O transe pela "besta"
Desde que o homem é homem, saindo das cavernas para criar o que se chama de civilização (e há muitas controversas a respeito dessa palavra), as superstições estão presentes.O ano mil seria o fim. Não foi.
O cometa que passaria muito próximo da Terra seria o anúncio do apocalipse. Não foi.
Na Inquisição, as pessoas que pareciam “perigosas” aos dogmas “sagrados” seriam enviadas de satã e precisavam ser queimadas. Não eram enviadas de nada e cometeram-se cruéis assassínios em nome de Deus.
Então, chega o ano 2000, e com ele tudo iria, finalmente, acabar. Não acabou.
Mesmo assim, as superstições resistem no imaginário de esotéricos e alguns religiosos (cristãos), que passaram o dia de hoje em orações para evitar o domínio da “Besta”, do 6/6/6 que estaria por trás do dia 6 do mês 6 do ano de 2006.
Ora, nada contra a liberdade das crenças, mas vamos dar uma chance à razão, até porque a superstição não existe como fato. O ano mil não acabou. Dois mil também não. Tampouco parece ter acontecido algo extraordinário até esta tarde de 6/6/06.
Quer-se cultuar o Cristianismo? Siga-se verdadeiramente a frase-síntese do profeta, ainda um desafio dois mil anos depois: “amai-vos uns aos outros”.
Em vez de rezar contra a “Besta”, leve calor a quem tem frio, comida a quem tem fome, carinho a quem tem desespero. Isso, sim, pode salvar o mundo do mal que não está em números nem no "além", mas dentro do próprio homem.


7 Comments:
Desde os primeiros séculos do cristianismo, quando o texto grego do Evangelho foi traduzido para o latim, principiou a funesta associação de crer com fé. A palavra grega para fé é pistis, cujo verbo é pisteuein.
Infelizmente, o substantivo latino fides, correspondente a pistis, não tem verbo e, assim, os tradutores latinos viram-se obrigados a recorrer a um verbo de outro radical para exprimir o grego pisteuein: credere, que em português
deu crer.
Nenhuma das cinco línguas neo-latinas português, espanhol, italiano, francês, rumeno - possui verbo derivado do substantivo fides, fé; todas essas línguas são obrigadas a recorrer a um verbo derivado de credere.
Ora, a palavra pistis ou fides significa, originalmente, harmonia, sintonia, consonância. Portanto, ter fé é estabelecer ou ter sintonia e harmonia entre o espírito humano e o espírito divino.
Nos tempos modernos, é fácil estabelecer o seguinte paralelo ilustrativo: um receptor de rádio só recebe a onda eletrônica emitida pela estação emissora, quando o receptor está sintonizado ou afinado perfeitamente com a freqüência da emissora; se a emissora, por exemplo, emite uma onda de freqüência 100, o meu receptor só reage a essa onda e recebe-a quando está sintonizado com a freqüência 100; só neste caso, o meu receptor tem fé,
fidelidade, harmonia ou está em consonância com a emissora.
Se o espírito humano não está sintonizado com o espírito de Deus, ele não tem fé, embora talvez creia. Esse homem pode, em teoria, aceitar que Deus existe, e apesar disso, não ter fé. Ter fé é estar em sintonia com Deus, tanto pela consciência como também pela vivência, ao passo que um homem sem sintonia com Deus pela consciência e pela vivência, pela mística e pela ética, pode crer vagamente em Deus.
Crer é um ato de boa vontade; ter fé é uma atitude de consciência e de vivência. A conhecida frase "quem crer será salvo, quem não crer será condenado", é absurda e blasfema no sentido em que ela é geralmente usada pelos teólogos. Mas, se lhe dermos o sentido verdadeiro, ela está certa, porque a salvação não é outra coisa senão a harmonia da consciência e da vivência com Deus.
A substituição de "ter fé" por "crer" há quase dois mil anos desviou a teologia e deturpou profundamente a mensagem do Cristo.
Já sei. Aqueles que depredaram a Câmara dos Deputados estavam "possuídos" pela Besta, no dia 6/6/2006.
e os que estavam no plenário também :D
Logo seremos um País "possuído" pela Copa do Mundo. E tudo isso passa, rapidinho.
Abraços ao Tiago, Luiz e Marcos
Ta show essa materia
gostei pa caramba!
Só pra constar... O número que consta em Apocalipse 13:18 é Seiscentos e sessenta e seis e não 6 - 6 - 6
Marcos, parabens pelo seus interessantes e inteligentes editoriais, no jornal e no blog.
Parabens. Fernando.
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