Varig, Varig e mais Varig
Tudo bem que a Varig fez história no Brasil, é uma marca que deu orgulho a quem aprecia ver uma empresa emprestar a boa imagem ao seu país de origem. Mas a Varig fracassou, e esse é o fato.Como qualquer empresa que cresce, triunfa e morre, a Varig está no início da terceira fase, numa agonia lamentada por tantas folhas de jornal que vão além da objetividade jornalística e mergulham num quase dramalhão.
São fotos e mais fotos de aviões parados nos aeroportos, com o close no símbolo da companhia aérea. Não apenas isso. São imagens antigas, ainda em branco e preto, de quando a Varig era sinônimo de excelência rasgando os céus. Mais: são articulistas defendendo que o governo injete dinheiro na Varig para que se evite sua morte.
Ora, mas que injustiça com as tantas outras empresas que não estão na mídia, mas que precisam seguir a cruel lei do mercado, na qual quem é competitivo sobrevive e quem não consegue, morre.
Que injustiça com os tantos trabalhadores que precisam enfrentar a lei do mercado, com a obrigação paradoxal de ser jovem e, ao mesmo tempo, experiente; falar duas ou três línguas; ter inúmeros diplomas de cursos e ao mesmo tempo ter passado por muitas empresas, outro paradoxo.
Por que as folhas da imprensa não choram pelos milhões de brasileiros que precisam enfrentar esse tenebroso cenário que, para piorar, tem uma relação candidato/vaga crudelíssima?
A Varig no mercado aéreo é muito pouco comparada aos brasileiros no mercado de trabalho. Estes, sim, deveriam estar nas primeiras páginas e, principalmente, nas grandes lutas da mídia. Porque são o retrato de um país injusto. Com ou sem a Varig.


3 Comments:
Acho que o Brasil na verdade é muitissimo patriótico, mas quase nunca acha algo pra se orgulhar de seu país, aqui ou lá fora. Ele anda carente de algum símbolo desse tipo.
Por isso tenta salvar a Varig.
Por isso que é doente por copa do mundo...
Concordo com você, Micael. Muito oportuno o comentário.
A questão Marcos é o que os governantes estão acostumados a administrar a coisa pública. E aí há duas máximas: "governo nunca quebra" e "gastar o dinheiro dos outros é fácil".
Por isso eles têm tanta resistência em admitir que uma empresa que sempre foi ligada ao Poder Público pode falir.
Um abraço
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