O Brasil não mereceu
É preciso que admitamos: a cada jogo do Brasil nesta Copa do Mundo, foi ficando evidente que as estrelas de Parreira não mereciam o favoritismo alardeado aos quatro cantos. Foi um jogo feio contra a Croácia, outro jogo feio contra a Austrália, um jogo melhorzinho contra o Japão (pudera!), mais um jogo feio contra Gana. Até que a França -de novo, a França- mostrou que, para vencer (e não só no futebol), é preciso planejamento, suor e vontade.E tudo o que mais faltou ao Brasil nesta Copa do Mundo foi vontade. Sobrou o toque de bola burocrático. O pouco de sucesso que levou a seleção verde-amarela às quartas-de-final ficou por conta de ações individualistas das estrelas, que brilharam muito mais em peças publicitárias do que no gramado, como deveriam.
No comando da constelação, esteve o técnico dos resultados, que se acha dono de uma fórmula mágica e eficiente do futebol sem show, sem espetáculo, sustentado no placar conquistado no sufoco e, muitas vezes, na pura sorte. Uma estratégia tão ineficiente quanto os próprios jogadores, que não só se negaram ao show como se negaram ao próprio futebol, cujo espírito é justamente o espetáculo e não a burocracia.
Foi triste ver a seleção de Telê deixar a Copa. Porque ela encantou não só os brasileiros, mas o mundo. Não é triste ver o antifutebol de Parreira voltar para casa. Porque o "time dos sonhos" só deu vexame, virou pesadelo diante do "hexa" repetido múltiplas vezes.
A França não é apenas algoz. É também exemplo de superação. No gramado e na construção de uma grande nação, feito do qual ainda estamos longe. É a pátria do "liberté, igualité, fraternité", lema que a transformou num dos países mais desenvolvidos do mundo, vencendo desafios sem nenhuma facilidade, mas com garra revolucionária (dá mais inveja disso que da vitória no gramado).
Que nos sirva de orgulho Luiz Felipe Scolari, que nos deu a quinta estrela na copa passada e acaba de levar Portugal -seleção totalmente desacreditada- à semifinal. Desacreditada, mas com uma vontade de vencer admirável, vontade que o Brasil não teve em nenhum dos jogos de que participou.
Viva Felipão e sua seleção portuguesa! Viva a vitória merecida, a superação! E que seja sepultada a tática da mediocridade. Para o futebol e para a vida!


4 Comments:
Olá Marcos!
Primeiramente gostaria de dizer que achei muito legal a idéia do blog, que nos permite através desses comentários poder dividir opiniões com você, criando um link muito legal entre informação, sugestão e debate.
A respeito do post, eu gostaria também de comentar.
Não se pode mesmo negar que a França tenha sido merecedora da vitória, embora o país inteiro fique bem chateado com a idéia.
Assistindo ao jogo no sábado, achei estranhíssimo o "transe" em que os jogadores pareciam estar, dando atenção especial às "estrelas" do time, que muitas vezes se encontravam impossibilitadas de levar uma jogada adiante, enquanto os demais integrantes da seleção assistiam.
Bom, esta é minha opinião, e obrigado pelo espaço cedido aos comentários.
Marcos, belo texto. Este é o resultado do futebol de resultado onde dar show é ganhar... Mas olhando pelo lado bom, este pode ser o inicio do fim da era Parreira, Zagallo, Cafu, Roberto Carlos, Ronaldo....
Que assim seja, Diógenes. Que todos os citados pendurem as chuteiras. E, no caso de Roberto Carlos, aposentado ele poderá cuidar das meias, à vontade. Abraço!
Anônimo, o espaço é justamente para o debate e você foi muito feliz no comentário. Participe sempre. Abraço!
Acho que foi Vargas Llosa que disse "enquanto existir futebol e carnaval, nao havera revolucao no Brasil".
Os brasileiros precissam acordar para a realidade, os politicos roubam quanto querem, e ainda sao reeleitos (nao sei se e ignorancia ou que...)
Eu nem sou brasileiro, mas espero que a desilusao com o futebol ajude o pessoal a pensar mais claramente na hora das eleicoes
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