9.6.06

A Copa e o bonde

A partir desta sexta-feira intensifica-se o poderoso bombardeio de informações sobre um só tema: a Copa do Mundo. A Copa que já está escrita, ou subscrita, nas páginas da imprensa como nossa.

Escrita na imprensa que, neste caso, apenas ecoa o som das ruas de um país já chamado de pátria de chuteiras, ainda mais quando sobram craques (já abocanhados pelo futebol europeu, diga-se).

Parece uma catarse. Já que somos derrotados pela política podre, pelo abismo horrendo entre as classes milionária e miserável, o futebol parece lavar a alma, sendo um dos poucos orgulhos, uma das poucas vitórias.

O triunfo no gramado parece redimir a derrota da nação, parece preencher de orgulho o trauma do fracasso, esconder sob o tapete verde a fome e a ignorância que escraviza um povo.

Nada contra a Copa, nada contra o futebol, nada contra o espírito de civismo que, pelo menos nesta época, colore as ruas de verde e amarelo. Mas vamos além dos gramados, vamos além da torcida pelos onze jogadores.

Perder a Copa não é nada. Ruim é perder o bonde do futuro.

2 Comments:

Luiz Porto said...

Marcos,

Que bom seria se os brasileiros usassem a mesma concentração, união, crença e dedicação que demonstram em época de Copa do Mundo também para resolver nossas mazelas. O Brasil seria outro país.
Um abraço

8:41 AM  
Rafaela said...

Eca, chegou a copa. Época de repetições de notícias vazias que os meios de comunicação saturam com infundado sentimento de felicidade e patriotismo. Um dos piores é o Galvão Bueno, que insiste em dizer que somos a pátria das chuteiras. Quanta bobagem teremos que ouvir nos proximos meses? Só no BraZil mesmo.

10:17 AM  

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