DE DEUS....QUE DEVEREI SER EXERCIDO POR SOMENTE QUEM OS TEM !!!!!!

12:57 PM  

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