Jornalistas e radicalistas
Para que servem os jornalistas? A pergunta é pertinente diante de duas situações antagônicas, uma ocorrida em 2001 e outra no início deste mês, ambas “filhas” do mesmo Brasil tão desigual quanto contraditório.A primeira (já bem discutida) é a liminar que derrubou a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão, decisão justificada na estranha idéia de que todos teriam o direito de “se expressar” nos meios de comunicação tal qual os jornalistas (o que sugere que todos tenham também o direito de “salvar vidas” em hospitais, como os médicos).
A segunda é uma votação feita na surdina, em que o Congresso aprovou uma nova e estranha regulamentação para a profissão. O projeto é do deputado Pastor Amarildo Martins da Silva (PSC) e tem apoio da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas). Ele aumenta de 11 para 23 as funções privativas do jornalista, passando a exigir diploma para cargos como diagramador, articulista, colaborador, colunista, cartunista.
Se o presidente da República sancionar isso, especialistas que assinam colunas sobre arte, medicina, esporte ou economia teriam de prestar vestibular, ser aprovados e se formar em Jornalismo, caso queiram continuar escrevendo. Também estariam fora os geniais artistas que fazem quadrinhos, charges, ilustrações. Até os leitores que mandam seus artigos de opinião, dando mais vida aos jornais, estariam cortados.
O deputado-pastor acaba de inventar o jornalismo absolutista. Seu projeto de lei é uma medida tão extrema quando a liminar da juíza que vetou o diploma. Ele quer obrigar todos a se formarem jornalistas; ela, permitir a todos que sejam “jornalistas” sem se formar.
Um “oito” e um “oitenta”, ambos transformando o jornalismo num calabouço, ora da anarquia antiprofissional, ora do corporativismo irracional.


3 Comments:
O cargo publico mais importante e poderoso do Brasil nao exige formacao academica, que ironia absurda seria Lula sancionar esta ideia. E viva as palavras, abracao Marcos.
É necessaria uma lei que obrigue os deputados a se formarem também, na escola do discernimento e da razão.
Tem muito jornalista não diplomado no esporte, M.Neves nem deve ter diploma, Galvão acredito que tb não tenha. É uma vergonha tudo isso, devia-se exigir curso superior para os cargos eleitorais, de vereador até presidente.
Postar um comentário
<< Home