25.6.06

O "pai" e os órfãos

Lula, enfim, resolveu admitir que é candidato à reeleição, fato mais que evidente há muitos meses -para não dizer anos. E o seu discurso colocou mais terra na já sepultada esperança sobre a eleição do operário de esquerda à presidência de um país comandado pelas mesmas elites, desde a colonização.

Lula se disse "pai dos pobres" e afirmou aceitar a condição de candidato atendendo ao "chamamento" popular. Palavras populistas que fazem lembrar tantos outros candidatos e presidentes, membros da elite que Lula já criticou com vigor, mas hoje a serve cordialmente.

Lembremos que o auto-intitulado "pai dos pobres" deu de bandeja para a ciranda finaceira, só no ano passado, nada menos que R$ 120 bilhões. Cento e vinte bilhões de reais retirados dos impostos de quem sua a camisa para pagá-los, de quem conta e reconta as notas para já prever quanto vai faltar no final do mês. E Lula jogou esse dinheiro aos banqueiros e especuladores, mantendo juros nas alturas, freando a produção industrial e, conseqüentemente, a geração de empregos (de novo, afetando os pobres que diz ser seus "filhos").

Lembremos também que a política-econômica implantada pelo antecessor, FHC (um legítimo representante das elites que Lula chamava de "neoliberal") foi mantida em gênero, número e grau pelo governo petista, privilegiando os sempre privilegiados. O que Lula fez de diferente foi (além da interrupção das pornográficas privatizações) a intensificação de programas sociais que levaram "esmolas" aos pobres. Importantes, sim, mas não suficientes, porque o modelo "macro" continuou concentrando renda nas mãos dos mesmos.

Lula quer que acreditemos que seu governo privilegiou os mais pobres e a distribuição de riquezas. Ele teve, sim, talvez a maior de todas as chances de um presidente para fazer isso. Tinha apoio maciço da população, pois foi eleito justamente com a expectativa de mudança. Mas, jogou fora essa oportunidade de ouro.

E o Brasil continua, desde as Capitanias Hereditárias, sendo um país injusto, de brasileiros pobres. E órfãos.

1 Comments:

Daniel Filho said...

E ainda assim, é o candidato com chances de vencer ainda no primeiro turno.

Viva a esperança alheia por um futuro melhor.

11:48 AM  

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