Paulicéia
São Paulo não pode parar, mas é cidade de todas as paradas. A Parada Gay, que reuniu mais de milhão; a parada de Jesus, que reuniu também mais de milhão.Em apenas três dias, entre quinta e sábado, a artéria principal da cidade foi tomada pelos comportados evangélicos e pela badalação do público “GLS”. Dois mega-eventos, duas cidades diferentes pisando o mesmo chão, habitando o mesmo espaço, múltiplo, cosmopolita.
Na frieza de seu concreto e de sua indiferença para com seus filhos ou seus tantos errantes, São Paulo se mostra acolhedora. Porque respeita a todos ao não julgá-los; acolhe a todos ao abrir suas avenidas; ensina com sua dura realidade.
Em "Paulicéia Desvairada", Mário de Andrade, o gênio do movimento modernista dos anos 20, a chama de "costureirinha". Hoje, talvez fosse melhor dizer um potente tear, mas com a mesma arte de costurar diferenças, num caldeirão admirável. É São Paulo, uma escola de vida. Do pior, mas também do melhor.


3 Comments:
Marcos, excelente texto. São Paulo, realmente vive num constante paradoxo ético e cultural. Adoro aquela cidade. Parabéns.
Vivi em São Paulo nos quatro anos de faculdade. Experiência inesquecível. É uma cidade que nos convida a viver. Mais que isso: que nos obriga a viver, extremamente. Também adoro -e sinto falta- de Sampa, Rafaela.
Infelizmente o brasileiro não tem todo esse "vapor" que temos com futebol, religião e no caso, opção sexual na hora de reclamar dos políticos. Atitude, um dos ítens em falta no povo brasileiro.
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