5.6.06

O legado da nossa miséria

Suzane planejou matar os pais de forma cruel, confessou o crime, seria julgada nesta segunda-feira junto dos executores do assassinato (um dos quais seu ex-namorado), mas conseguiu vencer mais uma batalha na Justiça brasileira, que é uma mãe para os criminosos.

Numa manobra nem um pouco moral (porém, legal), o time de advogados que seu dinheiro possibilita pagar simplesmente se retirou do plenário do júri. Assim, impossibilitou a realização do julgamento, que ficou para 17 de julho, depois da Copa do Mundo, a que ela poderá assistir na luxuosa casa do seu tutor, onde está “presa”.

A batalha vencida por Suzane é um deboche ao País. Escancara uma legislação cheia de brechas, para benefício dos astutos. Entenda-se por astutos os bons advogados, que só podem ser contratados pelos mais abastados. Resultado: a lei serve aos ricos e as cadeias ficam reservadas aos pobres, que sequer têm acesso aos mais básicos dos direitos.

O pior de tudo é que Suzane é apenas a que está na mídia. Muitas outras “Suzanes”, algumas de terno e gravata e com mandatos políticos, se esbaldam na impunidade reservada aos bem-nascidos. Estas "Suzanes" engravatadas são justamente as que elaboram as leis, as leis que beneficiam outras Suzanes.

Fecha-se o ciclo. Ou escancara-se, como diria Machado de Assis, o legado da nossa miséria.

1 Comments:

Daniel Filho said...

Viva o Brasil!

Viva o hexacampeonato que há de vir, viva a copa do mundo que nos tirar a atenção de fatos de importância criminal e jogar a sujeira pra debaixo do tapete.

Viva.

12:38 AM  

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