16.6.06

Os fenômenos


Ronaldo está gordo? Ronaldo tem bolhas? Ronaldo tem febre? Ronaldo tem estresse? Ronaldo tem dor de cabeça? Ronaldo deve jogar? O assunto de um País de dimensões continentais pouco foge a essas interrogações, como se fossem elas vitais para nossa sobrevivência.

Da conversa do boteco às folhas da imprensa (que não deixam de ser um retrato, com vícios e virtudes, da sociedade que buscam informar), só se fala no jogador da seleção brasileira. E o jogador desabafa: "Ninguém merece tanta pressão".

Ele até pode estar certo, mas sabe há muito tempo que seu papel como "fenômeno" da bola diante de um país que almoça e janta futebol não seria outro. Ademais, é muito bem pago para isso.

O que intriga não é isso. Países muito mais desenvolvidos socialmente que o Brasil adoram futebol e são tão fanáticos quanto nós quando o juiz apita e começa o jogo. O problema é que aqui parece que pouca coisa além do futebol consegue inspirar o brasileiro a se informar e se preocupar com tanta vontade.

O mensalão de Lula já está esquecido, acaba de apontar pesquisa do Ibope que mostra o presidente com a mesma aprovação da opinião pública vista antes das denúncias. O presidente está com todas as chances de ser reeleito já no primeiro turno.

Não que a oposição mereça mais crédito, já que o concorrente Alckmin é acusado de dar seu "mensalão" a órgãos de imprensa do Interior para lhe cortejar (e elogios não são difíceis de se ver nas páginas de muitos jornais em relação ao tucano). FHC, o cacique de Alckmin, também é acusado de bancar deputados para aprovarem o maior feito do seu governo: uma lei que beneficiasse a si próprio, permitindo sua reeleição. Mas isso não tira os "pecados" de Lula, mesmo ele dizendo que nada sabia. Na pior das hipóteses, foi negligente. E negligência não é mérito a ninguém.

Ronaldo tem o direito de não ser mais craque, afinal todo grande jogador tem sua decadência. É diferente do outro "fenômeno" brasileiro, o atual presidente da República, que não pode se deixar levar no "carrinho" da corrupção.