17.6.06

Paulicéia

São Paulo não pode parar, mas é cidade de todas as paradas. A Parada Gay, que reuniu mais de milhão; a parada de Jesus, que reuniu também mais de milhão.

Em apenas três dias, entre quinta e sábado, a artéria principal da cidade foi tomada pelos comportados evangélicos e pela badalação do público “GLS”. Dois mega-eventos, duas cidades diferentes pisando o mesmo chão, habitando o mesmo espaço, múltiplo, cosmopolita.

Na frieza de seu concreto e de sua indiferença para com seus filhos ou seus tantos errantes, São Paulo se mostra acolhedora. Porque respeita a todos ao não julgá-los; acolhe a todos ao abrir suas avenidas; ensina com sua dura realidade.

Em "Paulicéia Desvairada", Mário de Andrade, o gênio do movimento modernista dos anos 20, a chama de "costureirinha". Hoje, talvez fosse melhor dizer um potente tear, mas com a mesma arte de costurar diferenças, num caldeirão admirável. É São Paulo, uma escola de vida. Do pior, mas também do melhor.

3 Comments:

rafaela said...

Marcos, excelente texto. São Paulo, realmente vive num constante paradoxo ético e cultural. Adoro aquela cidade. Parabéns.

9:54 AM  
Anonymous said...

Vivi em São Paulo nos quatro anos de faculdade. Experiência inesquecível. É uma cidade que nos convida a viver. Mais que isso: que nos obriga a viver, extremamente. Também adoro -e sinto falta- de Sampa, Rafaela.

1:13 PM  
Anonymous said...

Infelizmente o brasileiro não tem todo esse "vapor" que temos com futebol, religião e no caso, opção sexual na hora de reclamar dos políticos. Atitude, um dos ítens em falta no povo brasileiro.

6:29 PM  

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