30.7.06

Reagir é preciso

"De uns tempos para cá, os bandidos estão muito abusados. Alguma providência precisa ser tomada para diminuir essa violência". A frase é de Renata Marques de Mello, que, indignada ao ver sua moto ser furtada na Praia Azul, em Americana, saiu em perseguição do ladrão.

As palavras da moça resumem o que quase todos os cidadãos de bem pensam. Sua ação escancara uma realidade lamentável: se a sociedade quiser ver recuperados seus bens roubados pela bandidagem, é melhor fazê-lo com as próprias mãos. Simplesmente porque as forças de segurança do Estado perderam o controle da situação há um bom tempo.

Vivemos uma guerra civil que já nem é mais disfarçada. O crime insulta a sociedade e não apenas rouba, tortura e mata. Já tem marca registrada como facção que age sob o mando de seus líderes mesmo encarcerados. Chega a fazer terrorismo tal qual víamos, de longe, no Oriente Médio. Mais: corrompe todas as esferas do poder público.

Renata correu risco ao perseguir o ladrão de sua moto. Mas, se não fizesse isso, certamente não a recuperaria nunca. Entretanto, o risco não está apenas em ações como a dela. Andar pelas ruas, cada vez mais, é um risco no Brasil –e também em nossa região, presenteada com o êxodo carcerário do Carandiru.

A sociedade precisa reagir. Talvez de forma um pouco diferente da corajosa motociclista, mas reagir. Fingir que tudo está sob controle e confiar na "segurança" do Estado significa esperar chegar a sua vez de vítima.